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Termo criado por Hyslop para designar a percepção Supranormal, quando o percipiente vai buscar os elementos ao subconsciente de pessoas afastadas. Difere da telestesia porque nesta a percepção a distância parece ser direta, isto é, não se socorre do subconsciente de nenhuma outra, pessoa. http://www.scribd.com/doc/7213157/ Vocabulario-Metapsiquico (Link desativado)
Os poderes supranormais da subconsciência podem circuncrever-se dentro de limites definidos.Cumpre observar que, ainda quando, por ora, não fosse possível traçar os limites em que se exercitam as faculdades supranormais subconscientes e que, por conseguinte, houvesse quem se arrogasse o direito de lhes conceder teoricamente a onisciência divina, as conclusões promanantes da análise aprofundada dos fenômenos anímicos se conservariam sempre invulneráveis, pela boa razão de que, quanto mais se divinize a personalidade integral subconsciente, tanto mais se reforçará a tese aqui propugnada, segundo a qual o Animismo prova o Espiritismo. De todo modo, porém, como se conferir a onisciência divina à subconsciência humana constitui uma pretensão fantástica e filosoficamente absurda, importa demonstrar, baseado nos fatos, que os opositores caem em erro quando afirmam que não se podem estabelecer limites à potencialidade investigadora das faculdades supranormais e, portanto, que é teoricamente legítimo atribuir-se cada vez maior latitude a essas faculdades, à medida que ocorram casos de elucidação cada vez mais complexa.
Argumento é este supremamente cômodo, por meio do qual os opositores engendram outro, o de que, como quer que seja, a simples existência de semelhante possibilidade teórica basta, por si só, para neutralizar a interpretação espiritualista dos fenômenos mediúnicos. Repito que, ao contrário, assim argumentando, incidem eles em grave erro, pois tudo concorre a demonstrar que possível já é circunscrever, dentro de limites definidos, a potencialidade das faculdades supranormais.
Haja visto, por exemplo, as modalidades sob as quais se exerce a energia cósmica na telegrafia sem fio e no rádio. Esta última aplicação da Ciência demonstra, de modo exato, que existimos imersos num turbilhão inextricável de vibrações de toda espécie, as quais, à nossa revelia, atravessam fulminantemente o ambiente em que vivemos e os nossos próprios organismos.
Pois bem: que é o que se observa na aplicação do rádio?
Ora, no nosso caso, em que se trataria de um universo de vibrações, a aplicação da lei de afinidade consiste em regular o mecanismo do rádio com o comprimento de onda que se pretenda captar.
Tudo isto significa que a subconsciência humana, singularmente considerada, não poderá nunca apanhar os pensamentos de pessoas desconhecidas (nos três sentidos indicados) das próprias personalidades conscientes, porque, não as conhecendo, ignoram a tonalidade vibratória que as caracteriza e não podem, portanto, descobri-las. Tenha-se, pois, em mente que, na falta das três modalidades experimentais acima enumeradas, ...
Ora, todas estas coisas significam que os casos de identificação pessoal de defuntos desconhecidos de todos os presentes, quando se dão sem o concurso de objetos psicometrizáveis, levam racionalmente a admitir-se a presença, “na outra extremidade do fio”, do defunto que se comunica.
Torna-se, então, evidente, que a lei de relação psíquica serve para circunscrever, em limites bem definidos, as faculdades supranormais investigadoras da subconsciência humana.
Com efeito, se fenômenos de comunicações telepáticas não podem produzir-se à distância, sem prévio estabelecimento da relação psíquica e se esta só se pode obter dentro das três modalidades experimentais indicadas, feita está, desde já, a prova científica da sobrevivência, tendo por base a categoria dos casos de identificação pessoal de defuntos conhecidos de todos e que se manifestam de modo independente de qualquer forma de relação psíquica terrena.
