Os
Espíritos que se manifestam fazendo-se visíveis, podem pertencer a todas as classes.
Mas, nem sempre têm permissão para fazê-lo, ou o
querem.
Se
permitido manifestar-se, quando para mau fim, é para experimentar os
a quem eles aparecem.
Pode ser má a intenção do Espírito e bom o
resultado.
O
fim que tem em vista o Espírito que se torna visível com má
intenção é o de amedrontar e muitas vezes vingar-se.
Os que vêm
com boa intenção, visam consolar as pessoas que deles guardam
saudades, provar-lhes que existem e estão perto delas; dar conselhos
e, algumas vezes, pedir para si mesmos assistência.
Estando
o homem constantemente cercado de Espíritos, o vê-los a todos os
instantes o perturbaria, embaraçar-lhe-ia os atos e tirar-lhe-ia a
iniciativa na maioria dos casos, ao passo que, julgando-se só, ele
age mais livremente.
NOTA.
Tantos inconvenientes haveria em vermos constantemente os
Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca e as miríades de
animais microscópicos que estão sobre nós e em torno de nós.
Donde devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele
sabe melhor do que nós o que nos convém.
Em
certos casos, é permitido ver os Espíritos, para dar ao homem uma
prova de que nem tudo morre com o corpo, que a alma conserva a sua
Individualidade após a morte.
A visão passageira basta para essa
prova e para atestar a presença de amigos ao vosso lado e não
oferece os inconvenientes da visão constante.
Sabes
muito bem existirem pessoas que hão visto e que nem por isso crêem,
pois dizem que são ilusões.
Com esses não te preocupes; deles se
encarrega Deus.
Quanto
mais o homem evolui e se aproxima da natureza espiritual, tanto mais
facilmente se põe em comunicação com os Espíritos.
A grosseria do
vosso envoltório é que dificulta e torna rara a percepção dos
seres etéreos.
Quanto
o nos assustarmos com a aparição de um Espírito, quem refletir
deverá compreender que um Espírito, qualquer que seja, é menos
perigoso do que um vivo.
Demais, podendo os Espíritos, como podem, ir
a toda parte, não se faz preciso que uma pessoa os veja para saber
que alguns estão a seu lado.
O Espírito que queira causar dano pode
fazê-lo, e até com mais segurança, sem se dar a ver.
Lá tendes uma multidão de conhecimentos íntimos,
antigos ou recentes, de que não suspeitais quando despertos.
NOTA.
Quando nenhum meio tenhamos de verificar a realidade das visões
ou aparições, podemos sem dúvida lançá-las à conta da
alucinação.
Quando, porém, os sucessos as confirmam, ninguém
tem o direito de atribuí-las à imaginação.
Tais, por
exemplo, as aparições, que temos em sonho ou em estado de
vigília (acordado), de pessoas em quem absolutamente não pensávamos e
que, produzindo-as no momento em que morrem, vem, por meio de
sinais diversos, revelar as circunstâncias totalmente ignoradas
em que faleceram.
Têm-se visto cavalos empinarem e recusarem
caminhar para a frente, por motivo de aparições que assustam
os cavaleiros que os montam.
Embora se admita que a
imaginação desempenhe aí algum papel, quando o fato se passa
com os homens, ninguém, certamente, negará que ela nada tem
que ver com o caso, quando este se dá com os animais.
Acresce
que, se fosse exato que as imagens que vemos em sonho são
sempre efeito das nossas preocupações quando acordados, não
haveria como explicar que nunca sonhemos, conforme se verifica
freqüentemente, com aquilo em que mais pensamos.
Certas
visões ocorrem com mais freqüência quando se está doente, simplesmente,
porque no estado de doença, os laços materiais se afrouxam; a
fraqueza do corpo permite maior liberdade ao Espírito, que, então,
se põe mais facilmente em comunicação com os outros Espíritos.
As
aparições se dão de preferência à noite, pela mesma razão por
que vedes, durante a noite, as estrelas e não as divisais em pleno
dia.
A grande claridade pode apagar uma aparição ligeira; mas,
errôneo é supor-se que a noite tenha qualquer coisa com isso.
Inquiri os que têm tido visões e verificareis que são em maior
número os que as tiveram de dia.
A
visão dos Espíritos se produz no estado normal ou estando o vidente num estado extático.
Entretanto, as pessoas que os vêem se encontram
muito amiúde num estado próximo do de êxtase, estado que lhes
faculta uma espécie de dupla
vista.
Os
que vêem os Espíritos julgam ver com os olhas, mas, na realidade, é
a alma quem vê e o que o prova e que os podem ver com os olhos
fechados.
No
estado material em que vos achais, só com o auxílio de seus invólucros semimateriais podem os Espíritos manifestar-se.
Esse
invólucro é o intermediário por meio do qual eles atuam sobre os
vossos sentidos.
