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106. A massagem magnética nada tem de comum com a massagem denominada médica.
É baseada sobre os princípios diferentes e produz efeitos opostos.
O movimento circulatório sanguíneo se opera em dois estágios bem determinados:
Esta última funciona sob a dependência absoluta do impulso arterial que, regulada pelos dilatadores e os constritores dos nervos vaso-motores, se acha, por sua vez, sob a dependência estreita do influxo nervoso do grande simpático.
A distribuição da força motora em uma usina fornece-nos uma imagem patente deste
funcionamento dos mecanismos vitais: vemos efetivamente a força motora, partindo de
focos de produção, transmitir-se por meio de correias de transmissão às engrenagens
que devem utilizá-la industrialmente. Assim se dá com a máquina humana: O grande simpático, verdadeiro foco produtor da força motora, transmite-a pelo sistema dos vaso-motores originados dele e que funciona inteiramente ao longo dos condutos arteriais à maneira dos órgãos industriais de transmissão, na rede periférica dos capilares onde se vêm engrenar a represa venosa, e é neste ponto de engrenagem da força nervosa sobre a rodagem viva, que começa a verdadeira função industrial do sangue. Impelida com energia, do coração aos capilares, em toda a extensão da rede arterial, pela enervação do grande simpático e dos nervos vaso-motores, o sangue, que chega de um só jato, é tomado novamente à saída dos capilares pela rede venosa, cujas válvulas, dispostas à maneira das válvulas de engrenagem, o impulsam de novo e lentamente para o coração.
Assim, na máquina humana, é o impulso arterial que engendra o movimento venoso,
do mesmo modo que na usina a força de transmissão imprime a marcha da engrenagem
arterial.
O que se diria de um operário, que em lugar de servir-se da força reguladora de
transmissão para fazer trabalhar o seu instrumento lhe substituísse a irregularidade de
sua ação pessoal? 107. A massagem magnética compreende fricções, malaxações, pressões, percussões, atitudes e movimentos. Imposições e passes
108. Nas imposições e passes feitos por cima das roupas e à distância, a ação magnética se
exerce de maneira puramente dinâmica; porém, a toda a manipulação direta sobre a
pele, se juntam ao efeito magnético dinâmico dois novos fatores: os efeitos calóricos e
os efeitos mecânicos.
A combinação das ações puramente magnéticas e de massagem excita pois no organismo o duplo movimento alternativo das forças centrífugas e centrípetas, por meio do qual podem-se imprimir tão profundas modificações na economia. O metodista Cassius, que colocava a causa das febres nos centros viscerais, fundava a sua terapêutica sobre esta idéia de reações centrífugas e centrípetas.
O Dr. Nemand. de Berlim, desenvolveu magistralmente, sob o título de "Movimento
concêntrico e excêntrico" esta tese que serve de base aos seus processos terapêuticos. Fricções
109. As fricções se distinguem em palmares e digitais, fricções longitudinais e rotatórias.
110. As fricções palmares fazem-se com a mão aberta, e com uma impressão bem em cheio, ficando os dedos ligeiramente afastados sem contração nem rigidez. 111. As fricções digitais se fazem com a mão aberta, ficando os dedos ligeiramente afastados e um pouco curvados sem crispações nem rigidez, o punho erguido, para que só a ponta dos dedos se dirija sobre a pele. 112. As fricções longitudinais se fazem, ou com a mão aberta e em cheio, ou somente com a ponta dos dedos, inteiramente ao longo dos membros e do corpo; do ombro à extremidade da mão, do quadril ao joelho, do joelho à extremidade do pé, da nuca até abaixo dos rins, da cabeça aos pés, etc.
Estas fricções se fazem com muita lentidão; são precisos cerca de quinze segundos
para ir do ombro à extremidade do braço, ou do quadril ao joelho, um minuto para ir da
cabeça aos pés, e, ao contrário do que se pratica na massagem médica, onde as
fricções se fazem por um movimento de vaivém e indiferentemente de cima para baixo e
de baixo para cima, as fricções magnéticas, nunca é demais repeti-lo, são
invariavelmente descendentes, e a ação ascendente que caminha em sentido inverso
das correntes, é antimagnética.
