página acima: Jesus
Acontecimentos que antecederam a crucificação de Jesus
-
Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
*

____Muitos acontecimentos de grande significado espiritual ocorreram justamente antes de minha morte. Eles são exemplos magníficos das grandes Leis Cósmicas em ação dentro de sua dimensão de existência. Agora estou lhe dando uma breve narrativa desses acontecimentos importantes. Meu propósito é o de iluminar completamente sua mente e dar conhecimento mais além de qualquer conhecimento recebido por qualquer outra pessoa em seu universo.
____Quando comecei a preparar os meus discípulos para a minha morte que se aproximava, tive uma tarefa terrivelmente difícil. Custava muito a eles conter o choque e o assombro. Pensar que eu seria crucificado como um criminoso comum era repugnante, inexprimível e, além disso, não queriam me perder de vista. Tinha-os chamado para seguir-me e abandonar suas vidas, as quais tinham sido bastante prósperas. Tinham abandonado suas famílias e seus lares para refazer suas vidas ao meu lado e de meu trabalho. Tinham se orgulhado de meu caminhar pelas cidades. Tinham estado dispostos a juntar-se a mim e eram conhecidos como meus_discípulos, apesar da rejeição e a dura crítica dos Líderes Religiosos. E mais ainda: amavam-me e respeitavam-me tanto pela forma como eu vivia meus próprios ensinamentos como pela maneira como curava tantas pessoas com compaixão e pelo consolo que trazia às suas vidas desventuradas. Acreditavam verdadeiramente que eu era o Filho de Deus. Como o Filho de Deus podia acabar na cruz? - perguntavam-se. Aumentava o espanto com cada pergunta. Era impensável. Sentiam que um tremendo vazio se abria diante de suas vidas, uma enorme cratera na Terra onde pisavam e uma vasta extensão de instabilidade e de falta de propósito dentro deles mesmos. Não se atreviam a contemplar a minha futura crucificação da qual eu falava. Tal acontecimento destruiria tudo aquilo em que tinham acreditado com todo o seu coração.
____Desta maneira, meus discípulos resistiam muito fortemente ao que eu tentava dizer e afirmavam repetidamente que tal coisa nunca poderia ocorrer. Agi com firmeza contra suas teimosas negativas e finalmente sentiram-se obrigados a silenciar seus argumentos e aparentemente aceitar que tal coisa poderia ser possível. Disse a eles que depois de minha morte me veriam de novo e que esperava que continuassem o trabalho que eu tinha começado.
____
A dor e as discussões que eu tinha provocado entre meus discípulos também me afetaram profundamente. Não era tarefa fácil ir a Jerusalém, onde o meu destino me esperava. Acima de tudo, perguntava-me se estaria à altura daquele grande desafio para a resistência. Seria capaz de transcender a condição física e entrar no Pai Consciência_Universal e ali ficar até morrer? Às vezes eu me sentia profundamente assustado diante do calvário, mas não me atrevia a revelar esse temor a meus discípulos.
____Assim, comecei minha última viagem em direção a Jerusalém com grande confusão de sentimentos. Por um lado, estava cansado de curar, falar e ensinar às pessoas que me escutavam boquiabertas e não tinham nenhuma real compreensão do que eu tentava dizer. Tinha pensado que meu conhecimento tornaria as pessoas capazes de sair de sua miséria e, pelo menos, estabelecer contato com o "Pai" e obter um vislumbre do "Reino dos Céus". Não havia nenhuma evidência de tal despertar espiritual nem mesmo entre meus discípulos. Meu desapontamento e sentido de fracasso trouxeram-me contentamento ao pensar em abandonar a vida terrena rumo à gloriosa existência que sabia que me esperava depois_da_morte.
____Ao mesmo tempo, perguntava-me como poderia suportar a dor_da_crucificação. Ao longo de minha missão, meu estado mental era mais ou menos pacífico e consistente - frequentemente em júbilo, com os pensamentos focados no "Pai Consciência Amorosa," autor de todo ser, sabendo que bastava pedir e o que pedisse rapidamente seria manifestado. Eu seria capaz de manter minha serenidade, quando fosse apresentado diante do Conselho, levado para a crucificação, pregado na cruz com meu peso pendurado pelas minhas mãos?
____Como estava dando lugar a dúvidas e temores, o nível normal das frequências de minha consciência estava baixando. Eu estava descendo novamente às frequências da consciência do plano terreno. Voltei a ser vítima de minha antiga agressividade que me incitava a atos irracionais, que eu não teria sequer considerado quando estava em meu estado anterior de total harmonia com o "Pai Consciência Amorosa". Minhas dúvidas e conflitos se exteriorizavam em minha vida como emoções e impulsos humanos que eram opostos à Lei Cósmica do Amor.
