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22 Anos
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Relato do Espírito Tiny

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____Fato tirado da obra de Mrs. Jessie Platts, The Witness. Trata-se de uma coleção de comunicações mediúnicas muito interessantes, obtidas graças à mediunidade da própria Mrs. J. Platts, viúva do Rev. Charles Platts, que teve a infelicidade de perder seus dois filhos na grande guerra. As comunicações publicadas provêm do filho mais moço, Tiny, rapaz de 18 anos apenas, morto quando combatia na frente francesa, em abril de 1917, e que se comunicou psicograficamente, mercê da mediunidade improvisada de sua mãe, no ano seguinte, quando a guerra continuava mais terrível do que nunca. Forneceu provas diretas e indiretas de sua identidade pessoal. As diretas consistiam nisto: anunciava à sua mãe a entrada, no mundo espiritual, de outros Espíritos de militares, mortos em combate naquele momento; depois de alguns dias, vinham efetivamente notícias oficiais da morte desses mesmos combatentes. Informara ele, a sua mãe, de que servia de simples instrumento transmissor de ensinos que lhe confiava um Espírito missionário, o qual, quando vivo, fora um eclesiástico de nome Padre Hilarion. Ora, Mrs. Platts ignorava que essa personagem houvesse realmente existido. Chegou a verificá-lo, documentando-se a respeito. Isto dito, a fim de pôr em plena luz o valor das mensagens em questão, entro a referir a passagem que concerne à chegada do filho da Sra. Platts ao meio espiritual. Eis o que ele escreveu:

  • “Os seres que vivem no meio terrestre muito têm que aprender acerca do estado que os espera depois_da_morte, isto é, do instante em que o Espírito se destaca do organismo corporal. é-me permitido falar-te disso rapidamente nesta mensagem. Começo por dizer que não haverá dois Espíritos desencarnados que tenham de passar pela mesma experiência a tal respeito. Entretanto, essas experiências variadas apresentam uma circunstância comum: é que todos os Espíritos imaginam a princípio estar ainda entre os vivos e os que atravessaram uma agonia de sofrimentos ficam profundamente surpreendidos de se acharem curados de súbito. Tal é a alegria que experimentam, que julgo ser essa a impressão mais forte que se possa sentir, depois da crise_da_morte. Quando morri, ou, mais exatamente, quando meu corpo morreu, eu me julgava mais vivo do que nunca e esperava receber ordem de um novo pulo para frente (ao ser ferido pelo projétil que me matou, estávamos separados do nosso regimento e tentávamos, com grandes precauções, pôr-nos de novo em contato com ele).
  • Algumas vezes, os Espíritos desencarnados, ao se acharem sós num meio desconhecido, são tomados de grande pavor; mas isso só se dá com os que em vida foram profundamente egoístas e nunca dirigiram seu pensamento a Deus. Contudo, em chegando o momento, esses Espíritos são ajudados e animados, a sua vez, por seus “ Espíritos-guias”, mas preciso lhes é, primeiro, adquirirem uma espiritualidade suficiente, para se acharem em condições de perceber os “Espíritos-guias”.
  • Quase todos os desencarnados passam por um período de sono_reparador, que pode durar um dia ou dois, como pode durar semanas e meses; isto depende das circunstâncias em que morreram. No meu caso, eu fora morto de maneira fulminante, não sofrera, não passara por enfermidades exaurentes; apesar disso, porém, estive mergulhado no sono durante cerca de uma semana, porque, tendo sido súbita a minha morte, meu “ corpo fluídico” fora bruscamente arrancado do “ corpo somático”, com um contragolpe sensível sobre o primeiro.
  • Quando, entre os Espíritos recém-chegados, há os que se encontrem ligados por vivas afeições a outros Espíritos desencarnados algum tempo antes, estes últimos lhes acorrem ao encontro, antes que passem pela fase do sono reparador. Não se pode imaginar ventura maior do que a desses encontros no meio espiritual, após longas separações que pareciam definitivas. Se bem os Espíritos saibam que terão de separar-se ainda por certo tempo, não o lamentam, por estarem cientes de que estas separações já não serão quais as anteriores. E, quando os Espíritos recém-chegados despertam do sono reparador, seus “guias” intervêm, para informá-los do adestramento espiritual que a cada um se acha reservado.”

____A narração que precede é especialmente interessante, porque resume em duas páginas as modalidades essenciais em que se desenrola normalmente a crise_da_morte, para a grande maioria dos vivos, modalidades que, no entanto, variam enormemente nos casos extremos de personalidades de vivos que desencarnam em condições muito evolvidas, ou muito degradadas, de espiritualidade.
____Termino lembrando que Mrs. Jessie Platts foi levada a cogitar de pesquisas mediúnicas e a tentar escreve automaticamente, pela morte de seus dois filhos na guerra. Ela, pois, nada conhecia – ou muito pouco – das doutrinas_espíritas e tudo ignorava acerca do conteúdo das outras coleções de revelações transcendentais.

[106 - páginas 37 / 42] - Ernesto Bozzano - (Gênova, 9 de janeiro de 1862 - 24 de junho de 1943)

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