Conteúdo da página:(com respectivas fontes) Dilui-se a sustentação psicossômica das estruturas citoplasmáticas, através dos bióforos, prenunciando a histólise do invólucro físico. O perispírito permanece ligado (em média, 24 horas) através de “leve cordão prateado, semelhante a sutil elástico, entre os cérebros”.
Para muitos Espíritos, esse tempo representa
oportunidade de revitalização energética, após o esforço de desprendimento,
uma vez que continua a ser drenadas
energias do veículo físico para o perispírito. [1 - página 483 / 486]
Caso concernente a tribos selvagens, narrado por um missionário que regressara do arquipélago de Taiti (Polinésia).
Escreveu ele: Curioso e interessante o fato dos taitianos acreditarem na saída de uma substância real que tomaria a forma humana e o crêem por fé nalguns deles dotados de clarividência, os quais afirmam que, apenas o moribundo deixa de respirar, se lhe desprende da cabeça um vapor que se condensa pouco acima, a pequena distância do corpo, e permanece ligado a este por uma espécie de cordão formado da mesma matéria.
Essas substâncias – afirmam eles – aumenta rápido de volume e ao mesmo tempo se torna semelhante ao corpo donde emana. [111 - página 121]
Chega
o momento em que, a criatura humana, se imobiliza na cadaverização,
mumificando-se à feição da crisálida, mas envolvendo-se no imo do ser com os
fios dos próprios pensamentos,
conservando-se nesse casulo de forças mentais, tecido com as suas próprias ideias reflexas dominantes ou secreções de sua própria mente, durante um período que pode variar entre...
No ciclo de cadaverização da forma somática, sob o governo dinâmico de seu corpo espiritual, padece extremas alterações que, na essência, correspondem à histólise das células físicas, ao mesmo tempo que elabora órgãos novos pelo fenômeno que podemos nomear, por falta de termo equivalente, como sendo histogênese espiritual, aproveitando os elementos vivos, desagregados do tecido citoplasmático, e que se mantinham até então, ligados à colmeia fisiológica entregue ao desequilíbrio ou à decomposição. A histólise ou processo destrutivo na desencarnação resulta da ação dos catalisadores químicos e de outros recursos do mundo orgânico que, alentados em níveis de degenerescência, operam a mortificação dos tecidos e, do ponto de vista do corpo espiritual, afetam principalmente a morfologia dos músculos e os aparelhos da nutrição, com escassa influência sobre os sistemas nervoso e circulatório. Pela histogênese espiritual, os tecidos citoplasmáticos se desvencilham em definitivo de alguns dos característicos que lhes são próprios, voltando temporariamente, qual se atendessem a processo involutivo, à condição de células embrionárias multiformes que se dividem, através da cariocinese, plasmando, em novas condições, a forma do corpo espiritual, segundo o tipo imposto pela mente.
Através desse movimento incessante da palingenesia universal o princípio inteligente incorpora a experiência que lhe é necessária, estagiando no plano físico e no plano extrafísico, recolhendo, como é justo, a orientação e o influxo das Inteligências Superiores em sua marcha laboriosa para mais elevadas aquisições. Pouco acima dessas mesmas bases, vamos encontrar o homem infraprimitivo, na rusticidade da furna em que se esconde, surpreendido no fenômeno da morte, ante a glória da vida, como criança tenra e deslumbrada à frente de paisagem maravilhosa, cuja grandeza, nem de leve, pode ainda compreender. O pensamento constante ofereceu-lhe a precisa estabilidade para a metamorfose completa. Pela persistência e consistência das ideias, adquiriu o poder de integrar-se mentalmente, para além da histogênese, em seu corpo espiritual, arrebatando-o, com a alavanca da própria vontade que a indagação e o trabalho enriqueceram, para novo estado individual. Acariciada pelo bafejo edificante dos Condutores Divinos que lhe acalentam a marcha, a criatura humana dorme o sono da morte, mumificando-se na cadaverização, como acontece à pupa.