Prospér Alpini, que viajou pelo Egito no ano de 1580, deixou uma obra muito
importante sobre a medicina dos egípcios.
Em caso algum é necessário inflamar a epiderme ou ofender os tecidos subjacentes,
e é preferível não empregar óleo, sabão, pomada, ou banha. Numerosos fatos permitiram-me constatar a influência que exercem sobre a pele as fricções medicamentosas, mesmo as que se consideram ordinariamente como as mais inofensivas, o álcool canforado por exemplo.
Eis aqui um destes fatos: Eu tratava de uma paraplegia em um indivíduo, de 58 anos de idade. Malaxações
115. A malaxação é uma espécie de petrificação das regiões musculares feita com as duas
mãos, sempre de cima para baixo, segundo o trajeto do músculo desde o seu ponto de
inserção até ao de ligamento.
Não se deve empregar força nem aspereza nas malaxações, mas é preciso exercer
sobre os tecidos compressões brandas sucessivas, tendo as mãos bem abertas, de
modo que a ação compressiva venha antes da palma do que dos dedos, os quais,
distendendo-se e fechando-se alternativamente devem sempre conservar uma grande
delicadeza. Para malaxar o abdome, parte-se da região ilíaca esquerda, arrastando de cima para baixo os fluidos elásticos do cólon para o reto; executa-se depois a mesma manobra sobre a região ilíaca direita, em seguida sobre o cólon transverso e o intestino delgado.
A malaxação abdominal pode ser também feita circularmente, começando de baixo
para cima sobre o lado direito do abdome, seguindo depois transversalmente de um
hipocôndrio para outro, e finalmente de cima para baixo sobre o lado esquerdo, devendo
estar o corpo do paciente numa posição tal que as paredes abdominais se achem
inteiramente relaxadas. As malaxações eram muito empregadas contra as ankyloses das articulações na medicina grega, e o próprio Hipócrates referia-se a ela muitas vezes em seus escritos. "O médico, dizia ele, necessita saber muitas coisas; não deve ignorar que vantagem pode auferir das malaxações; elas produzem efeitos inteiramente opostos entre si: ou apertam as articulações frouxas, ou relaxam as articulações tensas; exporei num tratado especial o método de fazer malaxações e a sua utilidade." Infelizmente, ou este tratado não foi feito, ou perdeu-se; de qualquer maneira não chegou até nós. (Aubin Gauthier) Pressões
118. Apesar do cuidado que se deve ter de banir da massagem magnética toda a ação brutal
ou violenta, há casos em que se deve exercer sobre certos pontos do corpo
compressões para favorecerem uma ação curadora.
As pressões se executam geralmente com os polegares, e se fazem na maioria dos casos sobre o trajeto das artérias, sobre as carótidas dos dois lados do pescoço, sobre a dobra do braço na região da sangria, sobre a artéria por baixo da articulação do joelho, sobre a artéria na dobra da virilha. Também se operam compressões por baixo das clavículas, sobre os ovários, sobre o grande nervo ciático, sobre o plexus lombar, sobre o umbigo. A compressão das carótidas consegue combater os acessos de cefalalgia[11] e enxaquecas, as convulsões e as nevralgias faciais. A compressão do nervo ciático e do plexus lombar debela as dores nevrálgicas dos rins, dos joelhos, dos pés e em geral das extremidades inferiores. A epistaxe[12] cede algumas vezes a um leve movimento de pressão na parte superior do nariz; é preciso sentar o doente com a cabeça levantada e passiva, segurar a parte superior do nariz com o polegar e o indicador e, depois de uma compressão de alguns minutos, imprimir a esta região do nariz um movimento bem acentuado de tremor ou vibração. Este gênero de compressão é aplicado também com êxito no coriza, principalmente em começo. Uma simples pressão de alguns minutos, seguida de insuflações quentes sobre a raiz do nariz, basta para suster um defluxo de cabeça em seu começo. Segundo a opinião do Dr. Frederico Hoffmann, quando se exerce uma pressão de cima para baixo sobre o nervo frênico, obtém-se a revivificação da ação do diafragma. As compressões têm também uma ação muito notável nas crises epilépticas, e principalmente para combater-lhes os prodromos. Basta algumas vezes comprimir fortemente a barriga das pernas, a curva do braço ou a cavidade da clavícula, para deter a aura. Percussões
119. As percussões são ainda um excelente meio mecânico para convergir os sucos
nutritivos nos pontos onde parece que eles não mais voltam.