____Primeiro aconteceu o episódio da figueira. Tinha fome e fui em direção à árvore, não esperando verdadeiramente encontrar frutas porque não era a estação de figos. Ao ver que a busca era "infrutífera", amaldiçoei a figueira. Vinte e quatro horas depois, ela havia murchado até as raízes. (Ver: Pensamento Criativo)
____Foi uma experiência chocante. Era a primeira vez que minhas palavras tinham causado dano a algo. Contudo, mostrou claramente a meus discípulos o poder do PENSAMENTO para o bem ou para o mal. Demonstrou que quanto mais espiritualmente evoluída é uma pessoa, maior é o impacto de suas palavras no meio ambiente.
____Aproveitei a oportunidade para explicar aos meus discípulos que eu tinha me comportado de maneira irrefletida, como o faz a maioria dos homens e mulheres que, tendo grandes expectativas, não consegue o que quer. Essas pessoas costumam reagir com raiva, lágrimas e até com palavras fortes que podem ou não significar um "desejar mal" ou maldizer a pessoa que tenha negado o que eles desejavam. Eles já tinham visto por eles mesmos o que a minha maldição tinha causado à figueira. Agora deveriam compreender que tendo uma forte convicção, poderia ser concedido a eles qualquer coisa que pudessem desejar ou imaginar, mas também deveriam estar constantemente conscientes de sua própria condição mental - emocional. Não deveriam guardar rancor dos outros, mas sim perdoar rapidamente - do contrário, poderiam causar muito mal àqueles com quem estivessem ressentidos ... E isto seria devolvido a eles no devido tempo, como a colheita do que semearam. E mais ainda, tal como é a semeadura, assim é a colheita. Sabia que o que eu tinha causado à figueira inevitavelmente retornaria para mim de uma ou outra maneira.

____Então levei os meus discípulos para o Templo. Muitos anos tinham se passado desde que eu tinha estado lá e sabia que minha visita serviria para desencadear os acontecimentos que levariam à minha crucificação. Algumas pessoas me reconheceram e comecei a ensinar em resposta a seus pedidos. Foram se juntando mais pessoas e os agiotas se amontoaram, começando a reclamar. Seus gritos e queixas barulhentos interromperam a linha de meu pensamento enquanto ensinava.
____De repente, a cólera tomou conta de mim. Havia ali pessoas sérias que me rodeavam e desejavam ouvir palavras de VIDA, as quais em breve não poderia mais pronunciar, e ali estavam mercadores que viviam vendendo animais para os sacrifícios que não beneficiavam ninguém. Aqueles homens somente traziam dívidas e miséria às pessoas. Senti o sangue subir-me à cabeça, empurrei as mesas espalhando o dinheiro e expulsei do Templo os homens de coração duro.
____Então houve uma tremenda comoção de gritos e lamentações. Alguns brigavam para apanhar o dinheiro. Os mercadores amaldiçoaram-me chamando-me de malvado, dizendo que eu fazia o trabalho de Belzebu e outros mil demônios mais. Os Sacerdotes, os Fariseus e todas as pessoas que valorizavam os sacrifícios do Templo vieram correndo para averiguar a causa do barulho e da confusão.
____Ouviram a história dos mercadores e se sentiram tão ofendidos com meus atos que se lançaram aos gritos em condenações e lamentos para assim impressionar os Sacerdotes, cada um protestando mais alto do que seu vizinho, demonstrando seu horror pelo que eu tinha feito. Nunca antes tinha se visto tal coisa no Templo. Até mesmo aqueles que antes tinham me escutado estavam incomodados pela minha obstinação e se perguntavam que tipo de homem eu poderia ser. Estavam juntos vendo os acontecimentos quando os Sacerdotes e Fariseus se aproximaram e os convenceram de que eu tentava destruir tudo aquilo no que acreditavam, pregando um "Deus" falso, totalmente contrário a qualquer coisa que tinham ouvido falar nas sinagogas. Os Sacerdotes passaram a eles a sua própria raiva ultrajada e convenceram-nos de que meu pecado também os contaminaria, se continuassem a dar ouvidos às minhas loucuras.
____Aos poucos, as pessoas se convenceram de que eu era uma má influência e que deveriam afastar-me do caminho antes que eu pudesse transtornar a paz do país e atrair a ira do governador romano sobre toda a Palestina.