E segregando substâncias mentais,
à base de impulsos renovadores, tanto quanto certas crisálidas que segregam
um líquido especial que lhes facilita a saída do próprio casulo, a alma que
desencarna, findo o processo histolíticodas células que lhe
construíam
o carro biológico,
e
fortificado o campo mental em que se lhe enovelaram
os novos anseios e as novas disposições, logra desvencilhar-se, mecanicamente,
dos órgãos físicos, agora imprestáveis, realizando, por avançado
automatismo, o trabalho histogenético pelo qual desliga as células
sutis do seu veículo espiritual dos remanescentes celulares do veículo físico
arrojado à queda irreversível, agindo agora com a eficiência e a segurança
que as longas e reiteradas recapitulações lhe conferiram [56 - página 88]
Pela histogênese espiritual, os órgãos
novos vão recompor o perispírito,
para que ele possa continuar servindo de veículo à atuação do Espírito,
já agora em nova dimensão.Somente ao término desse processo, a borboleta abandona o casulo, isto é, o Espírito larga o corpo físico, ao qual se uniu, temporariamente, e que lhe serviu de sagrado instrumento de aprendizado. Enverga, então, um veículo mais sutil, com novo peso específico, segundo a densidade da vida mental em que se gradua, dispondo de novos elementos para atender à própria alimentação e locomoção. Tal como o organismo da borboleta, esse corpo sutil passou por modificações no sistema muscular e no aparelho bucal. Assim, vai ostentar as chamadas trompas fluídico-magnéticas de sucção, novo meio através do qual vai se alimentar no além.
Com esses órgãos novos, esse corpo estará muito
mais ligado às emanações das coisas e dos seres que o cercam.
O grau evolutivo alcançado vai se
refletir nos processos mentais que, por sua vez, vão conferir "peso
específico" ao psicossoma ou perispírito. http://www.allankardec.nl/portugues/ palestras/marlene.htm (Link desativado) (20) Obreiros da Vida Eterna, cap. XI e XV
O socorro aos desencarnados num acidente coletivo é distribuído indistintamente, contudo, não podemos esquecer que
...
No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito, depende do grau de animalização dos fluidos que lhes retêm o Espírito à atividade corpórea. Alguns serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma. O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte. Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matéria pesada e primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação, mais amplas facilidades conquistaremos para a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por força dos débitos contraídos perante a Lei.
Assim é que "morte física" não é o mesmo que
"emancipação
espiritual". O amor infinito de Deus abrange o Universo. Os irmãos que se demoram enredados em mais baixo teor de experiência física compreenderão, gradativamente, o socorro que se mostram capazes de receber. Estes, podem ser atraídos por criaturas desencarnadas, de inteligência perversa, na hipótese de serem surdos ao bem, é possível se rendam às sugestões do mal, a fim de que, pelos tormentos do mal, se voltem para o bem.
No assunto,
entretanto, é preciso considerar que a tentação é sempre uma sombra a atormentar-nos a vida, de dentro
para fora. [83 - página 243] (Ver: Provações coletivas)
Histogênese de obsidiado ... Plotino, o piedoso enfermeiro desencarnado que se encarregaria do apoio magnético para exonerar a viúva dos despojos a que se imanizara, confessou o receio de que se via acometido; se constrangesse a senhora Fantini (obsidiada) a largar o carro físico inutilizado, não lograria violentar-lhe o pensamento perfeitamente lúcido. Forçar-lhe-ia a retirada, mas não dispunha de meios para isolá-la mentalmente do acompanhante rebelde, a cujo patrocínio ela mesma se confiara.Imprescindível a intervenção de alguém com suficiente poder de persuasão para compelir Desidério (obsessor) a mudar de atitude.
[73 - página 209]
No recinto, permaneciam apenas André Luiz, Dimas (o moribundo) e o assistente Jerônimo.Dimas, experimentando indefinível bem-estar no regaço materno, parecia esquecer, agora, todas as mágoas, sentindo-se amparado como criança semi-inconsciente, quase feliz. Ordenou Jerônimo que me conservasse vigilante, de mãos coladas à fronte do enfermo, passando, logo após, ao serviço complexo e silencioso de magnetização. Em primeiro lugar, insensibilizou inteiramente o vago, para facilitar o desligamento nas vísceras. A seguir, utilizando passes longitudinais, isolou todo o sistema nervoso simpático, neutralizando, mais tarde, as fibras inibidoras no cérebro. Descansando alguns segundos, asseverou:
Aconselhando-me cautela na ministração de energias magnéticas à mente do moribundo, começou a operar sobre o plexo solar, desatando laços que localizavam forças físicas.
Com espanto, notei que certa porção de substância leitosa extravasava do umbigo, pairando em torno. Mas, antes que os familiares entrassem em cena, Jerônimo, com passes concentrados sobre o tórax, relaxou os elos que mantinham a coesão celular no centro emotivo, operando sobre determinado ponto do coração, que passou a funcionar como bomba mecânica, desreguladamente.