Pois bem: mal grado a essa absurda extensão conferida pelos opositores a uma faculdade que existe, é certo, mas em limites muitíssimo mais restritos e que se manifesta sob modalidades perceptivas diversas das que eles supõem, modalidades que tiram todo valor à objeção em apreço; mal grado a isso, ela não infirmaria as conclusões a que chegamos, visto que o médium não poderia alcançar o seu objetivo, toda vez que se não verificassem as três modalidades experimentais exigidas para estabelecer-se a relação psíquica com uma pessoa ausente ou distante. Daí decorre que estaríamos habilitados desde já a proclamar a grande nova de que a demonstração científica da sobrevivência humana se acha conseguida pela Ciência. E, naturalmente, se assim é, pelo que respeita à especial categoria dos casos de identificação pessoal de defuntos que todos desconhecem, dever-se-á deduzir que não mais vem a pêlo acumular sofismas para negar valor probante aos casos de defuntos que ministram informações pessoais que todos os presentes ignoram, mas sabidas de pessoas ausentes que um dos experimentadores conhece. Ao demais, a última modalidade de manifestação atribuída à “telemnesia” não existe e é fácil demonstrá-lo, mediante a análise comparada dos casos dessa natureza.
Entretanto, para tal efeito, ser-nos-ia preciso desenvolver convenientemente o tema relativo aos poderes da telemnesia, evidenciando que ela, em realidade, se exterioriza sob modalidades bem diversas das imaginadas e que a tornam praticamente inaplicável ao nosso caso. Advirto, no entanto, que já fiz tal demonstração numa extensa monografia intitulada: Telepatia, Telemnesia e a lei da relação psíquica. Aqui, deverei limitar-me a mencionar as conclusões a que cheguei nesse meu laborioso esforço de análise comparada, da qual resulta que a hipótese da “telemnesia” só se patenteia suficientemente provada nos limites de um recebimento de informações “estritamente pessoais” com relação a um indivíduo ausente, que se ache em relação psíquica com o médium.
E isto ocorre – note-se bem – unicamente quando se trate de informações ou dados que se conservem ainda vivazes no liminar da consciência do médium, pois que, de fato, não existem provas a favor do recebimento de informações referentes a terceiras pessoas que aquele indivíduo conheça.
Postas as coisas nestes termos, segue-se que as deduções teóricas que se formulem com fundamento em tal modalidade de telemnesia terão alcance teórico muito diverso do que presumem os opositores, visto que, em semelhantes contingências, a telemnesia não se exercitaria ativamente, selecionando, mas passivamente, recebendo impressões, o que restringe em limites muito apertados a potencialidade da mesma telemnesia. Este último reparo assume grandíssima importância teórica, conforme adiante demonstraremos.
Ora, ao contrário, nos casos de identificação espirítica conseguidas com aquela médium, verifica-se que os defuntos que se comunicam ministram, por vezes, pormenores concernentes a terceiras pessoas conhecidas do mencionado indivíduo ausente, pormenores que não podem ser tomados à consciência do experimentador, pela razão de que este os não conhecia. É verdade que, na hipótese da presença espiritual do defunto que se comunica no lugar da experiência, não haveria a perplexidade teórica que apreciamos, uma vez que os pormenores de que se trata concernem sempre aos familiares e aos amigos do defunto; mas, do ponto de vista da discussão em curso, cumpre não se leve em conta essa lógica interpretação dos fatos.
Cinjo-me, portanto, a reproduzir os instrutivos diálogos que travaram o Rev. Drayton Thomas e a personalidade mediúnica de seu pai e de sua irmã Etta, por ocasião de alguns incidentes do gênero.
Assim falou Etta e o pai do Rev. Thomas afirma a mesma coisa, referindo-se à “aura” daquele que faz de experimentador. Informa ele: Pouco mais adiante, acrescenta: Comenta assim o Rev. Drayton Thomas: Em face do exposto, faz-se notório que os episódios de tal natureza são radicalmente diversos dos aqui considerados e, portanto, não constituem, verdadeiramente, “exceções” à regra formulada antes, visto que, no caso do Rev. Drayton Thomas, não se tratava de informes mnemônicos concernentes a terceiras pessoas conhecidas do indivíduo ausente e apanhados ativamente na sua subconsciência, mas de pensamentos que terceiras pessoas lhe dirigiram e percebidos passivamente pelo médium, por permanecerem durante algum tempo presos à “aura” das pessoas a quem eram dirigidos. Noutros termos: achamo-nos em presença de um fenômeno ordinário de transmissão telepática do pensamento, com a diferença de que o impulso telepático, por fraco, não surgiria na consciência normal do paciente, enquanto que por intermédio de um Espírito comunicante o dito pensamento seria perceptível na “aura” do indivíduo que o recebera. Ora, se bem tudo isto se revele muito interessante e instrutivo sob outros aspectos teóricos, nada tem de comum com a questão aqui considerada, em que se trata de invasões selecionadoras nas subconsciências de terceiros e não de percepções passivas na “aura” de outrem. Eliminada esta primeira dúvida teórica, restam por esclarecer uma segunda, consistente no fato de haver episódios que aparentemente contradizem uma das proposições maiores, contidas na tese propugnada, proposição segundo a qual, também no caso de informes estritamente pessoais e referentes ao indivíduo com quem os sensitivos ou os médiuns se acham em relação, se notaria que os informes percebidos dizem respeito sempre ao pensamento atual do mesmo indivíduo, ou a vibrantes recordações ainda vivazes no limiar da sua consciência. Quer dizer que uma relativa vivacidade latente nas lembranças é condição indispensável para que elas sejam percebidas pelos sensitivos e pelos médiuns, de acordo com o asserto de que as suas faculdades supranormais... Pois bem: conquanto fundado se mostre este último asserto, não deixam de haver episódios que aparentemente o contradizem e que consistem em serem colhidos acontecimentos mais ou menos antigos do passado de outrem.
