Natureza das comunicações espirituais

____Quem estiver bem compenetrado, segundo a escala_espírita, da variedade infinita que apresentam os Espíritos, sob o duplo aspecto da inteligência e da moralidade, facilmente se convencerá de que há de haver diferença entre as suas comunicações; que estas hão de refletir a elevação, ou a baixeza de suas ideias, o saber e a ignorância deles, seus vícios e suas virtudes; que elas não se hão de assemelhar mais do que as dos homens, desde os selvagens até o mais ilustrado.

____Em quatro categorias principais se podem grupar os matizes que apresentam. Segundo seus caracteres mais acentuados, elas se dividem em:

  • frívolas - procedem de Espíritos levianos, zombeteiros e travessos, mais malandros que maus, e que nenhuma importância ligam ao que dizem.
  • grosseiras - traduzem-se por expressões que chocam o decoro. Procedem de Espíritos inferiores ou que ainda não se despojaram de todas as impurezas da matéria.
  • sérias - são graves quanto ao assunto e a maneira por que são feitas. A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna e isenta de trivialidade. Toda comunicação que exclui a frivolidade e a grosseria e que tem um fim útil, mesmo de interesse particular, é por isso mesmo séria.
  • instrutivas - são as comunicações sérias, cujo principal objetivo é um ensinamento qualquer, dado pelo Espírito sobre as Ciências, a Moral, a Filosofia, etc. São mais ou menos profundas e mais ou menos verdadeiras, conforme o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito. Para tirar proveito real destas comunicações, devem elas ser regulares e seguidas com perseverança. Os Espíritos sérios ligam-se àqueles que querem instruir-se e os ajudam, ao passo que deixam aos Espíritos levianos a tarefa de divertir com suas facécias àqueles que não vêem nessas manifestações senão um passatempo. Só pela regularidade e pela freqüência das comunicações é que se pode apreciar o valor moral e intelectual dos Espíritos com os quais nos entretemos, bem como o grau de confiança que merecem. Se é necessário ter experiência para julgar os homens, mais ainda o é para julgar os Espíritos.

[17b página180 Item 133] e Revista Espírita de Allan Kardec - Janeiro, 1858

____Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazer-se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, leva-se o desânimo aos Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir.

____Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons_espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. Apenas os_maus se formalizam e procuram evitá-lo, porque tudo têm a perder. Só com isso provam o que são.

____Eis aqui o conselho que a tal respeito nos deu São Luís: Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos

  • é a de pesar e meditar,
  • é a de submeter ao cadinho da razão mais severa todas as comunicações que receberdes;
  • é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias a formardes opinião segura, desde que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro.

[17b página332 Item266]

Ver também:
*