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A última ceia - O pão e o vinho
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Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
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Eu disse em minha última ceia que meus discípulos deveríam recordar aquela última refeição com eles, partindo o pão e passando-o um a um e que deveríam beber da mesma taça de vinho e recordar que meu corpo foi crucificado e meu sangue derramado para trazer a eles a Verdade_do_Ser. Entretanto, este evento se converteu em uma estranha crença, na qual com pompa e cerimônia no altar, meu corpo é transferido às hóstias que os fiéis devem engolir com a devida reverência.

Meu corpo! Que bem faria meu “corpo” - espiritualizado ou não - para aqueles que comungam?

Você percebe como a mente pode ser condicionada a aceitar bobagens ilógicas, que perduram há dois mil anos porque tem sido sustentadas por uma grande hierarquia de Papas e Cardeais, vivendo em palácios, imensamente ricos e mantidos com grande pompa terrena, em cerimônias prestigiosas?

Eu quero que você conheça a verdade sobre aquela fatídica noite - a que chamam de minha Última Ceia.

Para maior clareza, ainda que seja doloroso fazê-lo, desci em minhas frequências vibratórias de consciência, para entrar diretamente na recordação consciente de meus pensamentos e sentimentos, durante a última refeição com meus discípulos.

Ainda que eu fosse um homem forte, iluminado e seguro de que tinha um destino a cumprir que não podería evitar - não queria evitar - estava profundamente triste ao começar a refeição - a ceia da Páscoa. Meus discípulos tinham sido meus amigos e tinham ficado ao meu lado em algumas circunstâncias difíceis. Eu estava sofrendo por ter que deixá-los e temeroso por seu bem-estar. O que aconteceria a eles ao ficarem sozinhos, sem a minha orientação e proteção? Dependiam de mim mais do que percebiam.

Recordei meus anos ensinando às pessoas. Senti uma profunda sensação de ironia ao recordar a minha_volta_do_deserto. Estava sujo, descuidado, porém literalmente possuído por uma alegre solicitude para com os meus semelhantes e intensamente entusiasmado porque poderia colocá-los no bom caminho, introduzir em suas mentes a verdade_sobre_a_existência, mostrar como superar os seus temores, suas doenças, pobreza e miséria. Eu iria conquistar o mundo!

Porém, como tinha sido diferente o resultado! Logo estaria pendurado em uma cruz!

Era verdade, entretanto, - que eu tinha alcançado muito êxito. Refleti sobre os momentos de cura e a aceitação alegre das pessoas ao “Pai Amoroso”. Eu podia compreender porque o Sumo Sacerdote e o Conselho me odiavam. Ao invés de medo, castigo e sacrifício_de_animais, eu tinha trazido às pessoas a realidade do “Pai - Amor”, provando isso pela cura de casos terminais.

Voltei minha atenção aos meus discípulos, que estavam falando entre si enquanto comiam. Eles permaneciam inconscientes do desafio que me aguardava - minha crucificação. Embora eu os tivesse avisado várias vezes, negaram-se a aceitar minhas palavras como verdade. Pensaram que eu começava a ter medo do Sumo Sacerdote e se perguntavam por quê. Eu já havia conseguido sair de situações ameaçadoras antes.

Como era costume na Páscoa, falavam das circunstâncias da fuga dos Israelitas para o Egito, João, que tinha uma forte imaginação, fazia um relato vivido de Moisés reunindo os Israelitas e dizendo que finalmente iriam deixar o Egito, escapando da escravidão para a liberdade no deserto! Por esta razão, Moisés se dirigiu ao responsável de cada família, para que matasse um cordeiro sem mancha e com um punhado de ervas, marcasse com sangue a porta de sua casa. Moisés disse que anjos viriam voando a noite, atravessando o Egito, matando os primogênitos de todos os egípcios e o seu gado, deixando somente os primogênitos dos Israelitas, que seriam salvos pelas marcas de sangue em suas portas.

Enquanto os escutava, vendo seus sorrisos e sinais de aprovação para aquele “maravilhoso” acontecimento, me dei conta, angustiado, de que pouco haviam realmente compreendido de minha descrição do “Pai Celestial”. Ouvi as palavras de João sobre sangue, sangue e sangue, - sangue do cordeiro sem mancha, sangue nas marcas das portas, sangue das crianças e do gado egípcios. Como sempre, me espantei com os séculos de preocupação judia com o sangue e brevemente recordei que Abraão esteve mesmo disposto a matar o seu único filho, com a intenção de oferecê-lo em sacrifício, porque acreditava que Deus tinha dito a ele para fazê-lo. E logo pensei nos sacrifícios diários de animais no Templo. Para mim, todo o conceito de “fazer correr sangue” como forma de pagar pelo “pecado”, era completamente repulsivo.

