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Dizem
todos os Espíritos que, na erraticidade,
eles se aplicam a pesquisar, estudar, observar,
a fim de fazerem a sua escolha para a próxima reencarnarão.(Ver: Fatalidade)
Os Espíritos pressentem em que época reencarnarão, como sucede ao cego que se aproxima do fogo. Sabem que têm de retomar a um corpo, como sabemos que temos de morrer um dia, mas ignoram quando isso se dará. A reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte o é da vida corporal.
Nem todos os Espíritos se preocupam com a sua reencarnação. Muitos há que em tal coisa não pensam, que nem sequer a compreendem. Depende de estarem mais ou menos adiantados. Para alguns, a incerteza em que se acham do futuro que os aguarda constitui punição.
O Espírito pode apressar ou retardar o momento da sua reencarnarão. Pode apressá-lo, atraindo-o por um desejo ardente. Pode igualmente distanciá-lo, recuando diante da prova, pois entre os Espíritos também há covardes e indiferentes. Nenhum, porém assim procede impunemente, visto que sofre por isso, como aquele que recusa o remédio capaz de curá-lo.
Se
o Espírito se considerasse bastante feliz, numa condição mediana entre os Espíritos errantes e, conseguintemente, não ambicionasse elevar-se, poderia
prolongar esse estado, não
indefinidamente. Cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de
progredir. Todos têm que se elevar; esse o destino de todos.
O
Espírito pode, também, escolher o corpo, porquanto as imperfeições que este
apresente ainda serão, para o Espírito, provas que lhe auxiliarão o progresso, se vencer os obstáculos que lhe oponha. Nem sempre, porém, lhe é permitida a escolha do seu invólucro corpóreo; mas,
simplesmente, a faculdade de pedir que seja tal ou qual. Se o
Espírito recusar, à última hora, tomar o corpo por ele escolhido, sofreria
muito mais do que aquele que não tentasse prova alguma.
Especialistas do plano espiritual examinam a geografia dos genes nas estrias cromossômicas,
a fim de certificarem até que ponto podem colaborar em favor do reencarnante,
com recursos magnéticos para a organização das propriedades hereditárias.
[16a - página 188 ] Ver: Epigenética
São inúmeros os projetos de corpos futuros nos setores de serviço das instituições
reencarnacionistas. Depreende-se, da maioria deles, que todos os enfermos na
carne são almas em trabalho da ingente conquista de si próprias. Ninguém trai
a Vontade de Deus, nos processos evolutivos, sem graves tarefas de reparação, e todos os que tentara
enganar a Natureza, quadro legítimo das Leis Divinas, acabam por enganar a si
mesmos. A vida é uma sinfonia perfeita. Quando procuramos desafiná-la, no círculo
das notas que devemos emitir para a sua máxima glorificação, somos compelidos
a estacionar em pesado serviço de recomposição da harmonia quebrada.[16a - página 165 ]
Todo plano traçado na Esfera Superior tem por objetivos fundamentais o bem e a ascensão, e toda alma que reencarna no círculo da Crosta, ainda aquela que se encontre em condições aparentemente desesperadoras, tem recursos para melhorar sempre. [16a - página 209 ]
Depoimento de um espírito, momentos antes da reencarnação: "Já estive mais animado — disse ele, triste — entretanto, agora, falece-me a energia ... Sinto-me fraco, incapacitado ... Enquanto lutei por obter a transformação de meu futuro pai, experimentava mais confiança e serenidade ... agora, porém ..., que consegui a dádiva do retorno à luta, tenho receio de novos fracassos ...
Dentre
todos os irmãos que me assistem agora, Herculano me acompanhará com desvelo e
constância ... Bem sei. No entanto, o renascimento
na carne, com os valores espirituais que já possuímos, representa
um fato gravíssimo em nosso processo de elevação ... Ai de mim, se cair
outra vez! ..."
Um
dos Espíritos Construtores, que parecia o chefe do grupo em operações, abraçou-o,
comovidamente, e falou:
A
modelagem fetal e o desenvolvimento do embrião obedecem a leis físicas
naturais, qual ocorre na organização de formas em outros reinos da Natureza,
mas, em todos esses fenômenos, os ascendentes de cooperação espiritual
coexistem com as leis, de acordo com os planos de evolução ou resgate.