A percussão praticada inteligentemente desperta os espíritos vitais, e os chama aos seus deveres e às suas funções, atraindo as correntes para a parte percutida.
Poderíamos dar numerosos exemplos de migrações para as partes do corpo que por
circunstâncias, têm de sofrer subitamente um esforço externo mais considerável.
Não se bate na palma das mãos de uma pessoa que tem um deliquio, como se se
quisesse chamar à periferia os espíritos vitais que refluem para os centros?
120. A percussão é um meio seguro e vantajoso de infundir de novo nos músculos
edemaciados a redondeza e a amplidão que perderam e de fazer perder as grandes
barrigas; neste último caso principalmente, evita-se assim o perigo das cintas, das
ataduras e de todos os agentes compressivos, que possuem o grave defeito de recalcar
a massa intestinal para o diafragma e de ocasionar sufocações ou congestões nocivas à
saúde.
Depois do emprego das imposições e dos passes magnéticos, a percussão é indubitavelmente o agente complementar mais seguro e mais inofensivo que permite remediar ao mesmo tempo dois vícios de constituição bem opostos na aparência, a obesidade e a magreza, combatendo a inércia das vísceras, o estado de inação e de estupor dos vasos absorventes, e favorecendo a nutrição dos tecidos. Nos casos de edemacia, as percussões dão tonicidade às funções e favorecem as assimilações: nos casos de obesidade forçam as eliminações e obrigam a economia a absorver as reservas. Os antigos, nossos mestres em muitas coisas, tinham acerca do dinamismo vital melhores idéias que nós.
Partindo deste princípio que o duplo movimento de composição e de decomposição,
que resume a vida na sua mais simples expressão, depende inteiramente do equilíbrio
das forças vitais, atribuíam o empastamento dos tecidos ou sua edemacia uma só e
mesma causa; a falta de equilíbrio destas forças, e, segundo eles, quer haja excedente
ou déficit nas reservas, era sempre a assimilação (esta importante função do organismo
encarregada de introduzir na torrente circulatória os produtos dissolvidos da digestão)
que não se operava normalmente. Os antigos para percutirem, em vez de servirem-se da mão (o que é mais profícuo, por causa da ação magnética que desenvolve) empregaram dois pequenos instrumentos, tendo cada um seu uso particular: a palheta e o flagício. A palheta (palmula ou ferula) era uma espécie de espátula em forma de delgada raqueta, provida de um cabo comprido, e feita de uma madeira branca muito leve coberta de pele, serim ou veludo. O flagício compunha-se de uma bexiga de porco, de carneiro ou de cordeiro, bem cheia de ar, e presa, um pouco afastada, a um cabo, de maneira a poder-se manejá-la facilmente.
A palheta empregava-se para dar pequenas pancadas repetidas nos músculos do
tronco e dos membros em que se quisesse chamar o afluxo do sangue, a fim de
reproduzir-se nessas partes assim flageladas uma intumescência favorável ao seu
desenvolvimento. A ferulação (é o nome que tinha este modo de tratamento) foi vivamente recomendada por Galeno, contra a hipocondria e a hidropsia.
Observai um indivíduo afetado de hiponcondria, diz o Sr. Dallay: parece que os seus
flancos estão distendidos, tumefatos, edemaciados, e nesta idéia, que nem sempre é
quimérica, ele os comprime com as mãos apertadas, e só percutindo é que os alivia e provoca erutações ruidosas, e algumas vezes essas dejeções biliosas que são seguidas
de uma calma tão agradável! Plínio fala igualmente da ferulação em seus escritos, e compara maliciosamente os médicos aos mestre-escolas, porque serviam-se da ferula como eles.