Porém, fiquei calado e não discuti com os homens. Percebi que suas mentes estavam cheias daquelas tradições, tão sólidas e duras como pedra. Esta foi nossa última refeição juntos, em volta da mesa. Deveria ser um momento de paz entre nós e uma despedida amorosa. Era duplamente importante para meus discípulos, porque a Páscoa era um acontecimento muito sagrado para as suas mentes judias e isso eu teria que aceitar com um espírito de amor e compreensão.

Antes daquela noite, eu não havia celebrado a Páscoa, uma vez que a tradição me desgostava. Preferia subir às colinas tranquilamente, para meditar, deixando meus discípulos celebrarem a Páscoa com suas famílias. Por causa daquele hábito, eles não estranharam meu silêncio no momento. Eu estava meio recostado, meio sentado, incapaz de relaxar como costumava fazer - tenso, contraído, compassivamente caloroso para com meus discípulos - ainda que aborrecido com eles.

Perguntava-me como podería deixar para estes seguidores sonolentos e confusos, um sinal efetivo como recordação, - algum ritual que trouxesse de volta às suas mentes confusas, tudo o que eu estava tentando ensinar. Eu queria sacudi-los e tirá-los daquela fixação pelo sangue.

Enquanto escutava a conversa sobre Moisés e seus atos milagrosos, me ocorreu que se eles estavam tão preocupados com sangue - então eu daria sangue a eles, para que se lembrassem de mim.

Inclinei-me sobre a mesa, peguei o pão e parti em vários pedaços, dizendo bruscamente: “Eu sou como seu Cordeiro Pascal. Distribuam este pão entre vocês e peguem cada um a sua parte; comam e façam isto em minha honra, por ter trazido a vocês a única VERDADE que o mundo já ouviu. Deixem que este pão seja o símbolo de meu corpo, que está a ponto de ser maltratado na cruz”.

Pararam de conversar e olharam para mim. “Vamos, comam”, eu disse. Como em um sonho, silenciosamente tomaram um pedaço de pão, passaram-no aos outros e todos comeram a sua parte.

Então peguei uma grande taça de vinho e disse para beberem e passarem aos outros. “Este vinho é o símbolo de meu sangue. Eu vim para dar a vocês a VERDADE. A Verdade sobre Deus - a Verdade sobre a vida. Porém, eu fui rejeitado. Meu sangue correrá por vocês”.

Novamente, em silêncio, beberam da taça e a passaram entre si. Suas faces estavam tensas, mas não disseram nada. Era óbvio que todos estavam comovidos pelas minhas palavras, que não agradava a eles.

Eu sabia que judas tinha recebido dinheiro para apontar-me aos soldados do Sumo Sacerdote, quando o momento chegasse. Também sabia que a noite da Páscoa seria aquele momento. Então disse a judas: “Vá logo e faça o que tem que fazer”, judas me olhou longamente e vi a dor e indecisão em seus olhos. Ele estava repensando o assunto, porém o meu tempo havia chegado e eu queria terminá-lo de uma vez. “Vá”, disse com dureza, judas levantou-se e saiu da sala.

Os discípulos ficaram surpresos pela maneira como eu falava e perguntaram o que judas iria fazer. “Vai dizer ao Sumo Sacerdote onde me encontrar. Vão crucificar-me - exatamente como eu falei para vocês”.

Observei, com certo cinismo doloroso, as expressões de seus rostos - dúvida, sobressalto, terror. Logo, brotou uma torrente de perguntas ressentidas. O que iria acontecer a eles? Eles tinham deixado suas casas e famílias por mim. Se eu fosse crucificado como um delinquente comum, eles perderíam uma vida de liberdade e segurança. Eu então disse que iriam me abandonar. Com veemência negaram tal coisa - mas o fizeram.