O concurso da espiritualidade, portanto, em processos tais, é uma das tarefas
mais comuns. [16a - página 188 ] Ver: Epigenética
Os nossos irmãos ignorantes e infelizes, reclamam quase absoluto estado de inconsciência para penetrarem, de novo, o santuário material.
Ver: restringimento
No
momento de encarnar, o Espírito sofre perturbação muito maior e
sobretudo mais longa à que experimenta ao desencarnar.
Na incerteza em que se vê o Espírito, quanto às eventualidades do seu triunfo nas provas que vai suportar na vida, tem o Espírito uma causa de grande ansiedade antes da sua encarnação. Pois que as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar (progredir), conforme as suporte. [9a - página 198 questão 341 ]
Assim
como, para o Espírito, a morte do corpo é uma espécie de renascimento, a reencarnarão é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Reencarnará, como o homem sabe que
morrerá. Mas, como este com relação à morte, o Espírito
só no instante supremo, quando chegou o momento predestinado, tem consciência de que vai reencarnar. Então, qual do homem em agonia,
dele se apodera a perturbação, que se prolonga
até que a nova existência se ache positivamente encetada. À aproximação do momento de reencarnar, sente uma espécie de agonia. Procede como o viajante que embarca para uma travessia perigosa e que não sabe
se encontrará ou não a morte nas ondas que se decide a afrontar. O viajante
que embarca sabe a que perigo se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo
se dá com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não
sabe se sucumbirá.[9a - página 197 questão 340 ]
Aproximando-se o momento de reencarnação, o Espírito
reencarnante, comumente, entra em gradativo processo de redução psicossômica (lembrando o chamado fenômeno da ovoidização), o qual acontece
concomitantemente com a diminuição da consciência de si. Para os Espíritos
superiores dispensariam esse apagamento da consciência, pelo menos, até as
fases finais.No momento da concepção
do corpo que se lhe destina, o Espírito é apanhado por uma corrente fluídica
que, semelhante a uma rede, o toma e aproxima da sua nova morada.Desde o instante da concepção, a perturbação ganha o Espírito; suas
ideias se tornam confusas; suas faculdades se somem. No ato da reencarnação,
as faculdades do Espírito não ficam apenas entorpecidas por uma espécie de
sono momentâneo, todas, sem exceção, passam ao estado de latência.[1 - páginas 39/40] Ver: Monoideísmo e Reencarnação
... Túlio, algo melhor ante as promessas de futura assistência por parte daquela a quem amava tanto, concordou em matricular-se voluntÁ riamente no Instituto de Serviço para a Reencarnação(1), internando-se, de pronto, num dos gabinetes de restringimento, entregando-se aos aprestos necessários. Antecedendo, porém, a medida, certa noite, em que Serpa se ausentara do lar, foi levado à presença de Vera, para familiarizar-se, de algum modo, com aquela que o receberia nos braços de mãe... ... Na base da verdade prometida, Túlio renasceria de Caio Serpa, absolutamente magnetizado pelo devotamento materno, a fim de se reaproximar do antigo adversário e metamorfosear ressentimento em amor, pela terapêutica do esquecimento... ... Toda construção nobre há que ser dirigida. Primeiro, o projeto; em seguida, a execução...
Somos viajores do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, renascendo na Terra e na Espiritualidade, tantas vezes quantas se fizerem precisas, aprendendo, renovando, retificando e progredindo sempre, conforme as Leis do Universo, até alcançarmos a Perfeição, nosso destino comum... (1) Organização do Plano Espiritual. --- Nota do autor espiritual. [73 - página 229/232]
No momento de reencarnar, depende da esfera a que pertença. Se já está nas em que reina a afeição, os Espíritos que lhe querem o acompanham até o último momento, animam e mesmo lhe seguem, muitas vezes, os passos pela vida em fora.
Quando
o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação,
um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito,
o liga ao gérmen que o atraí por uma força irresistível, desde o momento
da concepção. A medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta.
Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui
certas propriedades da matéria,
se une, molécula a molécula, ao corpo em
formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira,
nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união;
nasce então o ser para a vida exterior.[38 - cap. XI página 214 item 18]
Os processos
de reencarnação, tanto quanto os da morte física, diferem
ao infinito, não existindo, segundo cremos, dois absolutamente iguais. As
facilidades e obstáculos estão subordinados a fatores numerosos, muitas vezes
relativos ao estado consciencial dos próprios interessados no regresso à Crosta ou na libertação
dos veículos carnais.
