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Alguns Aspectos da Paranormalidade no Brasil Resumo O presente trabalho visa apresentar a descrição de alguns fenômenos psi de personificação objetiva que, embora ocorridos em ambiente religioso espírita, sem os procedimentos da metodologia científica, podem servir de matéria para reflexão, apesar do seu empirismo.Não nos preocupamos com as costumeiras e cediças alegações de fraude, que partem da insustentável premissa de que todos os agentes_psi são hábeis prestidigitadores e que as testemunhas são desprovidas de credenciais científicas para investigar fenômenos parapsicológicos. A única conseqüência desta falha metodológica é a impossibilidade da admissão dos relatos como investigação científica o que não importa na rejeição preliminar da autenticidade dos fenômenos pela simples suspeição de fraude, facilitada pela ingenuidade das testemunhas e sua crença religiosa.
Não vamos, portanto, nos deter em questionamentos que revelam mais a preocupação sectária do que a investigação simplesmente factual dos relatos oferecidos. Selecionamos, para o nosso estudo, os fenômenos de personificação objetiva (mais conhecidos pelo nome de “ materialização”) e outros a eles relacionados, apresentados por alguns agentes psi brasileiros e comparados aos produzidos por agentes psi de outros países. Também ressaltamos aspectos da fenomenologia de psi-kapa apenas encontráveis na paranormalidade brasileira. Personificações de pessoas desconhecidas As personificações de pessoas desconhecidas (ou fictícias) são a regra geral entre os agentes psi que manifestaram esse fenômeno.Francisco Peixoto Lins, mais conhecido por “Peixotinho” foi talvez o maior agente psi em fenômenos de personificação objetiva no Brasil.
As personificações eram completas, ou seja, de corpo inteiro. Entre as personificações de pessoas desconhecidas, que se apresentavam nas sessões de “Peixotinho” se destacaram “Scheilla”, “Jesuíno”, “Zé Grosso” (quase dois metros de altura), “André Luiz” (um dos “espíritos” que ditou vários livros pela psicografia de Chico Xavier), “Ana”, “Fidelinho” e o japonês “Tongo”. Em três dessas sessões, “Jesuíno” tocou safona (11 de novembro de 1939), fez quadrinhas (9 de dezembro de 1939) e executou algumas músicas em uma gaita (9 de março de 1940).
Informou Guy Playfair que, em uma sessão realizada em 1948, na casa de Jair Soares, em Belo Horizonte, o Dr.Rubens Romanelli apertou a mão de “Sheilla”, “sentindo a resistência de um corpo carnal, o calor de uma mão humana”.
Notei também uma mancha escura entre o seu braço e o seu tórax e ela explicou que, desde que o médium estava atacado de um resfriado, não lhe era possível materializar-se completamente.
O braço me deu a impressão de estar solto. O príncipe Emílio de Sayn Wittgenstein também observou que os olhos de “Katie King” lhe davam a aparência de espectro. Eram formosos, porém olhavam “de um modo esquivo, fixo, glacial”. O Dr. Georges H. de Tapp relatou que, certa ocasião, ao segurar, involuntariamente, o pulso direito de “Katie King” observou que “ele cedeu sob a pressão como se fosse de cera”. “Scheilla” explicou a Romanelli que o fenômeno de “materialização” apresenta o mesmo processo do ferromagnetismo, onde o ectoplasma, à semelhança da limalha de ferro atraída pelo eletroimã, é orientado em direção ao espírito.
Informou Rafael Américo Ranieri que o agente psi Fábio Machado, integrante do grupo espírita de Jair Soares, de Belo Horizonte, não conhecera “Peixotinho” e não assistira qualquer de suas sessões. Personificações de pessoas falecidas conhecidas O primeiro fenômeno deste gênero foi produzido por Kate Fox na residência do banqueiro Livermore, na Inglaterra, em 300 sessões realizadas de 1861 a 1866, onde se apresentava a personificação da sua falecida esposa chamada Estela.
A personificação deixou mensagens escritas em papel marcado por Livermore, com a grafia de Estela, e em francês, idioma desconhecido de Kate Fox. Em todos esses casos de personificação de pessoa morta, o agente psi era Eusápia Paladino.