Nova cota de substância desprendia-se do corpo, do epigastro à garganta, mas reparei que todos os músculos trabalhavam fortemente contra a partida da alma, opondo-se à libertação das forças motrizes, em esforço desesperado, ocasionando angustiosa aflição ao paciente.
No regaço maternal, todavia, e sob nossa influenciação direta, Dimas não conseguiu articular palavras ou concatenar raciocínios.
Quis fitar a brilhante luz, mas confesso que era difícil fixá-la, com rigor.
A chama mencionada transformou-se em maravilhosa cabeça, em tudo idêntica à do nosso amigo em desencarnação, constituindo-se, após ela, todo o corpo perispiritual de Dimas, membro a membro, traço a traço. Para nós outros, porém, a operação era ainda incompleta.
O Assistente deliberou que o cordão fluídicodeveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do “morto”, ainda imperfeitamente preparado para desenlace mais rápido.
Por enquanto, repousará ele na contemplação do passado, que se lhe descortina em visão panorâmica no campo interior.
Por essa razão, somente poderá partir, em nossa companhia, findo o enterramento dos envoltórios pesados, aos quais se une ainda pelos últimos resíduos. [40 - páginas 209/212]
Duas horas antes de organizar-se o cortejo fúnebre, estávamos a postos.A residência de Dimas, recém-desencarnado, enchia-se de pessoas gradas, além de apreciável assembléia de entidades espirituais. Jerônimo, resoluto, penetrou a casa, seguido de nós outros. Encaminhou-se para o recanto onde o recém-desencarnado permanecia abatido e sonolento, sob a carícia materna. Reparei que o médium liberto tinha agora o corpo perispiritual mais aperfeiçoado, mais concreto. Tive a nítida impressão de que através do cordão fluídico, de cérebro morto a cérebro vivo, o desencarnado absorvia os princípios vitais restantes do campo fisiológico.
Nosso dirigente Jerônimo contemplou-o, enternecido, e pediu informes à genitora, que os forneceu, satisfeita:
Em seguida, cortou o liame final, verificando-se que Dima s, desencarnado, fazia agora o esforço do convalescente ao despertar, estremunhado, findo longo sono.
Retirada a derradeira via de intercâmbio, o cadáver mostrou sinais, quase de imediato, de avançada decomposição.
Ante meus olhos atônitos, Jerônimo inclinou-se piedosamente sobre o cadáver, no ataúde momentâneamente aberto antes da inumação, e, através de passes magnéticos longitudinais, extraiu todos os resíduos de vitalidade, dispersando-os, em seguida, na atmosfera comum, através de processo indescritível na linguagem humana por inexistência de comparação analógica, para que inescrupulosas entidades inferiores não se apropriassem deles.
quem sabe me auxiliará para que minha consciência torne a si mesma?
Conduziram-me à casa de saúde e entrei neste pesadelo que o senhor está vendo.
Acorde-me, acorde-me!...
Mas, antes que explodisse em rugidos de dor, acrescentei:
Tentando agarrrar-me com as mãos cheias de manchas estranhas, embora não me alcançasse, gritou estentoricamente:
Compreendi, então, que a desventurada sentia todos os fenômenos da decomposição cadavérica e, examinando-a detidamente, reparei que o fio singular, sem a luz prateada que o caracterizava em Dimas, pendia-lhe da cabeça, penetrando chão a dentro.
Reconheci que o local, não obstante repleto de entidades vagabundas, não estava desprovido de servidores do bem.
Apesar de nosso cuidado, não podemos todavia, esquecer o imperativo de sofrimento benéfico para todos aqueles que vêm dar até aqui, após deliberado desprezo pelos sublimes patrimônios da vida humana.
O cooperador queria dizer, naturalmente, que a presença, ali, de malfeitores e ociosos desencarnados se justificava em face do grande número de ociosos e malfeitores que se afastam diariamente da Crosta da Terra.
Castigando-se e flagelando-se, mütuamente, alcançariam os desviados a noção do verdadeiro caminho salvador. Viveu trinta e poucos anos na carne, absolutamente distraída dos problemas espirituais que nos dizem respeito. Gozou, à saciedade, na taça da vida física.
Após feliz casamento, realizado sem qualquer preparo de ordem moral, contraiu gravidez, situação esta que lhe mereceu menosprezo integral. Chamada ao testemunho edificante da abelha operosa, na colmeia do lar, preferiu a posição da borboleta volúvel, sequiosa de novidades efêmeras, o resultado foi funesto. Findo o parto difícil, sobrevieram infecções e febre maligna, aniquilando-lhe o organismo. Soubemos que, nos últimos instantes, os vagidos do filhinho tenro despertaram-lhe os instintos de mãe e a infortunada combateu ferozmente com a morte, mas foi tarde.
