Remonta
à mais alta antigüidade o uso dos sacrifícios humanos.
A explicação para que o homem tenha sido levado a crer que tais coisas pudessem agradar a Deus, está em, principalmente, porque não compreendia Deus como sendo a fonte da bondade.
Não foi de um sentimento de crueldade que se originaram os sacrifícios humanos.
Originaram-se
de uma ideia errônea quanto à maneira de agradar a Deus. Com o correr dos tempos, os homens entraram a abusar dessas práticas, imolando seus inimigos comuns, até mesmo seus inimigos particulares.
Deus, entretanto, nunca exigiu sacrifícios, nem de homens, nem, sequer, de
animais.
À
proporção que se foram melhorando, os homens tiveram que reconhecer o erro em
que laboravam e que reprovar tais sacrifícios, com que não podiam conformar-se
as ideias de Espíritos esclarecidos.
Digo - esclarecidos, porque os Espíritos
tinham então a envolvê-los o véu material; mas, por meio do livre-arbítrio,
possível lhes era vislumbrar suas origens e fim, e muitos, por intuição, já
compreendiam o mal que praticavam, se bem que nem por isso deixassem de
praticá-lo, para satisfazer às suas paixões.
Como
temos dito e sempre repetiremos, a prece proferida do fundo da
alma é cem vezes
mais agradável a Deus do que todas as oferendas que lhe possais fazer.
Repito
que a intenção é tudo, que o fato nada vale.
As
chamadas guerras santas foram promovidas por povos fanáticos, tendo em vista agradar
a Deus, a exterminarem o mais possível os que não partilhavam de suas crenças.Foram impelidos pelos maus Espíritos e, fazendo a guerra aos seus semelhantes, contravêm à vontade de Deus, que manda ame cada um o seu irmão, como a si mesmo. Todas as religiões, ou, antes, todos os povos adoram um mesmo Deus, qualquer que seja o nome que lhe dêem.
Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dessemelhavam dos
antropopitecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até
que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações
do orbe os primeiros
organizadores do pensamento religioso
que, de acordo com a mentalidade geral, não
conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles
seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade.
Começaram aí os
primeiros sacrifícios de sangue aos ídolos de cada facção, crueldades mais longínquas que as praticadas nos tempos de Baal,
das quais tendes notícia pela História. [71 página 25]
Para Deus, o mundo não
mais deveria persistir no velho costume de sacrificar nos altares materiais, em seu nome,
razão por que enviou aos homens a palavra do Cristo,
a fim de que a Humanidade aprendesse a sacrificar no altar do coração,
na ascensão divina dos sentimentos
para o seu amor.
Devido ao temor das represálias depois da minha morte, os discípulos não se libertaram completamente do Antigo Testamento.
Assim, muito do que existe no Antigo Testamento foi passado para a religião "Cristã". Como alternativa ao sacrifício de animais, o corpo e o sangue de "Jesus" são oferecidos pelos sacerdotes no altar. Após muitos anos e de Roma assumir o posto de protetora da religião "Cristã", assim como os sacerdotes Judeus já haviam feito antes, também os sacerdotes "Romanos" se vestiram com caríssimas roupas e utilizaram acessórios de prata e ouro para as cerimônias religiosas.
Nos tempos de Paulo, isso teria sido inconcebível.
Ele estava perpetuando uma tradição Judaica de "sacrifício do outro para pagar pelos seus próprios pecados". Ele delineou um modo de pensamento e conduta diária que trazia harmonia às vidas daqueles que procuravam viver de acordo com os seus ensinamentos. É bem provável que alguns Judeus tradicionalistas, vociferando outra vez, hostilizem as minhas palavras nesta segunda vinda. Eles se ressentirão de minha constante referência à antiga prática Judaica de sacrificar animais e pássaros nos templos para agradar a Deus e obter o perdão dos pecados.
Porém, sejam quais forem as suas objeções, o fato histórico continua sendo que o Templo era um lugar para oferecer sacrifícios e que o cheiro era
sentido em toda a Jerusalém.
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