Contou Florence Marryat que, em várias ocasiões e com “médiuns” diferentes, manteve diálogos com a personificação de sua filha falecida, também chamada Florence, como se fosse uma pessoa viva e observou “distintamente aquela particularidade defeituosa do seu lábio com que nasceu e que médicos experientes tinham declarado que era tão rara que nunca tinham visto antes nenhuma semelhante”. Eram elas:
A personificação do Dr. Bezerra de Menezes, notável líder espírita, apresentou-se apenas uma vez. Em sessão realizada em Fortaleza, em 1952, surgiu a personificação de Maria Gonçalves Duarte, que, quando viva, fora esposa do conferencista espírita português, Isidoro Duarte Santos. Uma cópia da fotografia da personificação foi enviada ao seu marido em Portugal. Por causa disso, Isidoro Duarte Santos veio ao Brasil e conseguiu participar de uma sessão com “Peixotinho”, onde, mais uma vez, ocorreu a aparição de sua esposa.
A personificação, no entanto, não foi total e nem apresentou a mesma nitidez da vez anterior. Um perfume invadiu o aposento e Isidoro reconheceu que se tratava do mesmo perfume que o casal costumeiramente usava. É preciso ressaltar que Maria Gonçalves Duarte jamais esteve no Brasil. Em uma das sessões de “Peixotinho”, a personificação de Heleninha, filha de Rafael Américo Ranieri, falecida aos dois anos de idade, sentou-se no colo do pai.
No ano de 1921, em Belém do Pará, nas sessões de Ana Prado, ocorreu, em várias ocasiões, a personificação da falecida Raquel Figner, na presença de seus familiares. Personificação duradoura A personificação geralmente dura poucos minutos. No entanto, excepcionalmente, pode assim permanecer durante quase duas horas, como a de “Katie King”, produzida por Florence Cook e a de Rachel Figner, por Ana Prado.
A desmaterialização de parte do corpo do agente psi aconteceu algumas vezes no passado. Dr. Vezzano, em certa ocasião, notou o desaparecimento dos membros inferiores de Eusápia Paladino. Aksakof, em 11 de dezembro de 1985, em Helsingfors, observou a parcial desmaterialização do corpo de Elisabeth D’Esperance. Leadbeater testemunhou um impressionante fenômeno de desmaterialização.
Disse ele:
Assim, ele relatou a sua experiência:
Segundo Eurico de Góes, o agente psi Carlo Mirabelli, em São Paulo, teve os seus dois braços desmaterializados. Ele foi fotografado, nesse estado, no meio dos pesquisadores. A pesagem do agente psi, após os fenômenos de personificação objetiva, foi utilizada com a finalidade de se constatar que o ectoplasma era matéria orgânica, originada de seu corpo. Observou-se que o agente psi nem sempre recuperava o peso anterior após uma experiência de desmaterialização.
Para René Sudré: W. J. Crawford observou que Kathleen Goligher, em uma das sessões, apresentou uma diminuição de 24 quilos em seu peso normal, com sensível desmaterialização de pequena parte de seu corpo, onde a carne estava amolecida.
O corpo de Kathleen recuperou seu volume e consistência ao término da reunião. Wilson de Oliveira contou que “Peixotinho”, em uma de suas sessões, ficou sem as pernas e os “espíritos” passaram mais de uma hora para recompô-las.
Em 6 de dezembro de 1946, o Dr. Amadeu Santos, após o término da reunião, pesou “Peixotinho” e outras pessoas e constatou que ele havia perdido 4,5 quilos e os outros participantes, de 1,5 a 2 quilos. Jair Soares, em uma sessão do Grupo Scheilla, em 7 de novembro de 1949, assistiu à desmaterialização das pernas do agente psi Fábio Machado.
Rafael Américo Ranieri assim descreveu o acontecimento: A notícia é recebida com um choque tremendo e o Jair fica um pouco aturdido. . . Imediatamente corre em direção à cabina-cozinha e verifica que pela porta aberta num espaço de um palmo entrava uma forte luz de luar. Perto do médium uma luz forte e na altura de sua garganta saía um tubo ectoplásmico em cuja ponta havia uma luz e por aí se ouvia a voz da irmã Scheilla, dizendo da gravidade da situação e pedindo a mais viva cooperação para tão doloroso momento.
