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Tem
assim o homem duas naturezas:
As
duas naturezas nele existentes dão às suas paixões
duas
origens diferentes:
Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria.
O
Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria;
Ensinam-nos
que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal,
prendendo-nos à matéria;
que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria,
desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza
espiritual.
O homem, que procura nos excessos de todo gênero o
requinte do gozo, coloca-se abaixo do bruto, pois que este sabe deter-se, quando
satisfeita a sua necessidade, Abdica da razão
que Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças,
são, ao mesmo tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus.
Todas
as paixões têm seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural.
O princípio das paixões não é, assim, um mal, pois
que assenta numa das condições providenciais
da nossa existência. A paixão propriamente dita é a exageração de uma
necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e
não na causa e este excesso se torna um mal,
quando tem como conseqüência um mal qualquer. Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza
espiritual. Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza
animal denota predominância do espírito sobre
a matéria e o aproxima da perfeição.
O
homem, pelos seus esforços, pode vencer as suas más inclinações. Em muitos
casos fazendo esforços muito insignificantes. O
que lhe falta é a vontade.
"Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!"
Se o pedir a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os bons Espíritos lhe virão certamente em auxílio, para combater as suas paixões, porquanto é essa a missão deles.
Há
muitas pessoas que dizem: Quero,
mas a vontade só lhes
está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja
como "querem". Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões,
é que seu Espírito se compraz nelas, em conseqüência da sua inferioridade. Compreende a
sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir.
Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito
sobre a matéria. |
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