Eis aqui um exemplo desse gênero, que tomo ao vol. XI, página 124 dos Proceedings of the S. P. R. . Como explicar semelhante forma de visualização verídica? Penso que era simbólica e que figurava uma espécie de advertência com relação à atmosfera moral que circunvolvia o homem que eu tinha diante de mim – uma amostra das suas qualidades de gentil-homem. E essa minha impressão veio a justificar-se pelo fato de que as desconfianças que se geraram em mim por efeito daquela visão foram amplamente confirmadas pelos sucessos desastrosos que se seguiram. Tais visualizações me parecem análogas às que se produzem por meio da psicometria e não são visões telepáticas, mas “impressões psíquicas”.
Afigura-se-me absurdo que a cena por mim visualizada, ocorrida dez anos antes, estivesse, naquela ocasião, presente à mentalidade do protagonista.” Eliminada essa hipótese, eis-nos em face de um exemplo, acorde com tudo quanto temos feito observar, em que uma sensitiva percebe, nas subconsciências de outros, informes pessoais de data muito antiga. Para as conclusões teóricas a serem formuladas, ainda uma vez importa evidenciar, em primeiro lugar, que, no episódio em questão, o incidente ocorrido concernia à existência pessoal do protagonista e não a sucessos referentes a um terceiro que ele desconhecesse. Em segundo lugar e do ponto de vista em que nos colocamos, cumpre notar que o incidente visualizado, embora afastado no tempo, era de natureza a imprimir-se indelevelmente no ânimo daquele que o sofrera, de modo a ficar vibrando permanentemente – por assim dizer – no limiar da consciência de quem fora nele protagonista e tornando-se dessa maneira perceptível, sob a forma objetivada de uma visão, pela sensitiva à qual nos referimos. Penso haver, assim, dissipado a contradição que parecia existir entre os casos do gênero desse de que falamos e a assertiva de que as faculdades supranormais dos médiuns recolhem passivamente o pensamento de outrem , caso em que se faz evidente que apenas devem eles perceber os pensamentos atuais, ou os pensamentos que ainda vibram vivazes no limiar da consciência do indivíduo com que os aludidos médiuns se acham em relação.
Daí decorre que os casos da natureza desse que acabamos de apreciar provam somente que se dão na vida dos indivíduos acontecimentos mais ou menos dramáticos que, pelas tempestades emocionais que suscitam no ânimo de quem neles foi protagonista, conservam uma gradação vibratória que os mantém permanentemente vivazes no limiar da consciência do mesmo protagonista. Fica entendido, portanto, que os poderes das faculdades supranormais subconscientes já se podem circunscrever dentro de limites definidos, com o que cai das mãos dos opositores o único engenho ofensivo que lhes restava, engenho exuberantemente posto em ação, toda vez que lhes surgem dúvidas teóricas intransponíveis com o auxílio de hipóteses naturalísticas, tudo de perfeita boa fé. Nessa conformidade, também mais uma vez acentuo que, com o que deixo expendido, chego a uma terceira importantíssima conclusão teórica, em favor da existência e sobrevivência do espírito humano, conclusão a que seguirão outras análogas, igualmente incontestáveis, e que se mostrarão ao mesmo tempo resolutivas.
[111 - Capítulo II -
Os poderes supranormais da subconsciência |
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