Preces suplicantes são dirigidas ao Pai, a Jesus, pedindo pelo médium. Ansiosa expectativa toma os nossos espíritos que, todavia, se mantêm confiantes e firmes, tudo depositando no amor de Jesus. Ouve-se novamente a voz da querida Scheilla que chama à cabina os irmãos Jair e Dante. Pede que eles segurem na calça do médium mantendo-a esticada. Nesse momento, ao assim fazerem, verificam com assombro que ambas as pernas das calças estão vazias e que os sapatos estão também vazios. Dante segura em uma das pernas e Jair na outra. Assim permanecem ajoelhados, por quase meia hora. Recebem ordem para retornarem.
Músicas, cantos e preces continuam subindo para o céu. Vai até a sala e pede a cooperação vibracional de todos. Então, em voz extraordinariamente sentida, dirige-se ao Pai, a Jesus, pedindo-lhes o necessário socorro para o médium e que, a sofrer, sofresse ela porquanto o médium não tinha culpa alguma, era inocente, e não lhe fosse tirada a oportunidade de continuar em condições de trabalhar na tarefa da qual ele tanto tinha necessidade. Lágrimas confiantes rolam dos olhos presentes.
Que súplica, que prece! E então o irmão José vai até a sala e faz uma nova aplicação no Atílio Pena Filho.
Diz a este para dizer ao seu pai que antes de bater-lhe venha falar com ele (José) primeiro . . . Despede-se de todos informando ao Jair que tinha deixado as quadras pedidas pelos diretores do Abrigo Jesus. Pede ao Dante para tocar uma música e em seguida faça a prece de encerramento. Quando o Dante fazia a prece o José retorna ate junto ao Jair e diz que mande ainda tocar mais duas músicas porque o Joseph iria ainda preparar remédios. Antes da partida do José perguntamos se o médium não ia sentir alguma coisa das pernas, respondeu: não e que ao contrário iria ter pernas melhores porquanto eram novas, tendo sido feitas com fluidos dos presentes, parte, e o restante trouxeram da espiritualidade.
Terminada a reunião, a uma hora de terça-feira, encontraram-se diversos remédios preparados e quadras por escritas diretas". Foi feito um suplemento da ata do dia 7, que recebeu a seguinte redação: “Em conseqüência dos acontecimentos de ontem a queimadura da radioatividade sofrida pelo médium na reunião da Fazenda Cachoeira, Esmeraldas, voltou, estando o local novamente vermelho e dolorido. O mesmo sente igualmente as pernas doloridas, como se ainda não estivessem ajustadas. É ainda interessante anotar-se que uma cicatriz que o mesmo tinha na perna esquerda, altura da canela, já não existe mais.
O médium deu as suas impressões dizendo: no momento do perigo voltou para junto do seu corpo e estava até achando bom a dispersão molecular do seu organismo porém quando notou que essa dispersão paralisou com a perca, de seus membros inferiores e pensou na possibilidade de viver aleijado, mostrou-se aflito e sofregamente procurou apanhar os fluidos que estavam dispersos do lado de fora.
Fizeram então compreender que estava se esfalfando à toa porquanto aqueles fluidos já estavam inutilizados. O impacto da luz sobre o ectoplasma
Provas físicas deixadas pelas personificações
Ideografia literária Em algumas sessões de “Peixotinho”, as personificações de Batuíra, Aracy, “Zé Grosso” e “Scheilla” escreveram versos por escrita direta, pneumatografia. Trata-se de um fenômeno singular que nenhum outro agente psi, no mundo, apresentou. Por isso, o denominamos de ideografia literária. Ideofonia Alguns agentes psi, como Daniel Dunglas Home, George Valiantine e John Sloan, entre outros, apresentaram fenômenos de voz direta ou pneumatofonia e que nós o renomeamos para ideofonia.
Em uma das sessões de “Peixotinho”, a Sra. Margarida, esposa falecida de Afonso Pinto da Fonseca, conversou com o marido por meio deste processo. E em junho deste ano, Osório Pacheco identificou a voz de sua filha falecida, quando esta lhe falou por ideofonia. arcez, João de Deus Modelagens
"Peixotinho" e Ana Prado também conseguiram, algumas vezes, realizar esse fenômeno. Personificações oriundas de obras mediúnicas
Aparelhos trazidos pelas personificações Outro fenômeno singular da paranormalidade de psi-kapa no Brasil ocorreu nas sessões de “Peixotinho” e de Fábio Machado quando as personificações traziam aparelhos exóticos, utilizados para os mais diversos fins, e que eram examinados pelas pessoas presentes.