Em Roma, existiam certos estabelecimentos em que as damas romanas iam
secretamente procurar a rotundidade de formas e o viço que lhes faltavam, submetendose
aos golpes da palheta, que precisavam sofrer a fim de corrigir certos defeitos de
plástica.
Em suma, a extenuação dos membros pela ferula (membra extenuata ferulis
percutienda) tinha outrora grande voga.
A percussão se executa com a face palmar da mão ou somente com a ponta dos
dedos juntos, como se tamborilasse. Se bem que nesta operação se tenha algumas vezes empregado um instrumento como a palheta, a palmilha ou bexiga cheia de ar, não há instrumento mais inteligente do que a mão e os dedos para fazer irradiar com precisão as vibrações e os deslocamentos moleculares nas diferentes partes do organismo, para as quais a ação magnética, por meio das imposições e dos passes, começou a fazer convergir as correntes. Atitudes e movimentos
122. A natureza, pelos movimentos orgânicos espontâneos que produz às vezes sob a
influência magnética no decurso de um tratamento, prova-nos que possui por si mesma
meios poderosos para dissipar as obstruções, resolver os engurgitamentos, demorar ou
acelerar os movimentos circulatórios, exagerar ou diminuir o fluxo dos humores nas
articulações, nas glândulas e vísceras, regularizar a ação dos músculos e dos nervos,
favorecer as correntes em sua dupla marcha centrífuga e centrípeta, em uma palavra,
para destruir uma lesão ou estabelecer a unidade e o equilíbrio da máquina animal.
Eis aqui alguns exemplos desses admiráveis fenômenos de ginástica orgânica
espontânea, tomados da clínica do Sr. Huguet de Vars e da minha:
1ª) Observação. 2ª) Observação.
Durante uma das sessões magnéticas, ela se deixa escorregar da sua cadeira sobre
o tapete, e, deitada de costas, espicha o corpo e pede para colocar-me em pé sobre o
seu peito, ao nível das clavículas.
Para alargar o crânio, a doente, dando em seguida uma posição de declive à sua cabeça, deixou-se escorregar do plano horizontal em que se achava durante o tratamento, até que a cabeça estivesse a alguns centímetros do soalho, e conservou esta posição do busto revirado, com a cabeça para baixo, durante muito tempo.
Quanto ao coração, eis o processo que pôs em prática para dilatá-lo: depois de uma forte inspiração, fazia um esforço considerável e retinha nos pulmões, o mais que lhe era possível, o ar inspirado.
Durante o tempo deste longo esforço as palpitações do pulso e do coração
cessavam progressivamente até à parada completa deste órgão; a doente então tornava
a tomar respiração, e neste momento as palpitações do coração e do pulso tornavam-se
de uma freqüência tal que fora difícil contá-las. 3ª) Observação. 4ª) Observação. 5ª) Observação.
Este fenômeno se repete regularmente em cada sessão, até que cessou
subitamente, tendo a doente experimentado em seu estado uma notável melhora. É provável que a atitude tomada inconscientemente pela doente desde que caía sob a influência magnética, fosse indispensável à migração das correntes, e que a catalepsia da parte superior do corpo e dos membros, suspendendo a vida nestas partes, favorecesse a centralização dos espíritos vitais sobre os rosários fibrosos que invadiam a bacia, porque estes rosários tendo experimentado um deslocamento notável sob o esforço tentado pela natureza coincidiu que cessasse toda a ginástica orgânica. 6ª) Observação. Este fenômeno se renova em cada sessão durante uns quinze dias, depois desaparece progressivamente, ao mesmo tempo que se manifesta uma melhora notável no estado do doente.
