"Em
síntese, o homem das últimas
dezenas de séculos representa a humanidade vitoriosa, emergindo da bestialidade
primária. Desta condição participamos nós, os desencarnados, em número de
muitos milhões de espíritos ainda pesados, por não havermos, até o momento,
alijado todo o conteúdo de qualidades inferiores de nossa organização perispiritual;
tal circunstância nos compele a viver, após_a_morte_física, em formações afins, em sociedades realmente avançadas,
mas semelhantes aos agrupamentos terrestres. Oscilamos entre a liberação
e a reencarnação,
aperfeiçoando-nos, burilando-nos, progredindo, até conseguir, pelo refinamento
próprio, o acesso a expressões sublimes da Vida Superior, que ainda não nos
é dado compreender. Nos dois lados da existência, em que nos movimentamos e
dentro dos quais se encontram o nascimento
e a morte do corpo_denso, como portas de comunicação, o trabalho construtivo é a
nossa bênção, aparelhando-nos para o futuro divino."
[25
- página 59] - André Luiz
Isolado na concha milagrosa do
corpo, o espírito está
reduzido em suas percepções a limites que se fazem necessários.
A esfera sensorial funciona, para ele, à maneira de câmara abafadora.
-
Visão,
audição, tato, padecem enormes restrições.
-
O
cérebro físico é
um gabinete escuro, proporcionando-lhe ensejo de recapitular e reaprender.
Conhecimentos adquiridos e hábitos profundamente arraigados nos séculos aí
jazem na forma estática de intuições
e tendências. Forças inexploradas e infinitos recursos nele dormem,
aguardando a alavanca da vontade
para se externarem no rumo da superconsciência.
-
No
templo_miraculoso_da_carne,
em que as células são
tijolos vivos na construção da forma, nossa
alma permanece
provisoriamente encerrada, em temporário olvido,
mas não absoluto, porque, se transporta consigo mais vasto patrimônio de
experiência, é torturada por indefiníveis anseios de retorno à
espiritualidade superior, demorando-se, enquanto no mundo opaco, em
singulares e reiterados desajustes.
-
Dentro
da grade dos sentidos fisiológicos, porém, o espírito recebe gloriosas
oportunidades de trabalho no labor de auto-superação.
-
Sob
as constrições naturais do plano físico, é obrigado a lapidar-se_por_dentro,_a_consolidar_qualidades_que_o_santificam e, sobretudo, a estender-se
e a dilatar-se em influência, pavimentando o caminho da própria elevação.
-
Aprisionado
no castelo corpóreo, os sentidos são exíguas frestas de luz,
possibilitando-lhe observações convenientemente dosadas, a fim de que
valorize, no máximo, os seus recursos no espaço e no tempo.
Na existência carnal, encontra multiplicados meios de exercício e luta para a
aquisição e fixação dos dons de que necessita para respirar em mais altos
climas.
-
Pela
necessidade, o verme se arrasta das profundezas para a luz.
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Pela
necessidade, a abelha se transporta a enormes distâncias, à procura de
flores que lhe garantam o fabrico do mel.
-
Assim
também, pela necessidade de sublimação, o espírito atravessa extensos túneis
de sombra, na Terra, de modo a estender os poderes que lhe são peculiares.
Sofrendo limitações, improvisa novos meios para a subida aos cimos da luz,
marcando a própria senda
com sinais de uma compreensão mais nobre do quadro em que sonha e se agita.
Torturado pela sede de Infinito, cresce com a dor que o repreende e com o
trabalho que o santifica.
As faculdades sensoriais são insignificantes réstias de claridade
descerrando-lhe leves notícias do prodigioso reino da luz.
E quando sabe utilizar as sombras do palácio corporal que o aprisiona
temporariamente, no desenvolvimento de suas faculdades divinas, meditando e
agindo no bem, pouco a pouco tece as asas de amor e sabedoria com que, mais
tarde, desferirá venturosamente os vôos sublimes e supremos, na direção da
Eternidade.
[10
- página 15] - Emmanuel - 1952
As incógnitas da vida_exterior, com os desafios delas resultantes, são as mesmas;
entretanto, se a criatura aspira efetivamente a realizar uma tomada de contas
encontra neste novo mundo surpresas, muito fascinantes, no estudo e redescoberta
de si mesma. Somos, cada um de nós, um astro de inteligência a perquirir e a
aperfeiçoar por nós próprios.
[73
- página 70] - André Luiz
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