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TRANSIÇÃO
DE UMA ÉPOCA
Depois
de Augusto, aparece à barra da História a personalidade disfarçada
e cruel de Tibério, seu filho adotivo, que vê terminar a era de paz,
de trabalho e concórdia, com o regresso do Cordeiro às regiões sublimadas
da Luz. É
nesse reinado que a Judéia leva a efeito a tragédia do Gólgota, realizando
sinistramente as mais remotas profecias.Não
obstante o seu compassivo e desvelado amor, o Divino Mestre é submetido
aos martírios da cruz, por imposição do judaísmo,
que lhe não compreendeu o amor e a
humildade. Roma colabora no doloroso acontecimento
com a indiferença fria de Pôncio Pilatos, retornando aos seus
festins e aos seus prazeres, como se desconhecesse as finalidades mais
lies da vida.Seguindo
a mesma estrada escura de Tibério, Calígula inaugura um período
longo de sombras, de massacres e de incêndios, de devastação e de
sangue. PROVAÇÕES COLETIVAS DOS JUDEUS E DOS ROMANOS Os seguidores humildes do Nazareno iniciam, nas regiões da Palestina, as suas predicações e ensinamentos. Raros apóstolos sabiam da missão sublimada daquela doutrina sacrossanta, que mandava fazer o bem pelo mal e instituía o perdão aos próprios inimigos. De perto, seguem-lhes a atividade os emissários solícitos do Senhor, preparando os caminhos da revolução ideológica do Evangelho. Esses mensageiros do Alto iniciam, igualmente e de modo indireto, o esforço de auxílio ao Império nas suas dolorosas provações coletivas.Um perfeito trabalho de seleção se verifica no ambiente espiritual das coletividades romanas. Chovem inspirações do Alto preludiando as dores de Jerusalém e as amarguras da cidade imperial. Vaticínios sinistros pesam sobre todos os espíritos rebeldes e culpados, e a verdade é que, depois do cerco de Jerusalém, quando Tito destruiu a cidade, arrasando-lhe o Templo famoso e dispersando para sempre os israelitas, viu o orgulhoso vencedor mudar-se o curso das dores para a sociedade do Império, atormentada pelas tempestades de fogo e cinza que arrasaram Estábias, Herculânum e Pompéia, destruindo milhares de vidas florescentes e desequilibrando a existência romana para sempre. FIM DA VAIDADE HUMANA O Império Romano, que poderia ter levado a efeito a fundação de um único Estado na superfície do mundo, em virtude da maravilhosa unidade a que chegou e mercê do esforço e da proteção do Alto, desapareceu num mar de ruínas, depois das suas guerras, desvios e circos cheios de feras e gladiadores.O imenso organismo apodreceu nas chagas que lhe abriram a incúria e a impiedade dos próprios filhos e, quando não foi mais possível o paliativo da misericórdia dos espíritos abnegados e compassivos, dada a galvanização dos sentimentos gerais na mesa larga dos excessos e prazeres terrestres, a dor foi chamada a restabelecer o fundamento da verdade nas almas.Da orgulhosa cidade dos imperadores não restaram senão pedras sobre pedras. Sob o látego da expiação e do sofrimento, os Espíritos culpados trocaram a sua indumentária para a evolução e para o resgate no cenário infinito da vida, e, enquanto muitos deles ainda choram nos padecimentos redentores, gemem sobre as ruínas do Coliseu de Vespasiano os ventos tristes e lamentosos da noite. |
DESAPARECIDOS (Crianças e Adolescentes)