Jungida aos despojos por conveniência dela própria, tem primado aqui pela inconformação. Exige que o cadáver se reavive e supõe-se em atroz pesadelo, quando nada mais faz senão agravar a desesperação.
Os benfeitores, desse modo, inclinam-se à espera da manifestação de melhoras íntimas, porque seria perigoso forçar a libertação, pela probabilidade de entregar-se a infeliz aos malfeitores desencarnados.
Não tem direito, como mãe infiel ao dever, de flagelar com a sua paixão desvairada o corpinho tenro do filho pequenino e, como esposa desatenta às obrigações, não pode perturbar o serviço de recomposição psíquica do companheiro honesto que lhe ofereceu no mundo o que possuía de melhor. Quando acalmar as paixões vulcânicas que lhe consomem a alma, quando humilhar o coração voluntarioso, de medo a respeitar a paz dos entes amados que deixou no mundo, então será libertada e dormirá sono reparador, em estância de paz que nunca falta ao necessitado reconhecido às bênçãos de Deus.
A lição era dura, mas lógica. [40 - páginas 226 - 232/236]
Interroguei sobre o que já sabia, mais ou menos, a fim de poder penetrar particularidades mais significantes:— Nem todas as desencarnações de pessoas dignas contam com o amparo de grupos socorristas? — Nem todas — confirmou o interlocutor, e acentuou —, ...
— Todavia — objetei, curioso, tangendo a corda que mais me interessava no assunto —, não há casos de criaturas, essencialmente bondosas, que se libertam dos laços físicos — mais ou menos entrosados em comissões de serviço espiritual de natureza superior — sem que haja missões salvacionistas, previamente designadas para socorrê-las? Fabriciano retrucou: — Isso poderia acontecer. Temos precedentes. De maneira geral, ocorrem semelhantes casos com os trabalhadores aflitos por conseguir de qualquer modo a desencarnação, alegando necessidades de repouso.
Muitas vezes, no fundo, são criaturas bondosas, mas menos lógicas e pouco inteligentes. Respeitável senhora, jovem ainda, pelas disposições sadias que demonstrou no campo da benemerência social, foi ligada a dedicada corrente de serviço, organizada por amigos nossos. Verificando-se, contudo, pequenas rusgas entre ela e o esposo, e tendo conhecimento da imortalidade da vida, além do sepulcro, desejou a pobre criatura ardentemente morrer. Tolas leviandades do marido bastaram para que maldissesse o mundo e a Humanidade.
Não soube quebrar a concha do personalismo inferior e colocar-se a caminho da vida maior. Conhecia os amigos espirituais a que se havia unido, mas, longe de assimilar-lhes ajuizadamente os conselhos, repelia-lhes as advertências fraternas para aceitar tão somente as palavras de consolação que lhe eram agradáveis, dentre as admoestações salutares que lhe endereçavam. E tanto pediu a morte, insistindo por ela, entre a mágoa e a irritação persistentes, que veio a desencarnar em manifestação de icterícia complicada com simples surto gripal.
Tratava-se de verdadeiro suicídio inconsciente, mas a senhora, no fundo, era extraordinariamnte caridosa e ingênua.
Os benfeitores de nossa esfera, apesar de eficiente intercessão em beneficio da infeliz, somente puderam afastá-la das vísceras cadavéricas, há dois dias, em condições impressionantes e tristes.
