Áulus: Espírito orientador de André Luiz, no plano espiritual.
André Luiz: Espírito que ditou o texto abaixo, por intermédio do médium Chico
Xavier.
Hilário: Espírito, companheiro de André Luiz.
O instrutor Áulus dirigindo-se aos espíritos Hilário e André Luiz
Temos
um grupo de dez companheiros encarnados, com quatro médiuns detentores de faculdades regularmente desenvolvidas e de lastro moral
respeitável. E, o instrutor muniu-se de pequena pasta e informou,
paciente: Temos aqui o nosso psicoscópio,
de modo a facilitar-nos exames e estudos, sem o impositivo de acurada
concentração mental. Na Terra o minúsculo objeto não pesaria senão
alguns gramas.
Destina-se à auscultação da alma,
com o poder de definir-lhe as vibrações
e
com capacidade para efetuar diversas observações em torno da matéria
– esclareceu Áulus.
Esperemos
esteja, mais tarde, entre os homens. Funciona à base de elementos
radiantes, análogos na essência aos raios gama.
é constituído por óculos de estudo, com recursos disponíveis para a
microfotografia.
Em nosso esforço de supervisão, podemos classificar sem dificuldade as
perspectivas desse ou daquele agrupamento de serviços psíquicos que
aparecem no mundo. Analisando a psicoscopia de uma personalidade ou de uma equipe de trabalhadores, é possível
anotar-lhes as possibilidades e categorizar-lhes a situação. Segundo as radiações que projetam, planejamos a obra que podem realizar no tempo.
Se o espectroscópio permite ao homem perquirir a natureza dos elementos químicos, localizados
a enormes distâncias, através da onda luminosa que arrojam de si, com
muito mais facilidade identificamos os valores da individualidade humana
pelos raios que emite.
(Ver:Kirliangrafia)
e
o caráter são claramente perceptíveis, através de ligeira
inspeção.
Mas – indagou Hilário, investigador -, e na hipótese de surgirem
elementos arraigados ao mal, numa formação de cooperadores do bem? De
posse da ficha psicoscópica, os
instrutores espirituais providenciar-lhes-ão a expulsão?
Não será preciso. Se a maioria permanece empenhada na extensão do bem,
a minoria encarcerada no mal distancia-se do conjunto, pouco a pouco, por
ausência de afinidade.
Contudo – alegou ainda o meu companheiro -, que acontece numa instituição
cujo programa elevado se degenera em desequilíbrio, induzindo-nos a
reconhecer que a virtude aí não passa de bandeira fictícia, acobertando
a ignorância e a perversidade?
Então, nesse caso – adiantou o interpelado, tolerante -, dispensamos
qualquer regime de perseguição ou denúncia. Encarrega-se a vida de
colocar-nos no lugar que nos compete.
Os Anjos ou Ministros da Eterna Sabedoria entregam-nos, com segurança, às forjas
renovadoras do tempo e da provação.
Sabe-se, atualmente, na Terra,
que um grama de rádio perde a metade do seu peso em dezesseis séculos e que um cíclotron, trabalhando com projeteis atômicos acelerados a milhões de
electrons-volt, realiza a transmutação dos elementos químicos, de
imediato.
A evolução vagarosa nos milênios ou o choque brusco do sofrimento alteram-nos o panorama mental, aprimorando-lhes os valores.
Reajustando-se aos nossos objetivos, Hilário acentuou:o psicoscópio, só por si, dá margem a
preciosas reflexões. Imaginemos uma sociedade humana que pudesse retratar
a vida interior dos seus membros... Isso economizaria grandes quotas de
tempo na solução de inúmeros problemas psicológicos.
Sim – anuiu o mentor, cordial -, o futuro reserva prodígios ao senso do
homem comum ...
Chegada a minha vez de usar o psicoscópio,
assombraram-me as peculiaridades do aparelho.
Sem necessidade de esforço mental, notei que todas as expressões de matéria física assumiam diferente aspecto, destacando-se a matéria de
nosso plano.
Teto, paredes e objetos de uso corriqueiro revelavam-se formados de
correntes de força, a emitirem baça claridade.
Tive a impressão de fixar, em torno do apagado bloco de massa
semi-obscura a que se reduzira a mesa, uma coroa de luz solar, formada por
dez pontos característicos, salientando-se no centro de cada um deles o
semblante espiritual dos amigos em oração.
Desse colar de focos dourados alongava-se extensa faixa de luz violeta,
que parecia contida numa outra faixa de luz alaranjada, a espraiar-se em
tonalidades diversa que, de momento, não pude identificar, de vez que a
minha atenção estava presa ao círculo dos rostos fulgurantes,
visivelmente unidos entre si, à maneira de dez pequeninos sóis, irmanados
uns aos outros. Reparei que sobre cada um deles se ostentava uma auréola de raios quase verticais, fulgentes e móveis, quais se fossem
diminutas antenas de ouro fumegante. Sobre essas coroas que se
particularizam, de companheiro a companheiro, caíam do Alto abundantes
jorros de luminosidade estelar que, tocando as cabeças ali irmanadas,
pareciam suaves correntes de força a se transformarem em pétalas microscópicas,
que se acendiam e apagavam, em miríades de formas delicadas e
caprichosas, gravitando, por momentos, ao redor dos cérebros em que se produziam, quais satélites de vida breve, em torno das fontes vitais que lhes davam origem.