[16a - página 189 ]
Na reencarnação de Segismundo, Herculano - amigo do plano espiritual - permaneceu em definitivo junto a ele, na nova
experiência, até que Segismundo atinja os sete anos, após o renascimento,
ocasião em que o processo reencarnacionista estará consolidado. Depois desse período, a sua tarefa de amigo e orientador será amenizada, visto que seguirá o nosso irmão em
sentido mais distante. Sei que o devotado companheiro tomará todas as providências
indispensáveis à harmoniosa organização fetal, seja auxiliando o
reencarnante, seja defendendo o templo maternal contra o assédio de forças
menos dignas; entretanto, peço-lhes muita atenção nos primórdios de formação
do timo, glândula, como sabem, de importância essencial para a vida infantil,
desde o útero materno. Precisamos do equilíbrio perfeito desse departamento
glandular, até que se forme a medula óssea e se habilite à produção dos
corpúsculos vermelhos para o sangue. Os diversos gráficos das disposições cromossômicas facilitarão os serviços dessa natureza.[16a - página 201]
Se é muito difícil explicar aos homens encarnados fatos rotineiros como os do alimento mental, a que nos referimos repetidas dezenas de vezes, durante cada dia de luta carnal, como informá-los, com exatidão e minúcias, quanto à ambientação do molde vivo para a edificação fetal na intimidade uterina? Precisamos esperar pelo concurso do tempo para conjugar as nossas experiências. [16a - página 221]
O trabalho completo de reencarnação, com a plena integração do espírito reencarnante nos elementos físicos, somente se verifica aos sete anos de idade. [16a - página 229]
Escolha
das crenças ou cultos
[41a - página 173]
Oração
de Druso (instrutor de André Luiz), antes de sua reencarnação.
Druso ergueu-se e rogou permissão para orar à despedida. [83 - página 271]
Interrompeu as considerações, fêz curta pausa, para acrescentar em seguida: — Repare que a diversidade, entre as suas informações e as minhas, é efetivamente considerável, os Espíritos que se esforçam nas aquisições da luz divina, através do serviço persistente na própria iluminação, conquistam o intercâmbio direto com instrutores mais sábios, aprimoram-se, consequentemente, e, pelos atos meritórios a que se consagram, podem escolher seus elementos de vida nova na Crosta Terrestre, como o trabalhador digno que, pelos créditos morais conquistados, pode exigir as próprias ferramentas destinadas ao seu trabalho. Os servos do ódio e do desequilíbrio, da intemperança e das paixões, contudo, que se preparem para as exigências da vida.
[40 - páginas 75/76]
Platão doutrina de escolha das provas Vimos, pelos curiosos documentos célticos que publicamos em nosso número de abril, a doutrina da reencarnação professada pelos Druidas, segundo o princípio da marcha ascendente da alma humana, à qual faziam percorrer os diversos graus da nossa escala espírita. Todo o mundo sabe que a idéia da reencarnação remonta à mais alta antigüidade, e que o próprio Pitágoras a hauriu entre os Indianos e os Egípcios. Não é, pois, de se admirar que Platão, Sócrates e outros, partilhassem uma opinião admitida pelos mais ilustres filósofos da época; mas o que, talvez, seja mais notável é encontrar, nessa época, o princípio da doutrina de escolha das provas, ensinada hoje pelos Espíritos, doutrina que pressupõe a reencarnação sem a qual não teria nenhuma razão de ser. Não discutiremos hoje essa teoria, que estava tão longe do nosso pensamento quando os Espíritos no-la revelaram, que nos surpreendeu estranhamente, porque o confessamos, com toda a humildade, que o que Platão havia escrito sobre esse assunto especial, nos era, então, totalmente desconhecido, prova nova, entre mil, que as comunicações que nos foram feitas não são o reflexo de nossa opinião pessoal. (Ver: Reencarnação através dos tempos) Quanto à de Platão, constatamos simplesmente a idéia principal, podendo cada um facilmente convir quanto à parte da forma sob a qual ela é apresentada, e julgar os pontos de contato que pode ter, em certos detalhes, com a nossa teoria atual. Em sua alegoria do Fuso da necessidade, supõe uma conversa entre Sócrates e Glauco, e empresta ao primeiro o discurso seguinte sobre as revelações do Armênio Er, personagem fictício, segundo toda a probabilidade, embora alguns o tomem por Zoroastro. Compreender-se-á, facilmente, que esse relato não é senão um quadro imaginado para conduzir à idéia principal:
"A narração que vou lembrar-vos, disse Sócrates a Glauco, é a de um homem de coração, Er, o Armênio, originário de Panfília. Foi morto em uma batalha. Dez dias depois, como se carregavam os cadáveres, já desfigurados, daqueles que tombaram com ele, o seu foi encontrado são e inteiro. Levaram-no para casa para fazerem seus funerais, e no segundo dia, quando estava sobre a fogueira, ele reviveu e contou o que vira na outra vida. "Logo que a sua alma saiu de seu corpo, partiu com uma multidão de outras almas e chegou a um lugar maravilhoso, onde se viam, na terra, duas aberturas, vizinhas uma da outra, e duas outras aberturas no céu que correspondiam àquelas. Entre essas duas regiões estavam sentados os juizes. Desde que pronunciavam uma sentença, ordenavam aos justos para tomarem seu caminho à direita, por uma das aberturas do céu, depois de lhes afixar à frente um letreiro contendo o julgamento dado em seu favor, e aos maus de tomarem o caminho à esquerda, nos abismos, tendo atrás do dorso um escrito semelhante, onde estavam marcadas todas as suas ações. Quando, por sua vez, se apresentou, os juizes declararam que ele deveria levar aos homens a novidade do que se passava nesse outro mundo, e lhe ordenaram escutar e observar tudo o que se lhe oferecia. "Viu primeiro as almas julgadas desaparecerem, umas subindo ao céu, outras descendo sob a terra pelas duas aberturas que se correspondiam:
"Seria muito longo seguir o discurso inteiro do Armênio, mas eis, em suma, o que dizia. Cada uma das almas levava dez vezes a pena das injustiças que cometera durante a vida. A duração de cada punição era de cem anos, duração natural da vida humana, a fim de que o castigo fosse, sempre, o décuplo para cada crime.
O que dizia das crianças que a morte levou pouco tempo após o seu nascimento, merece menos ser repetido; mas assegurava que ao ímpio, ao filho desnaturado, ao homicida, estavam reservadas as penas mais cruéis, e ao homem religioso e ao bom filho as maiores felicidades. "Presenciara quando uma alma perguntou a uma outra onde estava o grande Ardieu. Esse Ardieu fora um tirano de uma cidade de Panfília mil anos antes; ele havia matado seu velho pai, seu irmão mais velho, e cometido, dizia-se, vários outros crimes enormes. "Ele não veio, respondeu a alma, e não virá jamais aqui. Todos fomos testemunhas, a esse respeito, de um horrível espetáculo. Quando estávamos sobre o ponto de sair do abismo, depois de cumprirmos nossas penas, vimos Ardieu e um grande número de outros, dos quais a maioria eram tiranos como ele ou seres que, numa condição particular, haviam cometido grandes crimes: faziam vãos esforços para subirem, e todas as vezes que esses culpados, cujos crimes eram irremediáveis, ou não haviam suficientemente expiado, tentavam sair, o abismo repelia-os rugindo. Então personagens horríveis, de corpo inflamado, que se achavam lá, acorriam a esses gemidos. Carregaram primeiro, com viva força, um certo número desses criminosos; quanto a Ardieu e aos outros, uniram-lhes os pés, as mãos e a cabeça, e os tendo lançado à terra e os esfolado à força de pancadas, arrastaram-nos fora do caminho, através de sarças sangrantes, repetindo às sombras, à medida que passava algum: "Eis tiranos e homicidas, nós os carregamos para lançá-los no Tártaro." Essa alma acrescentou que, entre tantos objetos terríveis, nada lhe causou mais medo do que o mugido do abismo, e que foi uma extrema alegria para ela sair dali em silêncio. "Tais eram, mais ou menos, os julgamentos das almas, seus castigos e suas recompensas. "Depois de sete dias de repouso nessa campina, as almas deveriam dali partir no oitavo, e se puseram na estrada. Ao cabo de quatro dias de caminho, perceberam no alto, sobre toda a superfície do céu e da terra, uma imensa luz, direita como uma coluna e semelhante à íris, mas mais brilhante e mais pura. Um único dia bastou-lhes para atingi-la, e elas viram, então, na direção do meio dessa muralha, a extremidade das correntes que nela prendem os céus. Aí está o que a sustenta, é o envoltório do vaso do mundo, o vasto cinto que o rodeia. No topo, estava suspenso o Fuso da necessidade, ao redor do qual se formam todas as circunferências (1). "Ao redor do Fuso, e a distâncias iguais, tinham assento sobre os tronos as três Parcas: Láqueis, Cloto e Átropos, vestidas de branco e com a cabeça coroada com uma faixinha. Elas cantavam, unindo-se ao concerto das sereias: Láqueis o passado, Cloto o presente, Átropos o futuro. Cloto tocava, por intervalos, com a mão direita, o exterior do fuso; Átropos, com a mão esquerda, imprimia movimento aos círculos internos, e Láqueis, com uma e com a outra mão, alternativamente, tocava ora o fuso, ora as balanças interiores. "Logo que as almas chegavam, era-lhes preciso se apresentarem diante de Láqueis. Primeiro um hierofante faziam-nas enfileirar em ordem, uma depois da outra. Em seguida, tendo tomado de sobre os joelhos de Láqueis as sortes ou números na ordem pela qual a alma deveria ser chamada, assim como as diversas condições humanas oferecidas à sua escolha, montado em um estrado, falava assim: "Eis o que disse a virgem Láqueis, filha da Necessidade; Almas passageiras, ides começar uma nova carreira e renascer na condição mortal. Não se vos assinalará vosso gênio, será vós que o escolhereis por vós mesmas.
