Perispírito do enfermo
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Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
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No estado de coma, o aprisionamento do corpo espiritual ao arcabouço físico, ou a parcial liberação dele, depende da situação mental do enfermo.

[56 - página 215] - André Luiz - 25/6/1958

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____Alcançáramos a orla do mar, em plena noite.
____A movimentação da vida espiritual era aí muito intensa.
____Desencarnados de várias procedências reencontravam amigos que ainda se demoravam na Terra, momentâneamente desligados_do_corpo_pela_anestesia_do_sono. Dentre esses, porém, salientava-se grande número de enfermos.
____Anciães, mulheres e crianças, em muitos aspectos diferentes, compareciam ali, sustentados pelos braços de entidades numerosas que os assistiam.
____Conversações edificantes e lamentos doloridos chegavam até nós.
____Serviços magnéticos de socorro urgente eram improvisados aqui e além... E o ar, efetivamente, confrontado ao que respirávamos na área da cidade, era muito diverso.
____Brisas refrescantes sopravam de longe, carreando princípios regeneradores e insuflando em nós delicioso bem estar.
____O oceano é miraculoso reservatório de forças — elucidou Clarêncio (orientador de André Luiz), de maneira expressiva — até aqui, muitos companheiros de nosso plano trazem os irmãos doentes, ainda ligados_ao_corpo_da_Terra, de modo a receberem refazimento e repouso. Enfermeiros e amigos desencarnados desvelam-se na reconstituição das energias de seus tutelados. Qual acontece na montanha arborizada, a atmosfera marinha permanece impregnada por infinitos recursos de vitalidade da Natureza. O oxigênio sem mácula, casado às emanações do planeta, converte-se em precioso alimento de nossa organização_espiritual, principalmente quando ainda nos achamos direta ou indiretamente associados aos fluidos da matéria mais densa. (Ver: Alimentação dos espíritos e Fator de fixação)
____Passávamos agora na vizinhança de uma dama extremamente abatida, quase em decúbito dorsal à frente das águas, recolhendo o auxílio magnético de um benfeitor que se iluminava no serviço e na oração.
Clarêncio deixou-nos por momentos, conversou algo com um amigo, a pequena distância, e regressou, informando:
____— Trata-se de irmã do nosso círculo pessoal, assediada pelo câncer. Foi retirada do veículo físico, através da hipnose, a fim de obter a assistência que lhe é necessária.
____— Mas — objetei, curioso — esse tipo de tratamento pode sustar o desequilíbrio das células orgânicas? a doente conseguirá curar-se, de modo positivo?
____O Ministro sorriu e aclarou:
____— Realmente, na obra assistencial dos espíritos amigos, que interferem nos tecidos sutis da alma, é possível, quando a criatura se desprende parcialmente da carne, a realização de maravilhas.
____Atuando nos centros_do_perispírito, por vezes efetuamos alterações profundas na saúde dos pacientes, alterações essas que se fixam no corpo_somático, de maneira gradativa. Grandes males são assim corrigidos, enormes renovações são assim realizadas. Mormente quando encontramos o serviço da prece na mente enriquecida pela fé transformadora, facilitando-nos a intervenção pela passividade construtiva do campo em que devemos operar, a tarefa de socorro concretiza verdadeiros milagres. o corpo físico é mantido pelo corpo_espiritual a cujos moldes se ajusta e, desse modo, a influência sobre o organismo_sutil é decisiva para o envoltório de carne, em que a mente se manifesta.
____Nesse ponto das explicações, porém, o Ministro abanou a cabeça e ajuntou:
____— Nossa ação, contudo, está subordinada à lei que nos rege. No problema de nossa irmã, o concurso de nosso plano conseguirá tão somente angariar-lhe reconforto. A moléstia, em razão das provas que lhe assinalam o roteiro pessoal, atingiu insopitável extensão.
____— Quer dizer que ela, agora, apenas se habilita à morte calma? — indagou Hilário, atencioso.
____— Justamente — confirmou o orientador. —Com a cooperação em curso, despertará no corpo desfalecente mais serena e mais confortada. Repetindo as excursões até aqui, noite a noite, habituar-se-á, com entendimento superior, à ideia da partida, transmitindo aos familiares resignação e coragem para o transe da separação; aprenderá a contribuir com o seu esforço, no sentido de aliviar-lhes as aflições pela humildade que edificará, dentro de si mesma... pouco a pouco; desligar-se-á da carne enfermiça, acentuando a luz interior da própria consciência, a fim de separar-se do ambiente que lhe é caro, como quem encontra na morte física valiosa liberação para serviço mais enobrecido. E, assim, em algumas semanas, mostrar-se-á admiràvelmente preparada ante o novo caminho...
____Clarêncio
silenciara.
____O assunto requisitava-me a novas observações.
____— Nesse caso — comecei a falar, hesitante.
____O Ministro, porém, sorriu compreensivo e atalhou, esclarecendo:
____— Já sei a tua conclusão. É isso mesmo. A enfermidade longa é uma bênção desconhecida entre os homens, constitui precioso curso preparatório da alma para a grande libertação. Sem a moléstia dilatada, é muito difícil o êxito rápido no trabalho da morte. (Ver: Faltas após a morte)

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Ver também:
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