Rafael Américo Ranieri descreveu um deles, como "um bolo feito numa forma semelhante à concavidade de um prato fundo, portanto quase um disco, gelatinoso, de cor verde-clara transparente.”
Disse ele:
Segundo Ranieri, as personificações que se apresentavam nas sessões de Fábio Machado, carregavam aparelhos iguais ou semelhantes àqueles utilizados pelas personificações que compareciam às sessões de “Peixotinho”. Agentes psi e personificações vistos juntos Em algumas ocasiões, o agente psi e a personificação foram vistos simultaneamente. William Crookes assegurou que, algumas vezes, observou, ao mesmo tempo, Florence Cook e “Katie King”, em experiências realizadas em seu laboratório. Elisabeth_D'_Esperance, em algumas oportunidades, foi vista ao lado de suas personificações. O mesmo aconteceu com o agente psi Indridi Indridasson. Umbelino Pacheco Vitola declarou que, em algumas sessões, viu “Peixotinho” e as personificações ao mesmo tempo.
Fotogênese do agente psi
O seu corpo porém estava todo iluminado interiormente: Víamos a superfície de suas mãos, braços e barriga, embora estivesse vestido de pijama, como se fosse de vidro e dois ou três centímetros abaixo, interiormente, dessa superfície, luminosidade igual à do vaga-lume, saindo de dentro para fora. Na região do plexo solar a luz era intensíssima e nas mãos notavam-se os clarões verdes interiores. Transformara-se a cabina numa doce claridade de luar.” Painéis luminosos Essa é mais outra singularidade da paranormalidade brasileira de psi-kapa. Na sessão de “Peixotinho”, de 13 de abril de 1948, no Grupo Espírita André Luiz, surgiram painéis luminosos, onde eram escritas frases evangélicas solicitadas pelos presentes. Os “espíritos” pediam aos presentes que dissessem uma frase e, em seguida, ela aparecia escrita no painel em letras luminosas. Personificação coletiva Pouquíssimos agentes psi apresentaram esse fenômeno: o aparecimento simultâneo de duas ou mais personificações.
Bozzano contou que, no “Círculo Científico Minerva”, de Gênova, na "mais extraordinária sessão de toda a carreira de Eusápia”, num aposento iluminado por um bico de gás, se apresentaram, diante dos experimentadores, entre os quais o Professor Morselli, o Dr. Venzano e minha pessoa, seis formas materializadas e perfeitamente formadas.
Tudo isto, repito, em plena luz, com a médium visível através da abertura das cortinas, solidamente ligados os pés, as mãos e a cintura (pelo Prof. MORSELLI) e deitada em uma maca". Na sessão de 3 de janeiro de 1948, “Sheilla” e “Fidelinho” foram vistos simultaneamente.
Umbelino Pacheco Vitola disse que viu “vários espíritos materializados ao mesmo tempo”. Um inusitado fenômeno de transfiguração foi relatado por Luciano dos Anjos. Disse ele que, na cabine onde se encontrava “Peixotinho”, o seu corpo diminuiu tanto de tamanho, que se assemelhava ao de uma criança. Dr. Talvani Sanfim Cardoso e Dr. Albano Seixas, convidados a ir a cabine, presenciaram o fenômeno. Dona Laís Teixeira Capilé e sua irmã Lenice também foram convidadas, por ideofonia, a ir até a cabina onde se encontrava “Peixotinho”. Dona Laís contou assim o que presenciou:
Não há notícias de que tal fenômeno tenha acontecido com outro agente psi.
Personificações luminosas Haraldur Nielson observou o aparecimento de personificações luminosas nas sessões de Indridi Indridasson.
O Prof. Pawlosky disse que teve a oportunidade de ver, por duas vezes, nas sessões de Kluski, a personificação da figura solene de um velho, completamente luminoso. No Brasil, o fenômeno aconteceu diversas vezes com “Peixotinho”. Ranieri teve uma filha de nome Helena, que, em 1945, aos dois anos de idade, morreu subitamente. Decorridos três anos do fato, Ranieri conheceu “Peixotinho”, mas não lhe falou sobre o caso. Dias depois, em uma sessão com aquele agente psi, entre outras personificações luminosas que se apresentaram, surgiu a de Helena, que trouxe para Ranieri uma flor ainda úmida de orvalho e lhe disse algumas palavras.