A essas palavras esparramou os números, e cada alma pegou aquele que caiu diante dela, exceto o Armênio, aquém não se lhe permitiu. Em seguida o hierofante expôs sobre a terra, diante delas, os gêneros de vida de toda espécie, em número muito maior que não havia de almas reunidas.
"Evidentemente, aí está, caro Glauco, a prova terrível para a Humanidade. Que cada um de nós nela pense, e que deixe todos os vãos estudos, para não se entregar senão à ciência que faz a sorte do homem. Procuremos um mestre que nos ensine a discernir o bom e o mau destino, e a escolher todo o bem que o céu nos entrega. Examinemos com ele quais situações humanas, separadas ou reunidas, conduzem às boas ações: se a beleza, por exemplo, unida à pobreza ou à riqueza, ou se tal disposição da alma deve produzir a virtude ou o vício; que vantagem pode ter um nascimento brilhante ou comum, a vida privada ou pública, a força ou a fraqueza, a instrução ou a ignorância, enfim, tudo o que o homem recebe da Natureza e tudo o que tem de si mesmo. Esclarecidos pela consciência, decidamos qual destino nossa alma deve preferir. Sim, o pior dos destinos é aquele que a toma injusta, e o melhor aquele que a formará, sem cessar, para a virtude: tudo o mais nada é para nós. Iríamos esquecer que não há nenhuma escolha mais salutar depois da morte como durante a vida! Ah! que esse dogma sagrado se identifique para sempre com a nossa alma, a fim de que ela não se deixe ofuscar, lá embaixo, nem pelas riquezas nem pelos outros males dessa natureza, e que ela não se exponha, lançando-se na condição do tirano ou em qualquer outra semelhante, a cometer um grande número de males sem remédio e a sofrê-los ainda maiores. _________________________________
(1) Essas são as diversas esferas dos planetas ou os diversos estágios do céu, girando ao redor da Terra fixada ao próprio eixo do fuso. (Victor Cousin - filósofo francês - 1792-1767 - tradutor das obras de Platão)
(2) Os Antigos não atribuíam a palavra tirano a mesma idéia que nós; davam esse nome a todos aqueles que se apoderavam do poder soberano, quaisquer que fossem suas qualidades, boas ou más. A história cita tiranos que fizeram o bem; mas como, mais freqüentemente, ocorria o contrário, e, para satisfazer sua ambição ou se manter no poder, nenhum crime lhes importava, essa palavra tomou-se, mais tarde, sinônimo de cruel, e se diz de todo homem que abusa de sua autoridade. A alma da qual Er fala, escolhendo a mais considerável tirania, não buscara a crueldade mas, simplesmente, o poder mais vasto como condição de sua nova existência; quando sua escolha fez-se irrevogável, ela percebeu que esse mesmo poder a arrastaria ao crime, e lamentou fazê-lo, acusando de seus males todos, exceto ela mesma; é a história da maioria dos homens que são os artífices de sua própria infelicidade sem querer confessá-lo.
(3) Alusão ao esquecimento que se segue à passagem de uma existência à outra.
[37 - página 251] |
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