Esta ginástica orgânica, sobrevindo tão inopinadamente e do mesmo modo desaparecida, tinha evidentemente favorecido, por uma migração terapêutica das forças, o reatamento regular das correntes no membro doente e feito cessar um estado nervoso congestivo que a inflamação dos tecidos contribuía para entreter. 123. Os numerosos exemplos que precedem, e que poderíamos multiplicar indefinidamente, demonstram com evidência que, às vezes, o organismo provoca espontaneamente os movimentos e as atitudes próprias a secundarem o esforço vital das correntes desenvolvidas pela ação magnética. Cumpre, portanto, não somente favorecer de todas as maneiras o desenvolvimento desses fenômenos quando eles se apresentam, como ainda procurar em certas circunstâncias (imitando neste ponto as obras da natureza), dar ao corpo do doente as atitudes mais convenientes para abreviar a cura.
Estas atitudes e estes movimentos exercem artificialmente uma influência sobre os
órgãos e sobre as funções que, por seu turno, imprimem aos tecidos modificações
sensíveis. Claude Bernard, o célebre fisiologista, em suas investigações experimentais acerca do grande simpático, mostra pelo fato seguinte, as metamorfoses que podem sofrer os tecidos vivos sob a influência especial do sistema nervoso.
O paciente, estando colocado numa atitude tal que toda a região abdominal fique em grande tensão, achando-se, por exemplo, a parte superior do corpo deitada um pouco para trás, com os braços levantados e bem estendidos, o operador se coloca diante dele, leva um dedo à cicatriz umbilical, formando os outros dedos um ponto de apoio, e por uma leve pressão vibratória perpendicular ao plano do corpo e continuada durante dez ou quinze segundos, comunica, aos gânglios do grande simpático, as vibrações do dedo. Depois de um tempo de repouso igual ao da ação, ele repete três vezes o mesmo movimento.125. Os processos artificiais mais apropriados para favorecerem ao organismo humano a migração terapêutica das forças são as atitudes e os movimentos. 126. As atitudes variam conforme cada caso particular: só a prática e a experiência podem guiar o operador na escolha da atitude que convém melhor ao paciente; ele o faz conservar sentado, deitado ou de pé, fá-lo levantar, estender ou encolher os membros, inclinar o busto para a direita ou a esquerda, etc. Os braços, fortemente levantados para o ar por cima da cabeça, sustam o corrimento do sangue nas hemorragias nasais e vaforecem a emissão das urinas nas retenções.
Durante a marcha de um destacamento de tropas, no mês de Julho, vinte e oito
epistaxes, dentre elas algumas muito abundantes, sobrevieram sob a influência de uma
insolação prolongada. (Gazette hebdomadaire de médecine et de chirurgie de Paris, 1885)
Existia na China um método de medicina muito antigo, chamado Cong-fou, espécie
de ginástica médica, que consistia em três partes essenciais:
Os físicos chineses explicavam deste modo os resultados que se podiam tirar das posições e das atitudes do corpo: A posição horizontal diminui o obstáculo da gravidade e por conseqüência, é mais favorável à circulação. A de estar em pé, deixando à ação da gravidade toda a sua resistência, é menos favorável à circulação. Pela mesma razão, conforme conservam-se os braços, os pés e a cabeça levantados, inclinados ou encurvados, modifica-se de uma certa maneira a circulação. O que retarda a circulação em um ponto dá-lhe mais força em outros. Quanto mais embaraçada está a circulação num lugar, tanto mais aumenta a sua impetuosidade quando desaparece o obstáculo.
Segue-se daí que as diversas atitudes do Cong-Fou, sendo bem dirigidas, devem
operar um desprendimento salutar em todas as moléstias que provém de uma circulação
embaraçada, retardada ou mesmo interrompida. (Dally)
Os movimentos passivos podem variar de mil maneiras, conforme os casos
especiais que se apresentam: pode-se empregar a ação isolada ou as ações
combinadas da pressão, do choque, da vibração, da oscilação, da abdução, da adução,
da flexão, da extensão, da rotação, da torção ou do atrito. Tão somente o operador deve dirigir todos os seus cuidados à regularização da intensidade da impulsão que comunica ao paciente, a fim de evitar-lhe qualquer excesso nocivo de fadiga.
Cumpre excluir dessas manipulações artificiais qualquer rudeza, ou
violência, as quais teriam um duplo resultado pernicioso, o de embaraçar a ação das
correntes e o de fazer perder ao próprio operador, por um emprego exagerado das
forças musculares, uma parte notável de seu poder radiante.