[40 - páginas 216/217]
Adelaide esforçou-se para mostrar satisfação no semblante novamente abatido e rogou, tímida, lhe fôsse concedido o obséquio de tentar, ela própria, a sós, a desencarnação dos laços mais fortes, em esforço pessoal, espontâneo.Jerônimo aquiesceu, satisfeito. E, mantendo-nos de vigilância em câmara próxima, deixamo-la entregue a si mesma, durante as longas horas que consumiu no trabalho complexo e persistente. Não sabia que alguém pudesse efetuar semelhante tarefa, sem concurso alheio, mas o orientador veio em socorro de minha perplexidade, esclarecendo: — A cooperação de nosso plano é indispensável no ato conclusivo da liberação; todavia, o serviço preliminar do desenlace, no plexo solar e mesmo no coração, pode, em vários casos, ser levado a efeito pelo próprio interessado, quando este haja adquirido, durante a experiência terrestre, o preciso treinamento com a vida espiritual mais elevada. Não há, portanto, motivo para surpresa. Tudo depende de preparo adequado no campo da realização. Meu dirigente explicara-se com muita razão. Efetivamente, só no derradeiro minuto interveio Jerônimo para desatar o apêndice prateado. A agonizante estava livre, enfim !... Abriu-se a casa à visitação geral. Evangelizados pelo verbo construtivo de Zenóbia, os cooperadores encarnados, embora não guardassem minudentes recordações, sustentaram discreta atitude de respeito, serenidade e conformação. A denodada batalhadora, agora liberta, esquivou-se gentilmente ao convite para a partida imediata. Esperou a inumação dos despojos, consolando amigos e recebendo consolações. Depois de orar, fervorosamente, no último pouso das células exaustas, agradecendo-lhes o precioso consurso nos abençoados anos de permanência na Crosta, Adelaide, serena e confiante, cercada de numerosos Amigos, partiu, em nossa companhia, a caminho da Casa Transitória, ponto de referência sentimental da grande caravana afetiva...
[40 - páginas 296/297]
Nosso amigo não pode suportar por mais tempo a existência do corpo carnal. A máquina rendeu-se. Dentro de algumas horas, a necrose ganhará terreno e precisamos libertá-lo. Teima em agarrar-se à carne apodrecida e pede, comovedoramente, a presença da esposa.
Já tentamos auxiliá-lo a desprender-se, afrouxando os laços da encarnação no plexo solar, mas ele reage com espantoso poder. O enfraquecimento físico acentuar-se-á vertiginosamente, de ora em diante, e, com espaço de algumas horas, as percepções espirituais de Cavalcante se farão sentir.
Verá, desse modo, a esposa, antes do decesso que se aproxima e dormirá menos inquieto. ... Já que o nosso tutelado se enfraquecerá, a ponto de fazer observações no plano invisível aos olhos mortais, chegará a ver também as paisagens de vampirismo que me impressionam no recinto?
— Sim — informou o orientador com espontaneidade. — Oh! mas terá energia suficiente para tudo ver sem perturbar-se? — Não posso garantir — respondeu, sorrindo. — Naturalmente, qualquer Espírito encarnado, diante de um quadro desses, poderia ser vítima da loucura e, possívelmente, atravessaria algumas poucas horas em franco desequilíbrio, dada a novidade do espetáculo. Quando a luz aparece, em determinado plano, onde a criatura esteja “apta para ver”, tanto se enxerga o pântano como o céu. questão de claridade e sintonia, simplesmente.
[40 - páginas 275/6]
O Vôo da Alma Os doentes em estágio terminal deixam de se alimentar, não ingerem nem mesmo líquidos e, muitas vezes, como muito bem observou a psiquiatra Elizabeth Kübler Ross, assumem, no leito, a posição fetal, mantendo-se assim por muitos dias, com as pernas e os pés fletidos, como se estivessem no útero da mãe. Estes sintomas e sinais, que antecedem à partida deste mundo, não apenas estão relacionados às profundas transformações orgânicas, como também às necessidades da alma no momento do seu desprendimento. O médico desencarnado André Luiz explicou o processo do morrer, especialmente, em dois livros de sua excelente coletânea, psicografada por Francisco Cândido Xavier, Obreiros da Vida Eterna e Evolução em Dois mundos, este último em parceria com o então médium Dr. Waldo Vieira.
Depois disso, recolhemos informações
adicionais muitíssimo importantes, com as comunicações dos que
partiram, enviadas aos seus familiares encarnados, também através de
Chico Xavier, e que estão em mais de uma centena de livros.
No estágio final de sua transformação,
a lagarta começa a diminuir os seus movimentos, até paralisá-los
completamente; não consome mais nenhum tipo de alimento; permanece imóvel,
transformando-se em crisálida ou pupa.
Assim, um belo dia, depois de algum tempo na posição
de crisálida, uma linda borboleta deixa o casulo. E assim como a lagarta produz os filamentos com que se enovela no casulo, também a alma envolve-se nos fios dos próprios pensamentos.
Nessa fase,
há o predomínio das forças mentais, tecido com as próprias ideias
reflexas dominantes do Espírito, estabelecendo-se esse estado de crisálida,
por um período que varia entre minutos, horas, dias, meses ou decênios.
Por serem externamente tão similares, os médiuns videntes descrevem os
chamados "mortos" tal como se apresentavam durante a existência
física. (jornal "Folha Espírita, nov/2002 -
LINKs:
|
Páginas relacionadas:
