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Trechos do capítulo 14, do
livro "NO MUNDO MAIOR"
Medida
salvadora a um alcoólatra
Não lhe valeram as
melhoras da quinzena passada? — indagou fraternalmente o orientador.
— Aproveitou-as para mais presto volver
à irreflexão — esclareceu o interlocutor com inflexão magoada.
— É de notar, porém, que se achava
quase de todo louco.
— Sim, mas conseguiu fruir, outra vez,
estado orgânico invejável, mercê de sua intervenção última; logo, porém,
que se viu fortalecido, tornou desbragadamente aos alcoólicos.
A sede escaldante, provocada pela própria displicência e pela instigação dos
vampiros que, vorazes,
se lhe enxameiam à roda, e verteu-lhe o sistema_nervoso. A organização_perispirítica, semiliberta do corpo_denso pelos perniciosos processos da embriaguez, povoa-lhe a mente de
atroz pesadelos, agravados pela atuação das entidades perversas que o seguem
passo a passo.
... O instrutor estudou o caso em
silêncio, durante alguns instantes, e considerou:
— Poderemos providenciar; contudo, se da outra vez consistiu o socorro
em restituí-lo ao equilíbrio orgânico possível, no momento há que agir em
contrário. Convém ministrar-lhe provisória e mais acentuada desarmonia
ao corpo. Neste, como em outros processos difíceis, a enfermidade
retifica sempre.
... Em derredor, quatro entidades
embrutecidas submetiam-no aos seus desejos. Empolgavam-lhe a organização
fisiológica, alternadamente, uma a uma, revezando-se para experimentar a absorção
das emanações alcoólicas, no que sentiam singular prazer. Apossavam-se
particularmente da «estrada gástrica», inalando a bebida a volatilizar-se da
cárdia ao piloro.
A cena infundia angústia e assombro.
Estaríamos diante de um homem embriagado ou de uma taça viva, cujo conteúdo
sorviam gênios satânicos do vício?
... Retirando-se em minha companhia, Calderaro, o orientador, acrescentou,
tristonho:
— O infortunado amigo será portador de uma nevrose cardíaca por dois
a três meses, aproximadamente. Debalde usará a valeriana e outras substâncias
medicamentosas, em vão apelará para anestésicos e desintoxicantes. No curso
de algumas semanas conhecerá intraduzível mal-estar, de modo a restabelecer a harmonia do cosmo psíquico.
Experimentará indizível angústia,
submeter-se-á a medicações e regimes, que lhe diminuirão a tendência de
esquecer as obrigações sagradas da hora e lhe acordarão os sentimentos,
devagarinho, para a nobreza do ato de viver.
As mesmas Forças Divinas que concedem ao homem a brisa cariciosa,
infligem-lhe a tempestade devastadora... Uma e outra, porém, são elementos
indispensáveis à glória da vida.
[25
- páginas: 192/193 ; 196 e 198 ] - André Luiz
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