Em todos os seus atos, o operador deve compenetrar-se deste princípio: nenhuma ação estranha se pode substituir à do organismo, e a máquina humana, em uma série ininterrupta de ações e de reações fisiológicas, químicas, físicas e mecânicas, coordenadas na unidade do seu ser e de sua existência, secreta por si mesma os seus líquidos, renova incessantemente as suas partículas elementares, os seus tecidos, as suas formas, os seus aparelhos; ela própria elimina o que é nocivo ao jogo regular e normal de suas funções, conserva-se a si própria e por si mesma repara com os seus movimentos as desordens que acaso existam em uma de suas partes ou de todas.(Dally) Espectador do admirável trabalho da natureza, que o seu poder de emissão radiante despertou e pôs em prática, o operador deve limitar-se a seguir do melhor modo este trabalho em todos os seus desenvolvimentos, sem procurar embaraçá-lo por uma intervenção mal feita e violenta, um açodamento intempestivo.
Os massagistas profissionais se conformam raramente com as sábias e producentes
prescrições de que acabamos de falar, suas pressões se exercem invariavelmente da
periferia para o centro, com a idéia de que é na direção das veias e dos vasos linfáticos
que devem ser dirigidos os derrames para que possam ser reabsorvidos.
Entre os raros práticos que compreendem a sua arte debaixo do ponto de vista
verdadeiramente fisiológico, há sobretudo um a quem pessoalmente tive ocasião de
apreciar, como seguindo, na minha opinião, as melhores tradições.
É o Sr. Armando Voisel, muito conhecido em Paris, o qual, numa interessante
comunicação feita ao Congresso Internacional de Magnetismo, em 1889, dizia, a
propósito da massagem: "Há duas ações distintas na massagem, uma física e outra
vital.
132. Nos velhos, por uma ação combinada do magnetismo e dos movimentos passivos,
consegue-se ativar suficientemente os fenômenos de combustão lenta, de renovação
molecular e de eliminação excrementícia, de modo a retardar a incrustação mineral dos
ossos, das membranas e dos tecidos, e desta maneira se favorece sua longevidade;
mas, onde as atitudes e os movimentos, congraçados com arte, prudência e constância
na ação magnética, podem produzir maravilhosos efeitos, é no organismo dos meninos
em período de crescimento.
Se, em vez de tratar dos desvios de crescimento por meio de aparelhos de extensão forçada, parafusos de compressão, sapatos ortopédicos e espartilhos metálicos, se fizesse apelo às forças vitais e à tendência natural do organismo para a saúde, evitar-se-iam certamente muitas deformidades, que sem isso se tornam incuráveis para sempre. A ortopedia, tal como está hoje compreendida, é uma verdadeira aberração do espírito humano, porque, por sua ação antifisiológica e seus aparelhos de compressão forçada, ela coloca os órgãos em condições tais, que, em lugar de convergirem para ali o movimento e a vida que lhes é indispensável, imobiliza-os, produz novas retrações musculares, aumenta as que existiam, e, pela persistência de um mesmo ponto de apoio, enfraquece e deteriora em vez de fortificar e curar.
Em organo-mecanismo, pelo contrário, a mão do operador escolhe, na produção do
movimento, os seus pontos de apoio por toda a parte em que são necessários, e sempre
momentaneamente, de sorte que não há um ponto do organismo, quer no interior, quer
no exterior, que se não possa deste modo, em virtude das leis da natureza, chamar às
condições de força e de harmonia. (Dally) Por uma ação combinada sobre a enervação geral, consegue-se muitas vezes chamar à vida e ao movimento os músculos afetados de paralisia. Por ações especiais sobre a região abdominal, consegue-se também combater com êxito certos estados cloróticos, devidos a uma inação muito grande ou à compressão do ventre quer pelo espartilho, quer por uma atitude habitualmente encurvada sobre o abdome: enfim, curam-se desse modo a constipação do ventre, hipocondria, hérnias, e particularmente todas as afecções devidas a perturbações intestinais ou a alterações do sistema da veia-porta. ________________________ |