____Meus discípulos, envergonhados pelo que eu tinha feito, sigilosamente deixaram o lugar e esconderam-se entre as ruelas a alguma distância do Templo. Quando mais tarde regressaram para onde eu estava, demonstraram claramente que estavam profundamente incomodados com meus atos. Perguntavam-se se eu tinha perdido o juízo, ou se tinha ficado louco profetizando minha morte e depois fazendo aquelas coisas que provavelmente a provocariam. Foi nesse momento que Judas, aquele que nunca havia abandonado verdadeiramente suas crenças judaicas, começou a duvidar de que eu fosse verdadeiramente o Messias. Fazia três anos que eu ensinava o povo e não se via nenhum sinal de que o domínio Romano se enfraquecia. Três anos e as pessoas não estavam mais perto da felicidade que eu havia prometido. E agora parecia que estava a ponto de converter-me num perturbador da paz, fazendo cair a ira de Roma sobre suas cabeças. Judas ficou sabendo que o Sumo Sacerdote Judeu queria se desfazer de mim e então ofereceu seus serviços para me identificar, quando assim fosse pedido.
____Quando foi a hora de celebrar a Páscoa com meus discípulos, organizei_uma_ceia com todos reunidos num grande salão. Sabia que aquela era a última vez que comeria na Terra. Não desejo voltar profundamente à consciência daquela noite. Senti grande tristeza por ter que deixar meus discípulos que tinham me servido tão bem. Com a tristeza, todos os meus temores e conflitos reapareceram.
____Tive momentos de profunda autopiedade. Senti que ninguém compreendia o que havia procurado fazer pelo meu povo e o sacrifício que estava disposto a fazer por ele. João estava contando uma expressiva história sobre a última noite dos israelitas no Egito, antes de escaparem para o deserto. Falava das instruções de Moisés ao chefe de cada família para que matassem um cordeiro sem mancha, que o cozinhassem de certa maneira e pintassem com aquele sangue as portas das moradias israelitas, porque naquela mesma noite viriam os anjos para matar todos os filhos prímogênitos dos egípcios e o seu gado. Com vivacidade, recordou a agitação dos egípcios ao despertarem e encontrarem o primogênito de cada lar ensanguentado, sem que nenhum tivesse se salvado.
____Era o tipo de história horrível que eu rejeitava por não ter nenhum valor para a pessoa que buscava a Verdade espiritual mais elevada. Eu me perguntava até que ponto meus discípulos realmente tinham entendido quando eu falava de seu "Pai Celestial" e Seu amor por toda a humanidade. Como podiam entusiasmar-se com o pensamento de "anjos" matando os primogênitos dos egípcios quando eu tinha dito com toda a clareza que "Deus", o "Pai", era Amor? Mas os Judeus sempre haviam se preocupado com o derramamento de sangue para redimir seus pecados. Até mesmo Abraão, o fundador da nação israelita, convenceu-se de que devia levar o seu único filho ao deserto, matá-lo e oferecê-lo em sacrifício a Deus. Um pensamento pagão e revoltante!
____Pensei nos sacrifícios de animais no Templo. Amando a todos os seres vivos da criação como eu amava, esta prática era para mim uma abominação. E agora eu estava a ponto de ser levado para a morte porque tinha me atrevido a pronunciar as palavras da Verdade. E quando considerava o tão pouco do meu conhecimento que tinha conseguido transmitir, perguntava-me por que eu tinha sido enviado em tal missão!
____Senti de repente um estremecimento de ressentimento e raiva se entrelaçar aos sentimentos habituais de amor para com aqueles homens. Com certo cinismo, perguntava-me que sinal poderia deixar que fosse uma recordação eficaz, para que os meus ensinamentos retornassem a suas mentes quando já não estivesse com eles. Se podiam esquecer tão rapidamente todos os meus ensinamentos sobre o ''Amor do Pai" e desfrutar a horrível história da Páscoa, enquanto eu ainda me encontrava na mesma sala com eles - de que se recordariam quando morresse como um "malfeitor" na cruz, a mais desprezível das mortes?
____Depois pensei que, se o "derramamento de sangue" os comovia tanto, daria a eles sangue para que se recordassem de mim! Com essas reflexões irônicas apanhei um pão, parti-o, passei-o a meus discípulos e disse que o comessem. Comparei o pão partido com o futuro de meu corpo partido e pedi que repetissem o "partir o pão e o distribuir" em lembrança do sacrifício de meu corpo para trazer a VERDADE - a Verdade sobre Deus e a Verdade sobre a Vida, a Verdade sobre o Amor.
____Percebendo que eu estava com um humor estranho, pararam de comer, escutaram, pegaram o pão e comeram em silêncio. A seguir, tomei minha taça de vinho e a entreguei, dizendo que cada um devia beber dela, posto que era o símbolo de meu sangue que logo seria derramado porque tinha me atrevido a trazer a Verdade da Existência.