Custodiando a assembléia, permaneciam os mentores
espirituais presentes, cada qual irradiando a luz que lhe era própria.
Admirado, porém, com os irmãos da esfera física, a se revelarem tão
afins, na onda brilhante em que se reuniam, perguntei, entusiástico:
Áulus amigo, os companheiros que visitamos são, porventura, grandes iniciados
na revelação divina?
Não. Achamo-nos ainda muito longe de semelhantes apóstolos. Vemo-nos
aqui na companhia de quatro irnãs e seis irmãos de boa-vontade.
Naturalmente, são pessoas comuns. Comem, bebem, vestem-se e apresentam-se
na Terra sob o aspecto vulgar de outras criaturas do ramerrão carnal; no
entanto, trazem a mente voltada para os ideais superiores da fé ativa, a expressar-se em amor pelos semelhantes. Procuram disciplinar-se, exercitam a renúncia,
cultivam a bondade constante e, por intermédio do esforço próprio no
bem e no estudo nobremente conduzido, adquiriram elevado teor de radiação
mental.
Hilário, que utilizara o psicoscópio em primeiro lugar, alegou com o deslumbramento de uma criança espantada
Mas, e a luz? A matéria que conhecemos no mundo transfigurou-se. Tudo
aqui se converteu em claridade nova! O espetáculo é magnífico!.. Nada de estranheza – falou o Assistente,
bondoso -,
não sabe você que um homem
encarnado é um gerador de força eletromagnética,
com uma oscilação por segundo, registrada pelo coração?
Ignora,
porventura, que todas as substâncias vivas da Terra emitem energias,
enquadradas nos domínios das radiações ultravioletas?
Em nos reportando
aos nossos companheiros, possuímos neles almas regularmente evoluídas,
em apreciáveis condições vibratórias pela sincera devoção ao bem,
com esquecimento dos seus próprios desejos.
Podem, desse modo, projetar raios mentais,
em vias de sublimação,
assimilando correntes superiores e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns.
Raios vitais? – redargüiu
meu colega, faminto de esclarecimento.
Sim, para maior limpidez da definição, chamemos-lhes raiosectoplásmicos,
unindo nossos apontamentos à nomenclatura dos espiritistas modernos. Esses raios são peculiares a todos os seres vivos. É com eles que a
lagarta realiza suas complicadas demonstrações de metamorfose e é ainda
na base deles que se efetuam todos os processos dematerializaçãomediúnica, porquanto os
sensitivos encarnados que os favorecem libertam essas energias com mais
facilidade. Todas as criaturas, porém, guardam-nas consigo, emitindo-as
em freqüência que varia em cada uma, de conformidade com as tarefas que
o Plano da Vida lhes assinala.
E, otimista, acrescentou: O estudo damediunidaderepousa
nos alicerces da mente com o seu prodigioso campo de radiações.
A ciência dos raios imprimirá, em breve, grande renovação aos setores culturais do mundo.
Aguardemos o porvir.
Áulus convidou-me ao psicoscópio e, graduando-o
sob nova modalidade, recomendou-nos acurado exame.
Foquei os companheiros encarnados em concentração mental, identificando-os sob
aspecto diferente.
Dessa vez, os veículos físicos apareciam quais se fossem correntes eletromagnéticas em elevada tensão.
O sistema nervoso,
os núcleos glandulares e os plexos emitiam luminescência particular. E, justapondo-se ao cérebro,
a mente surgiu como esfera
de luz característica, oferecendo em
cada companheiro determinado potencial de radiação.
Assinalando-nos a curiosidade, o Assistente explicou: em qualquer estudo mediúnico, não podemos esquecer que a individualidade espiritual, na carne, mora na cidadela atômica do corpo, formado por
recursos tomados de empréstimo ao ambiente do mundo. Sangue, encéfalo, nervos,
ossos, pele e músculos representam materiais que se aglutinam entre si para a
manifestação transitória da alma,
na Terra, constituindo-lhe
vestimenta temporária, segundo as condições em que a mente se acha.
Assim como a Ciência na Terra consegue catalogar os elementos químicos que
entram nas formações de matéria densa, em nosso campo de matéria
rarefeita é possível analisar o tipo de forças sutis que dimanam de cada ser.
Mais tarde, o homem poderá examinar uma emissão de otimismo ou de confiança,
de tristeza ou desesperação e fixar-lhes a densidade e os limites, como já
pode separar e estudar as radiações do átomo de URÂNIO. Os princípios
mentais são mensuráveis e merecerão no porvir excepcionais atenções, entre
os homens, qual acontece na atualidade com os fotônios, estudados pelos
cientistas que se empenham em decifrar a constituição específica da luz.
Uma ficha psicoscópica, sobretudo,
determina a natureza de nossos pensamentos e, através de semelhante auscultação, é fácil ajuizar dos nossos méritos
ou das nossas necessidades.