Eu espero que os numerosos casos que tive
ocasião de citar de fantasmas materializados, que
não somente vivem e sentem, mas que falam e
escrevem mesmo em línguas ignoradas do médium
e dos assistentes, bastam para esclarecer,
definitivamente, ponto de tão magna importância.Não podemos, todavia, deixar de reconhecer que o erro em que laboram os experimentadores da atualidade, ai bem decorra de uma análise demasiado superficial, encontra alguma justificativa nos próprios fatos que examinam e que demonstram precisamente isso e mais nada. Baseando-se nos resultados limitados que conseguem, embora por culpa própria, não deixam de ter razão quando concluem que os fenômenos de materialização, por eles observados, decorrem de uma faculdade supranormal inerente à subconsciência humana, faculdade que em determinadas circunstâncias teria o poder de subtrair substância somática do próprio organismo (ectoplasma), para objetivá-la e plastificá-la segundo as diretrizes do pensamento subconsciente do médium (ideoplastia), e para às vezes organizá-lo à sua imagem (materialização). Essas conclusões contêm incontestavelmente uma porção razoável de verdade. Com efeito, como disse José Mazzini, ...
E é justamente nesta ilusão que reside o erro em que tropeçam todos os nossos contraditores. Ninguém, por exemplo, imaginou jamais de contestar a existência dos fenômenos anímicos eles, porém, não representam mais do que uma das faces do Prisma-Verdade, cujo outro lado é constituído pelos fenômenos espíritas, ambos provindo de uma causa única, o Espírito humano, que, ...
Nestas condições é natural que se deva encontrar uma perfeita identidade substancial entre os dois fenômenos, o Anímico e o Espírita, salvo as limitações que o animismo experimenta em conseqüência da impossibilidade em que se acham o médium e o sensitivo de sair da sua própria individualidade. Esta é a diferença que permite aos pesquisadores distinguir as manifestações anímicas das espíritas.
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Resta-me apenas provar, fundado nos fatos, que tudo concorre para demonstrar que as formas completamente materializadas não são meras “criações plásticas”, mas “criações orgânicas” e que os processos de análise comparada forçam a conclusão de que muitas vezes a “ideia diretora”, ou a “Vontade em ação”, de que provêm, é completamente estranha ao médium e aos assistentes, o que por completo exclui as hipóteses combinadas...
...Colocado assim o problema, começo por lembrar que, no Caso da materialização de Estela Livermore, no correr da sessão de 10 de novembro de 1861, se apresentaram simultaneamente três fantasmas materializados e que, no correr da imediata, de 12, se viram simultaneamente passear pelo quarto quatro fantasmas materializados.
Se
quisermos, pois, manter a interpretação de Sudre - da prosopopese -,
deveríamos então dizer que nos achamos diante de
um fenômeno respectivamente de tripla e de
quádruplo prosopopese exteriorizada e
materializada ! ! !
E o que
teríamos de admitir para podermos aceitar a
hipótese da prosopopese, aplicada aos casos de
materialização.
Eis assim, por uma necessidade lógica,
forçados a chegar à hipótese espírita.
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