Sob esse envoltório é que aparecem, às vezes, com
uma forma humana, ou com outra qualquer, seja nos sonhos, seja no
estado de vigília (acordado), assim em plena luz, como na obscuridade.
Pela
combinação dos fluidos, o perispírito toma uma disposição
especial, sem analogia para vós outros, disposição que o torna
perceptível.
Em
seu estado normal, os Espíritos são inapreensíveis, como num sonho.
Entretanto, podem tornar-se capazes de produzir impressão ao tato, de
deixar vestígios de sua presença e até, em certos casos, de tornar-se momentaneamente tangíveis, o que prova haver matéria entre
vós e eles.
Durante
o sono, todos têm aptidão para ver os Espíritos; em estado de
vigília (acordado), não.
Durante o sono, a alma vê sem intermediário; no
estado de vigília, acha-se sempre mais ou menos influenciada pelos
órgãos.
Daí vem não serem totalmente idênticas as condições nos
dois casos.
O
homem, em estado de vigília (acordado), depende da organização física.
Reside
na maior ou menor facilidade que tem o fluido do vidente para se
combinar com o do Espírito.
Assim, não basta que o Espírito queira
mostrar-se, é preciso também que encontre a necessária aptidão na
pessoa a quem deseje fazer-se visível.
Essa faculdade pode desenvolver-se
pelo exercício, como todas as outras faculdades; mas, pertence ao
número daquelas com relação às quais é melhor que se espere o
desenvolvimento natural, do que provocá-lo, para não sobreexcitar a
imaginação.
A faculdade de ver os Espíritos, em geral e permanentemente,
constitui uma faculdade excepcional e não está nas condições
normais do homem.
Algumas
vezes é possível provocar a aparição dos
Espíritos, porém, muito
raramente.
A aparição é quase sempre espontânea. Para que alguém
veja os Espíritos, precisa ser dotado de uma faculdade
especial.
Resumo do Capítulo VI
DAS MANIFESTAÇÕES VISUAIS
"Ensaio teórico sobre as aparições"
(Itens 101 a 110)
Livro dos Médiuns
Allan Kardec
Este capítulo explica como os espíritos podem se manifestar visualmente para os vivos.
Principais formas de manifestação:
1. Sonhos (Item 101):
Durante o sono, podemos ter visões do presente, passado ou futuro.
Espíritos bons nos trazem avisos úteis, enquanto espíritos imperfeitos podem nos induzir ao erro.
2. Aparições em estado de vigília (Item 102):
Quando a pessoa está acordada, os espíritos aparecem geralmente de forma vaporosa e diáfana.
Apresentam-se com características que permitam seu reconhecimento, inclusive com defeitos físicos que tinham em vida, se necessário.
A cabeça e tronco são sempre mais nítidos que as pernas, por isso parecem deslizar.
3. Como funciona (Itens 103-106):
O perispírito (corpo espiritual) normalmente é invisível, mas pode se condensar através da combinação de fluidos do espírito com os do médium vidente.
Os espíritos atravessam qualquer matéria e podem se tornar tangíveis em casos raros, podendo até ser tocados.
Alertas importantes: O texto adverte contra confundir fenômenos espirituais com ilusões de ótica (manchas no olho, pontos flutuantes na visão) que algumas pessoas interpretam erroneamente como espíritos.
O perispírito é apresentado como a chave para compreender cientificamente essas manifestações, retirando delas qualquer caráter sobrenatural.
Resumo do Capítulo VI
DAS MANIFESTAÇÕES VISUAIS
"Teoria da alucinação"
(Itens 111 a 113)
Livro dos Médiuns
Allan Kardec
Este texto critica a explicação materialista das aparições e apresenta a visão espírita sobre o fenômeno.
A crítica à ciência materialista (Itens 111-112)
Kardec questiona que os cientistas usam a palavra "alucinação" para explicar tudo, mas não apresentam uma base fisiológica para esse fenômeno.
A ciência não explica satisfatoriamente os sonhos, a imaginação ou as aparições de pessoas no momento de sua morte - coincidências frequentes demais para serem acaso.
A explicação espírita (Item 113)
O texto diferencia duas situações:
1. Aparições reais: Espíritos que realmente se manifestam, podendo até assumir formas fantasiosas (como diabos com chifres) para zombar ou assustar.
2. Alucinações verdadeiras:
Quando a pessoa vê imagens armazenadas em seu próprio cérebro.
Funciona assim:
O cérebro guarda impressões de tudo que vimos (como uma fotografia);
Quando a alma se desprende (no sono ou em estados alterados), ela vê essas imagens gravadas no cérebro;
Em cérebros saudáveis, essas impressões são nítidas e passageiras;
Em estados de doença, essas imagens ficam fixas e persistentes, causando "ideias fixas".
Conclusão:
Kardec admite que existem alucinações reais (imagens cerebrais), mas defende que isso não explica todos os casos de aparições.
Há visões genuínas de espíritos que a teoria materialista não consegue explicar por se recusar a admitir a existência da alma.