Ranieri assim descreveu o fenômeno das materializações luminosas:
Segundo Luciano dos Santos, as personificações disseram a “Peixotinho” que o fosfato de lecitina era usada para produzir as materializações luminosas e, por isso, os agentes psi dessa modalidade deveriam comer muito peixe.
Personificações fotografadas William Crookes, em sua pesquisa com Florence Cook, obteve quarenta e quatro fotografias de “Katie King”, algumas de excelente qualidade para os padrões técnicos da época. Em três ocasiões, em sessões de “Peixotinho”, realizadas na residência de Francisco Cândido Xavier, foram obtidas fotografias de personificações. Em abril de 1953, a personificação de Camerino (quando vivo, residia em Macaé, RJ, tendo ali falecido) foi fotografada, surgindo em uma massa ectoplásmica, ao lado de “Peixotinho” deitado em uma cama. Meses depois, no dia 15 de setembro, em outra fotografia, apareceu o rosto de Ana, (que viveu e faleceu em Campos, no então Estado do Rio) no ectoplasma exteriorizado de “Peixotinho”.
E, no ano seguinte, em 13 de dezembro de 1954, uma personificação, em fase de materialização, foi fotografada. Nas sessões de Mirabelli, em algumas ocasiões, ele e as personificações foram fotografados juntos. Personificação brincalhona Ranieri relata que, nas sessões de Fábio Machado, uma personificação brincalhona que se dizia chamar “Palminha”, gostava de falar de se agarrar com as pessoas, caindo com elas no chão, dando-lhes tapas e empurrões, fazendo-lhes cócegas, arrastando-as para o meio da sala e causando um grande alvoroço no recinto. Personificação de “Peixotinho” Outro fenômeno singular da paranormalidade brasileira foi a personificação de um agente psi após a sua morte. Segundo depoimento de Adete Ferreira Vianna, viúva de Ramiro Martins Vianna, a personificação de “Peixotinho”, após quatro anos de seu falecimento, apareceu numa sessão em Caratinga, na presença de cerca de sessenta pessoas, e abraçou comovidamente a todos os presentes, entre os quais a sua viúva Dona Baby. A depoente se encontrava presente com o seu esposo e também foram abraçados Pelo “espírito” de “Peixotinho”. Disse Ranieri que, certa noite, em sessão de Fábio Machado, a personificação de “Zé Grosso” anunciou que os “espíritos” iam fazer uma experiência nova, saturando o ambiente com radioatividade.
Indagado sobre os riscos da experiência para as pessoas presentes, “Zé Grosso” respondeu que os “espíritos” iriam derramar no ambiente um outro elemento ainda desconhecido pelos homens e que neutralizaria a ação do rádium.
Ranieri assim descreveu o fato:
Como por encanto, a luz fosforescente desaparecera do ambiente como um anjo de luz que houvesse desaparecido nas trevas.”
Várias hipóteses foram formuladas para explicar as personificações objetivas.
Alguns críticos podem, legitimamente, alegar que os fenômenos relatados ocorreram em ambiente religioso, não foram submetidos a rígido controle experimental, nem investigados por pesquisadores competentes, sendo, por conseguinte, destituídos de validade científica. Outros podem argüir a hipótese da fraude cometida pelos agentes psi em seu benefício e/ou da militância religiosa, com ou sem o concurso de seus companheiros de crença. A ausência de procedimentos metodológicos confiáveis não importa necessariamente na negação da autenticidade dos fenômenos, mas na impossibilidade de sua chancela científica. Por outro lado, a mera alegação de fraude, desde que não comprovada, é destituída de seriedade. Nem tampouco o argumento de que se trata de propaganda religiosa pelo fato de que os fenômenos ocorreram em ambiente espírita.
Se não temos a obrigação de confiar no testemunho dos outros, do mesmo modo não temos o direito de levantar suspeitas infundadas sobre a honestidade de quem quer que seja. Se os religiosos espíritas não têm qualificação científica para investigar fenômenos psi e seus testemunhos são suspeitos, o mesmo pode ser dito em relação aos evangélicos e católicos.
O cientificismo, o ceticismo radical e o fanatismo religioso não devem constituir obstáculo à investigação dos casos espontâneos de aparentes fenômenos psi onde quer que tenham ocorrido, as condições em que foram observados e a confiabilidade das pessoas que os testemunharam.
BIBLIOGRAFIA
http://www.valterdarosaborges.pro.br/artigo-07.htm (Link desativado)
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