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Dr. Max Bernstein
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Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
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Sobre a Origem Extraterrestre das Espécies
Moléculas do Espaço e as Origens da Vida, publicado em
Strange Horizons , em 06/04/2001

____O que nós fazemos, em efeito, é uma experiência do tipo Miller-Urey no espaço. Em vez de cozinhar um pouco da Terra em um frasco, como eles fizeram, nós preparamos um pequeno cometa ou um pouco de espaço interestelar em uma caixa de metal. Nós estamos servindo um daiquiri espacial congelado, em lugar de uma sopa primordial, mas a meta final é a mesma: fornecer sustentação para moléculas orgânicas.
____O aparelho é essencialmente uma câmara de metal evacuada que pode ser esfriada a alguns graus Kelvin (-440 F), ao centro da qual um substrato (ou um único cristal de sal grande ou um quadrado de chapa de metal, dependendo do que está estando medido) está suspenso. É difícil conseguir uma temperatura tão baixa a menos que a câmara esteja sob vácuo, assim a nossa contém ao redor de cem bilionésimos de uma atmosfera. Nós então cultivamos gelos na superfície deste substrato ao liberar gases na câmara; a tais baixas temperaturas quase tudo (menos hidrogênio e hélio) gruda e se congela. Uma vez que nós cultivamos um gelo, nós medimos sua absorção de luz (incluindo freqüências não visíveis ao olho humano) para comparar nossos resultados com as observações de astrônomos de matéria interestelar; um teste de gosto de nosso daiquiri se você desejar. Além disso, nós podemos fazer outras medidas, observando como os gases congelados simples são convertidos em moléculas maiores sob a ação de fótons de alta-energia, idênticos àqueles no espaço.
____Por exemplo, de moléculas simples de um átomo de carbono geralmente observadas no meio interestelar, como álcool_de_metil, nós fazemos moléculas muito maiores e mais complexas sob condições que são representativas de nuvens interestelares densas. Estas moléculas são bem parecidas com aquelas que são vistas em meteoritos e IDPs, tanto em termos de estrutura quanto de outras propriedades que exibem. Por exemplo, nós mostramos que a fotoquímica de gelo interestelar fornece uma explicação para a presença em meteoritos das estruturas químicas chamadas quinonas. Estas estruturas são interessantes porque estão onipresentes na natureza desempenhando funções bioquímicas fundamentais em todas coisas vivas (i.e. mediando transporte de elétrons).
____Além de demonstrar semelhanças estruturais, também é edificante notar outras qualidades (especialmente funcionais) que nossos produtos simulados compartilham com moléculas extraterrestres autênticas. Meu colega, Dr._Jason_Dworkin, mostrou que as moléculas que ele faz nas suas simulações são capazes de se auto-estruturar em vesículas (estruturas ocas com duas camadas parecidas com membranas), que muitos acreditam terem sido absolutamente essenciais para o desenvolvimento da vida. Estas estruturas já tinham sido observadas por nosso amigo Dr._David_Deamer (UC Santa Cruz) nos seus estudos de meteoritos ricos em carbono. Assim, os primeiros lares nos quais a vida residiu podem muito bem ter sido construídos de materiais feitos no meio interestelar.
____Outro atributo interessante de moléculas do espaço é que uma vez que elas se formam ou são modificadas próximas do zero absoluto, elas são freqüentemente ricas em deutério, como mencionado acima. Realmente, isto é tão comum e bem conhecido entre cientistas espaciais que a presença de deutério é freqüentemente usada como um método de testar se um composto é de fato do espaço. Enquanto este uso do deutério como uma demonstração do pedigree interestelar de moléculas meteoríticas seja aceito, ainda não é completamente entendido como o deutério chega lá. Em nossas experiências nós ocasionalmente acrescentamos deutério deliberadamente a um dos materiais iniciais para ver onde ele vai para tentar entender a distribuição de deutério observada em meteoritos e IDPs.
____Finalmente, a característica que pode constituir a evidência mais provocante de uma ligação entre aminoácidos_extraterrestres e vida_na_Terra é a quiralidade. Certas moléculas orgânicas são construídas de forma que imagens-espelho da mesma molécula são em todos os sentidos idênticas, exceto pelo fato de que as duas não podem ser fisicamente sobrepostas. Esta característica é chamada quiralidade[handedness], análoga a nossas mãos esquerda e direita que são imagens espelho mas não podem ser sobrepostas. Esta característica de certas moléculas orgânicas, incluindo muitos aminoácidos, pode prover uma pista crucial da ligação entre moléculas orgânicas extraterrestres e a origem da vida.

O Dr. Max Bernstein é um cientista espacial que trabalha no NASA Ames Research Center através de um acordo de cooperação com o Instituto SETI. Ele estuda a fotoquímica de gelos em nuvens interestelares, cometas, e outros corpos no sistema solar exterior; você pode aprender mais sobre sua pesquisa visitando o website de seu laboratório. Este artigo foi traduzido com sua gentil permissão, e publicado com o consentimento do excelente Strange Horizons.

http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/etorigem.htm

Na poeira cósmica, síntese da vida, temos as atrações magnéticas profundas;

[41a página 184] EMMANUEL - 1940

Ver também:
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