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Recordação da existência corpórea - Memória após a morte
É compreensível que no espaço de tempo, que se nos sucede, imediatamente_à_desencarnação, a memória_profunda esteja ainda hermêticamente trancada nos porões do ser. Isso, porém, é francamente transitório. Gradativamente, reaveremos o domínio de nossas reminiscências... [73
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O
Espírito lembra-se da sua existência corporal,
isto é, tendo vivido muitas vezes na Terra,
recorda-se do que foi como homem
e eu te afirmo que freqüentemente ri, penalizado de si mesmo. Tal qual o homem,
chegou à madureza e que ri das suas loucuras de moço, ou das suas puerilidades na meninice.
A lembrança da existência corporal vem-lhe pouco a pouco, qual imagem que surge gradualmente de uma névoa, à medida que nela fixa ele a sua atenção.
O Espírito se lembra das coisas, de conformidade com as conseqüências que delas resultaram para o estado em que se encontra como Espírito_errante. Bem compreendes, portanto, que muitas circunstâncias haverá de sua vida a que não ligará importância alguma e das quais nem sequer procurará recordar-se. Pode lembrar-se dos mais minuciosos pormenores e incidentes, assim relativos aos fatos, como até aos seus pensamentos. Não o faz, porém, desde que não tenha utilidade. O Espírito entrevê o objetivo da vida terrestre com relação à vida futura e compreende muito melhor do que em vida do seu corpo. Compreende a necessidade da sua purificação para chegar ao infinito e percebe que em cada existência deixa algumas impurezas.
As ideias dos Espíritos se modificam muito quando na erraticidade. Sofrem grandes modificações, à proporção que o Espírito se desmaterializa. Pode este, algumas vezes, permanecer longo tempo imbuído das ideias que tinha na Terra; mas, pouco a pouco, a influência da matéria diminui e ele vê as coisas com maior clareza. É então que procura os meios de se tornar melhor.
O
Espírito se lhe desenha na memória a sua vida passada por
esforço da própria imaginação, ou como um quadro que se lhe apresenta à
vista. São-lhe
como que presentes todos os atos de que tenha interesse
em lembrar-se. Os outros lhe permanecem mais ou menos vagos na mente, ou esquecidos
de todo. Quanto mais desmaterializado estiver, tanto menos importância dará
às coisas materiais. Essa a razão por que,
muitas vezes, evocas um Espírito que acabou de
deixar a Terra e verificas que não se lembra dos nomes das pessoas que lhe eram caras, nem de uma porção de coisas que te
parecem importantes. É que tudo isso, pouco lhe
importando, logo caiu em esquecimento. Ele só se recorda perfeitamente bem dos fatos principais que concorrem para a sua melhoria.
Todo
o seu passado se lhe desdobra à vista, inclusive todas
as existências que precederam a que acaba de ter,
quais a um viajor os trechos do caminho que
percorreu. Mas, como já dissemos, não se recorda, de modo absoluto, de todos os seus atos. Lembra-se destes conformemente à
influência que tiveram na criação do seu estado
atual. Quanto às primeiras existências, as que se podem considerar a infância
do Espírito, essas se perdem no vago e
desaparecem na noite do esquecimento.
O Espírito considera o corpo de que se separa como veste imprestável, que o embaraçava, sentindo-se feliz por estar livre dela.
É sempre grato ao Espírito que se lembrem dos objetos materiais que pertenceram a ele, trazem-no à memória dos que ele no mundo deixou. Mas, o que o atrai é o pensamento destas pessoas e não aqueles objetos.
Freqüentemente conservam a lembrança dos sofrimentos por que passaram na última corporal, assim acontece e essa lembrança lhes faz compreender melhor o valor da felicidade de que podem gozar como Espíritos.
Só os Espíritos inferiores podem sentir saudades de gozos condizentes com uma natureza impura qual a deles, gozos que lhes acarretam a expiação pelo sofrimento. Para os Espíritos elevados, a felicidade eterna é mil vezes preferível aos prazeres efêmeros da Terra. Exatamente como sucede ao homem que, na idade da madureza, nenhuma importância liga ao que tanto o deliciava na infância.
Aquele
Espírito que deu começo a trabalhos de vulto com um fim útil e que os vê interrompidos pela
morte, não lamenta, no outro
mundo, tê-los deixado por acabar, porque vê
que outros estão destinados a concluí-los. Trata, ao contrário, de influenciar
outros Espíritos humanos, para que os ultimem. Seu objetivo, na Terra, era o bem da
Humanidade: o mesmo objetivo continua a ter no
mundo dos Espíritos.
E
o que deixou trabalhos de arte ou de literatura, conserva pelas suas obras o amor que lhes tinha quando vivo,
de acordo com a sua elevação, normalmente
aprecia-as de outro ponto de vista e não é raro condene
o que maior admiração lhe causava.
No além, o Espírito se interessa pelos trabalhos que se executam na Terra, pelo progresso das artes e das ciências, conforme à sua elevação ou à missão que possa ter que desempenhar. Muitas vezes, o que vos parece magnífico bem pouco é para certos Espíritos, que, então, o admiram, como o sábio admira a obra de um estudante. Atentam apenas no que prove a elevação dos encarnados e seus progressos.
Já
tendo o Espírito vivido a vida espírita antes da sua encarnação, o seu
espanto ao reingressar no mundo dos Espíritos se
dá no primeiro momento e é efeito da perturbação que se segue ao despertar
do Espírito. Mais tarde, ele se vai inteirando da sua condição, à medida que
lhe volta a lembrança do passado e que a
impressão da vida terrena se lhe apaga. |
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