Para
muitas pessoas, o temor da morte é uma
causa de perplexidade, falece-lhes fundamento para semelhante temor.
Mas, que queres! Se procuram persuadi-las, quando crianças, de que há
um inferno e um paraíso
e que mais certo é irem para o inferno, visto que também lhes disseram que o
que está na Natureza constitui pecado mortal para a alma!
Sucede então
que, tornadas adultas, essas pessoas, se algum juízo têm, não podem admitir
tal coisa e se fazem atéias, ou materialistas. São assim levadas a crer
que, além da vida presente, nada mais há.
Quanto aos que persistiram nas
suas crenças da infância, esses temem aquele fogo eterno que os queimará sem
os consumir.
Ao
justo, nenhum temor inspira a morte, porque,
com a fé, tem ele a certeza do futuro.
A esperança
fá-lo contar com uma
vida melhor; e a caridade,
a cuja lei obedece, lhe dá a segurança de que, no mundo para onde terá de ir,
nenhum ser encontrará cujo olhar lhe seja de temer.
- O homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual tem,
na Terra, penas e gozos materiais. Sua felicidade consiste na satisfação
fugaz de todos os seus desejos.
Sua alma, constantemente preocupada e angustiada pelas vicissitudes
da vida, se conserva numa ansiedade e numa tortura perpétuas. A morte o
assusta, porque ele duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo todas as
suas afeições e esperanças.
- O homem moral, que se colocou acima das necessidades factícias criadas
pelas paixões, já neste
mundo experimenta gozos que o homem material desconhece. A moderação de
seus desejos lhe dá ao Espírito calma e serenidade. Ditoso pelo bem que
faz, não há para ele decepções e as contrariedades lhe deslizam por sobre a
alma, sem nenhuma impressão dolorosa deixarem.
[9a - página 437 questão 941]
Quem teme a morte é o homem, não o Espírito.
Aquele
que a pressente pensa mais como Espírito do que
como homem.
Compreende ser ela a sua libertação e espera-a.
[9a - página 392 questão 858]
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