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TRANSFORMAÇÕES DOS PARASITAS Temos, assim, na larga escala dos acontecimentos dessa ordem, os parasitas temporários, quais as sanguessugas e quase todos os insetos hematófagos, que apenas transitoriamente visitam os hospedadores; os ocasionais ou os pseudoparasitas, que sistematicamente não são parasitas, mas que vampirizam outros animais, quando as situações do ambiente a isso os conduzam; os permanentes de desenvolvimento direto, que dispõem de um hospedador exclusivo e a cuja existência se encontram ajustados por laços indissolúveis, quase todos relacionáveis entre os endoparasitas; os parasitas chamados heteroxênicos, que se fazem adultos, em ciclo biológico determinado, contando com um ou mais hospedeiros intermediários, quando se encontram em período larval, para atingirem a forma completa no hospedeiro definitivo; os hiperparasitas, que são parasitas de outros parasitas.
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TRANSFORMAÇÕES DOS HOSPEDEIROS Todavia, se os parasitas podem acusar expressivas transformações, à face do novo regime de existência a que se afeiçoam, os resultados de tais associações sobre o hospedeiro são mais profundos, porque os assaltantes, depois de instalados, se multiplicam, ameaçadores, estabelecendo espoliações sobre as províncias orgânicas da vítima, sugando-lhe a vitalidade, traumatizando-lhe os tecidos, provocando lesões parciais ou totais ou estendendo ações tóxicas, como a exaltação febril nas infecções, com que, algumas vezes, lhe apressam a morte. Nessa movimentação perniciosa ou letal, conseguem irritar as células ou destruí-Ias, obstruir cavidades, seja nos intestinos ou nos vasos, embaraçar funções e obliterar glândulas importantes, quais as glândulas genitais, que podem levar até à castração, embora os recursos defensivos do hospedeiro sejam postos em evidência, criando exércitos celulares de combate às infestações, expulsando os invasores por via comum, ou neutralizando-lhes a penetração, pelas membranas fibrosas que os envolvem, encistando-os a princípio, para aniquilá-los, depois, em pequeninos invólucros calcificados, no interior dos tecidos. E lembrando os efeitos de certos parasitas heteroxênicos, que se desenvolvem no hospedeiro intermediário para alcançar a posição adulta no hospedeiro definitivo, bastará menção especial aos tripanossomas que, em espécies várias, se multiplicam nos tecidos e líquidos orgânicos, traçando aflitivos problemas da parasitologia humana, em complicadas operações de transmissão, evolução e instalação no quadro fisiológico de suas vítimas.
Vale citar, dentre eles, o "Trypanosoma cruzi” que
se hospeda, habitualmente no intestino médio de um "triatoma” ou de
outro reduviídeo, onde apresenta formas arredondadas em divisão para adquirir
novamente a forma de tripanossoma no intestino posterior do hemíptero que,
vivendo à custa de sangue, obtido por picada, vem a transmiti-lo pelas fezes,
ao organismo humano, no qual, geralmente, passa a residir, em forma endocelular,
nos músculos, no sistema nervoso, na medula dos ossos ou na intimidade de
tecidos outros, aí se difundindo, na medida das resistências que lhe ofereça
o mundo orgânico, desempenhando o papel de carrasco microscópico a perseguir e
aniquilar populações indefesas. [56 - página 113] |
