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Criando novas necessidades, a civilização constitui uma fonte de novas aflições. Os males deste mundo estão na razão das necessidades factícias que vos criais. A muitos desenganos se poupa nesta vida aquele que sabe restringir seus desejos e olha sem inveja para o que esteja acima de si.
O que menos necessidades tem, esse o
mais rico.
Sabeis, porventura, o que lhes
está reservado? Deveis, de preferência, lastimá-los.
Deus algumas vezes
permite que o mau prospere, mas a sua felicidade
não é de causar inveja, porque com lágrimas amargas a pagará.
Verdadeiramente infeliz o homem só o é quando sofre a
falta do necessário à vida e à saúde do corpo.
Todavia, pode acontecer que essa privação seja de sua culpa. Então, só tem que se queixar de si mesmo.
Se for ocasionada por outrem, a
responsabilidade recairá sobre aquele que lhe houver dado causa.
O
que para um é supérfluo representa para outro o necessário e, reciprocamente,
de acordo com as posições respectivas.Conforme às vossas ideias materiais, aos vossos preconceitos, à vossa ambição e às vossas ridículas extravagâncias, a que o futuro fará justiça, quando compreenderdes a verdade. Não há dúvida de que aquele que tinha cinqüenta mil libras de renda, vendo-se reduzido a só ter dez mil, se considera muito desgraçado, por não mais poder fazer a mesma figura, conservar o que chama a sua posição, satisfazer a todas as paixões, etc. Acredita que lhe falta o necessário.
Mas, francamente, achas que seja
digno de lástima, quando ao seu lado muitos há, morrendo de fome e frio, sem
um abrigo onde repousem a cabeça?
Aquele que é ponderado conhece o limite do necessário, por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa.
Mediante a organização que nos deu, a Natureza traçou o limite das nossas necessidades.
Mas o homem é insaciável.
Aqueles
que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo,
com prejuízo daqueles a quem falta o necessário,
olvidam a lei
de Deus e terão que responder pela privações que houverem causado aos outros.Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A Civilização criou necessidades que o selvagem desconhece e os Espíritos que ditaram os preceitos acima não pretendem que o homem civilizado deva viver como o selvagem.
Tudo é
relativo, cabendo à razão regrar as coisas.
Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só
têm a máscara.
O dinheiro ou a necessidade material, a doença e a saúde do corpo são condições educativas de imenso valor para os que saibam aproveitar o ensejo de elevação em sua essência legítima. EMMANUEL |
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