____Vi que meu tom de voz tinha tocado a alguns deles. Sobriamente, cada um tomou um gole e depois passou a taça para quem estava a seu lado. Mas ainda não diziam nada. Percebiam que eu estava sério e que já não toleraria mais discussões. Então eu disse que um deles me trairia.
____(Em segredo entendia os seus motivos e sabia que ele era uma parte necessária da futura sequência de acontecimentos. Simplesmente cumpria o papel que sua natureza o levava a desempenhar. Eu sabia que ele sofreria muito e senti compaixão por ele. Mas guardei estes pensamentos só para mim).
____Ao mencionar que um deles me trairia, disse a Judas que saísse para fazer rapidamente o que tinha que fazer; os discípulos despertaram, se perguntando se realmente aquela era sua última ceia comigo. Havia muita angústia emocional, perguntas, inclusive recriminações por tê-los colocado em tal armadilha. Outra vez, perguntaram-se o que fariam de suas vidas depois que eu me fosse. Perguntavam-se qual seria seu lugar na comunidade se eu fosse crucificado. As pessoas zombariam deles, queixavam-se. Ninguém voltaria a confiar no que dissessem.
____Profundamente entristecido pela resposta egoísta diante de minha situação, assegurei a eles que não tinham que temer por sua própria segurança. Deveriam abandonar-me e não haveria ligação entre eles e a minha crucificação. Sugeri que depois de minha morte se dispersassem e voltassem para a Galileia. Pedro comoveu-se profundamente e reagiu com violência negando que algum dia me abandonaria, mas, é claro, foi o que ele fez.
____Mesmo depois de todo o amor que tinha por meus companheiros e de tudo o que desejava obter para eles, naquele momento de minha própria necessidade, ainda encontrava total falta de compreensão, até resistência. Minha única preocupação era sobre o que poderia acontecer a eles. Não houve nenhuma palavra amável, oferecimento de ajuda ou angústia pela minha dura prova futura.
____Como era duro o coração humano, pensei! Quantos penosos séculos teriam que passar antes que a humanidade pudesse ir mais além de sua própria dor e sofrimento para sentir talvez uma faísca de amor e compaixão para com outros desafortunados que se encontrassem numa situação pior do que a deles?
____Porém, ainda que profundamente decepcionado e mesmo machucado por suas reações egoístas, compreendi-os e procurei dar aos meus discípulos coragem para enfrentar o futuro e assegurei que sempre estaria com eles, mesmo quando estivesse fora de suas vistas. A obra que eu tinha começado seria promovida desde o além. Não os deixaria sozinhos. Conheceriam e sentiriam minha presença e isso os consolaria.
____Disse que se agarrassem à recordação do tempo em que eu tinha estado com eles. Alertei que haveria muitos que continuariam o caminho com o conhecimento que eu havia dado, mas que estranhos buscariam acrescentar a voz da tradição e da razão aos meus ensinamentos. Minhas palavras seriam tão distorcidas que, finalmente, já não revelariam a Verdade original que eu havia trazido ao mundo.
____Quando disse que isso aconteceria afligiram-se, foram mesmo tomados pelo pânico. Fiquei aliviado ao ver que meus ensinamentos não tinham sido em vão apesar de tudo, que não tinham entrado em ouvidos totalmente surdos. Pediram-me que contasse mais - mas levantei as mãos e disse que isso era tudo o que eu podia dizer.
____Nesse ponto, senti que havia dito tudo o que eu tinha querido dizer enquanto estava na Terra e que meu discurso aos homens havia sido cumprido. Tudo o que mais profundamente desejava era retirar-me ao silêncio e encontrar paz e conforto em meu contato com o "Pai".
____Deixamos o salão e fomos andando até o Monte das Oliveiras, mas o estado de meus discípulos era de conflito interno, temor e dúvida. A maioria deles foi embora para unir-se com suas famílias e amigos que estariam celebrando sua própria Páscoa. No jardim havia uma rocha especial cujo formato lembrava uma pequena caverna. Gostava de refugiar-me do vento dentro dela. De modo que ali me sentei e orei, buscando um caminho para a grande harmonia que já havia desfrutado no passado. Sabia que quando me movesse para sintonizar-me com o "Pai Amor", meus temores se dissolveriam e estaria num estado de paz e de total e absoluta confiança. À medida que senti o Poder do Amor entrar em mim e tomar posse de minha consciência humana, assim também a força para suportar o que viria sobre mim tomou conta do meu coração. Seria capaz de permanecer dentro do amor e dar Amor aos outros até o fim.
____E assim foi.
____Nem sequer tentarei voltar a entrar no estado do julgamento e da crucificação. Isso não tem importância.

[ CARTAS DE CRISTO > Carta 3]

Carta3
*