Estava demasiado cansado para discutir com eles. Eu tinha me tomado tão forte, tão seguro no conhecimento de que o “Pai” estava em mim - e comigo - a todo instante, que eu podia me dar ao luxo de perdoar a deslealdade deles. E, ao final de tudo isso, seria liberado de meu corpo e poderia ascender aos reinos de Luz, que eu tinha frequentemente sentido, mas nunca visto em plenitude com a visão terrena. Era um pensamento que me trazia profundo consolo e uma feliz sensação de expectativa.

Então sorri para eles e disse: “É bom que tenham feito o que pedi, em lembrança de mim e de minha morte, que está por vir. Continuem partindo o pão e bebendo o vinho juntos, recordando que sempre os amarei e que ficarei com vocês em espírito, até que se reunam comigo aonde vou. Não tenham medo, vocês serão guiados, serão inspirados, serão fortalecidos e falarei claramente com vocês”.

A minha única advertência é esta:

no futuro, muito do que tenho ensinado a vocês será esquecido. Muito do que disse será descartado pelo pensamento humano, ou distorcido pelos mitos humanos. Logo houve pânico e um clamor: “Como será isso?” Sorri e levantei as mãos: “Falo do que acontecerá em um futuro distante. Enquanto isso sejam fiéis a tudo o que ensinei e não duvidem de nada do que eu disse.”

Chegou então a hora de ir ao Monte das Oliveiras, o lugar onde os soldados do Sumo Sacerdote iriam me buscar. Meus discípulos queriam ainda me fazer perguntas, porém eu tinha chegado ao fim do meu discurso para os homens. Eu apenas desejava preparar-me, em total silêncio, para a minha provação, entrando em espírito em um estado de segura e consistente sintonia e comunicação com o “Pai”.

Caminhamos para o jardim e me retirei para a minha rocha preferida. Sentei-me protegido do vento e envolvi-me na túnica. Fechei os olhos e pouco a pouco senti que entrava em uma grande serenidade de espírito e um poderoso silêncio. Logo, o Poder em Si desceu, tomando minha mente e meu coração. Preencheu-me com tal amor supremo que eu soube que estava sendo apoiado, sustentado no amor e que poderia manter meu amor por todos, não importando o que me acontecesse. Isso era tudo o que importava no momento em que minha hora havia chegado.

Essa é a verdade por trás do partir o pão e beber o vinho em minha honra, de minha vida e meus ensinamentos. E como você que está lendo esta Carta sabe, tudo o que meu “Pai” me revelou em minha última noite na Terra, se cumpriu. Como eu falava do “Pai”, do “Filho” e do “Espírito_Santo”, a Igreja decidiu no Concilio de Niceia que eu me referi a “Três Pessoas em Uma”. Consequentemente, as pessoas ... (Ver: Consolador prometido)

  • rezam ao “Pai” para pedir benefícios,
  • imploram ao “Espírito Santo” para que os instrua espiritualmente
  • e rezam ao “Filho” para salvá-los de seus pecados.

Você pode “ver” o quanto as crenças são “terrestres e humanamente concebidas”?

Graças ao sentimentalismo e à promessa de uma “viagem gratuita ao céu nos calcanhares do Salvador”, as crenças tornaram-se uma estrutura religiosa humanamente concebida para consagrar o império da Igreja dentro dos impérios terrenos - Roma, Áustria, Espanha. As crenças foram o pretexto para a tortura sistemática, a morte na fogueira e a execução dos dissidentes. Elas também inspiraram as guerras entre nações.

Porém, a “percepção espiritual” e a “criatividade” também surgiram de algumas dessas crenças e contribuíram muito para a existência nestes dois milênios. Essas crenças motivaram a construção de catedrais e igrejas, monastérios e conventos, dando às pessoas um propósito estável, a habilidade de expressar seus dotes artísticos e fornecendo trabalho para os menos talentosos. Elas também permitiram a milhões de consciências acessarem os reinos mais elevados de belos pensamentos e amor. Além disso, foram o ímpeto por trás do misticismo e a iluminação das almas espirituais que chegaram a ver a Realidade que estava oculta por trás das crenças.

Enquanto tudo isso se passava, as crenças também criaram as condições para o desenvolvimento de hierarquias de superioridade religiosa com imensa pompa e riqueza. Estes são edifícios criados com os “impulsos do ego”, concebidos pelo ser humano e, portanto, totalmente falsos de um ponto de vista espiritual.

[   CARTAS DE CRISTO   >  Carta 6]

Ver também:
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