Biografia de JGF
página acima

-
Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
*

____Atendendo a pedido, de visitante do site, solicitamos a biografia do Sr. João Gonçalves e obtivemos o seguinte texto:

____Biografias, já li muitas.

____Personagens importantes da História. É reconfortante ver que os homens que fazem essa História são quase sempre pessoas comuns que amam e sofrem como qualquer dos filhos de Deus.

____Para mim a palavra biografia está intimamente relacionada a importância e não vejo como alguém possa se interessar no conhecimento de uma vida que nada tem de extraordinária, sem nada que possa sobressair. Isso no plano material, no plano das aparências exteriores, porque, no fundo, a “biografia” da Maria do Carmo, lavadeira, moradora da periferia, mãe de 8 filhos, abandonada pelo marido, lutando sozinha para sobreviver e encaminhar os filhos, pode ser mais interessante do que a de muitos dos homens que fazem as guerras pelo mundo afora.

____Quando recebi sua mensagem dizendo que um certo Ricardo se interessa pela minha “biografia”, embaraçado com a ideia de montar a minha, lembrei-me de uma carta que escrevi aos colegas do curso industrial básico da Escola Técnica de Goiânia, com os quais me reúno anualmente. Era um estabelecimento, único em Goiânia, onde a gente tinha estudo e internato de graça, desde que conseguisse passar pela porta estreita de um “vestibular”. Dessa forma, a origem comum na pobreza e o nível de inteligência razoável, formou um grupo que conta hoje com homens de importância nas letras, na política, medicina, direito e outras áreas. E outros, como eu, que não foram muito longe. Eis a carta ____

Nada de importante tenho a acrescentar. Depois da Escola Técnica tive a felicidade de passar no concurso da Escola de Sargentos do Exército e durante 32 anos fui um militar sem vocação para a carreira, mas interessado em manter e fazer jus ao salário. Sorte que desde o começo fui empregado na administração, longe da dureza das fileiras, trabalhando desde 1972 junto a homens de ciência e tecnologia. Ainda hoje, aposentado há quase 14 anos, trabalho em atividades espaciais.

____Casei-me em 1961 com Eneida, uma leonina de que necessitava para me ajudar a corrigir meus defeitos. Temos 4 filhos e 4 netos, todos lindos de morrer.

____Uma palavra a mais a respeito da música em minha vida. Há alguns anos fazia compras em um supermercado quando uma senhora já grisalha me abordou, desculpando-se pela audácia. Era, me falou, professora de música. Não havia notado, mas disse estar já há algum tempo me seguindo entre as gôndolas, por causa de uma música que estava assobiando. Era um trecho de uma sinfonia de Tchaikovsky que ela conhecia muito bem, e estava espantada com o arranjo que eu fazia da música. Tivera ela a nítida impressão de que eu me esforçava para reescrever a música, aperfeiçoando, na sua opinião, certos trechos. E o espanto dela foi maior quando lhe disse que das notas musicais só conhecia a clave de sol, por ser ela diferente das outras. Insistia ela que eu tinha de ser, no mínimo, um maestro arranjador, tal a minha execução da melodia ao assobio. Claro, devia conhecer muito de música, mas nada da reencarnação.

____Estou certo de que tenho um passado na música, tal a minha paixão pela arte. De modo especial gosto de tudo que é russo, música, dança, literatura, o que me leva a crer que vivi naquelas lonjuras. Certa feita via um vídeo que minha irmã trouxera de lá, com um fundo musical de peças populares da Rússia, e creio ter vivido a sensação do “Dé-Jàvu”. Pelas minhas tendências, devo ter sido criado de quarto de alguém como Rasputim, que Deus o tenha.

____Sempre tive um sentimento religioso. Católico, procurava cumprir meus deveres na religião. Minha primeira dúvida data da primeira comunhão, quando entendi, talvez erradamente, que podia me esbaldar durante a semana e, se confessasse e comungasse no domingo, estaria limpo.

____Quando nasceu meu primeiro filho, maravilhado com aquela coisinha que passara nove meses no ventre de Eneida, minhas dúvidas e minha curiosidade se acentuaram. Incomodei tanto o pároco com minhas indagações que ele literalmente me enxotou da Igreja.

____Desorientado em termos de religião, li sobre várias delas, até mesmo freqüentando seus templos, tentando me encontrar. Espiritismo nem pensar. Lembrava-me de um batuque e uma dança esquisita na rua pobre onde morava, e isto fazia com que eu me negasse a sequer folhear livros espíritas.

____Um “acaso” certamente forjado pelos amigos espirituais, fez com que eu me aproximasse um dia de um colega que se ocupava com um livro aberto. Aproximei-me por trás e coloquei a mão em seu ombro, começando a ler o que ele lia. Vendo meu interesse, fechou o livro e m’o entregou para que eu me alongasse na leitura. Quando vi a capa, uma repulsa se apossou de mim. Era o “Evangelho Segundo o Espiritismo”. Entretanto, o trabalho dos amigos já estava feito. O pouco que havia lido já me convencera de que o Espiritismo não era o que eu pensava.

____Habituado e até mesmo viciado na leitura desde criança, mergulhei avidamente nos livros espíritas que ia pedindo à Federação Espírita Brasileira, pelo correio, na medida das disponibilidades financeiras.

____Desejoso de ter o conhecimento à mão e com capacidade mnêmica nada privilegiada, comecei a fazer anotações que redundaram na publicação em livro em 1996. A leitura e as anotações prosseguem e hoje temos o trabalho que você tem em mãos e que deve ter despertado o interesse do nosso Ricardo.

Nada a ver com BIOGRAFIA, penso. Quem sabe você ou o próprio Ricardo possa fazer deste rascunho algo que pareça uma biografia. A tanto não me atrevo. Estejam à vontade. Estarei sempre à disposição de vocês.

____Um abraço fraterno

____João Gonçalves"

João Gonçalves Filho

____SQS 204 - Bloco D - Aptº 404

70234-040 - BRASÍLIA-DF

____jocalho@terra.com.br

____(61) 3323-8014 e 411-5515 (T)Fotos de João Gonçalves Filho

*