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Jesus e os Essênios
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Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
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O CRISTO E OS ESSÊNIOS

____Muitos séculos depois da sua exemplificação incompreendida, há quem o veja entre os Essênios, aprendendo as suas doutrinas, antes do seu messianismo de amor e de redenção. As próprias esferas_mais_próximas_da_Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.

____O Mestre, porém, não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.

[52 - página 106] - Chico Xavier

RAMATÍS

Livro: O SUBLIME PEREGRINO - 6ª EDIÇÃO
OBRA PSICOGRAFADA POR HERCILIO MAES
Revista por JOSÉ FUZEIRA

Capítulo XXVI
Jesus e os Essênios


PERGUNTA:—Algumas obras esotéricas, principalmente da "Fraternidade Rosa-Cruz", afirmam que o Mestre Jesus viveu entre os Essênios, os quais influíram bastante na sua obra cristã. No entanto, outras obras, inclusive mediúnicas, asseguram que isso não aconteceu. Que dizeis a respeito?
RAMATíS:Jesus, realmente, esteve em contato com os Essênios durante algum tempo e conheceu-lhes os costumes, as austeras virtudes, assim como teve oportunidade de apreciar-lhes as cerimônias singelas dos santuários menores, externos, e os ritos mais sugestivos do "Círculo Interno". Muitos dos seus gestos, práticas e atos no mundo profano deixavam perceber as características essênicas de elevado teor espiritual, pois eles guardavam muita semelhança com os primeiros cristãos. Aliás, Jesus, como entidade de elevada estirpe sideral e insaciável na pesquisa do espírito imortal, ou da verdadeira vida do homem, jamais deixaria de procurar os Essênios e conhecer-lhes as idéias, pois os mesmos já ensinavam o amor_a_Deus_e_ao_próximo, criam na imortalidade_da_alma e na reencarnação. Todas as religiões, seitas e movimentos espiritualistas da época foram alvo da atenção de Jesus, cuja mente privilegiada assimilava imediatamente a essência benfeitora e se desocupava das fórmulas exteriores. Seria bastante estranhável e um formal desmentido ao tipo espiritual avançado do Mestre Jesus, caso ele tivesse conhecimento da existência dos Essênios, na própria Galiléia, e jamais se interessasse de um contato instrutivo!

PERGUNTA: — Mas por que não chegaram até nós as provas de que Jesus viveu entre os Essênios?
RAMATíS: — Porque o Mestre não pertenceu, não se filiou propriamente à Confraria dos Essênios, mas, entreteve relações amistosas, embora tenha participado dos ritos internos, que os próprios mentores Essênios os achavam dispensáveis para uma entidade do seu quilate. Acresce, que os Essênios do "Círculo Interno", cujas práticas ficaram ignoradas dos profanos, faziam questão cerrada de se conservarem no mais absoluto anonimato, o que levou os historiadores a descrerem de sua existência, exceto quanto aos terapeutas ou adeptos externos. Acontece, também, que Jesus jamais propalou a sua condição de membro honorário da Confraria dos Essênios, onde o sigilo era um voto de severa responsabilidade moral. Em conseqüência, salvo João Evangelista, que conhecia tal disposição do Mestre Jesus e dos seus contatos com os Essênios, ninguém mais pôde identificá-lo a esse respeito. Assim, nada consta nos próprios evangelhos escritos posteriormente à morte de Jesus, nos quais há muitas contradições entre si, pois algumas lendas substituíram fatos autênticos e certas interpolações descrevem coisas que não aconteceram. Além dessas incoerências, que deixam os estudiosos hesitantes, se ainda há quem oponha dúvidas até quanto à existência do Rabi da Galiléia, não é de admirar que duvidem de suas relações ocultas com os Essênios.

PERGUNTA: — Quais eram as diferenças fundamentais entre os terapeutas e os Essênios do "Círculo Interno"?
RAMATíS: — A Confraria dos Essênios teve o seu início no ano 150 A. C., no tempo dos Macabeus; era uma espécie de associação moral e religiosa, lembrando algo das cooperativas agrícolas modernas, que além dos cuidados da indústria, do comércio ou da lavoura, devota-se à assistência social e à educação de seus componentes. Assim nasceram pequenas sociedades ou agremiações nas povoações da Judéia, que mais tarde estenderam seus ramos até a Fenícia; Índia e ao Egito. Cada associação era dirigida pelos membros mais velhos da comunidade e os filiados viviam juntos, participando dos bens em comum. Cada família essênica comprometia-se a criar, pelo menos, um filho de outras famílias numerosas e pobres. De princípio, só se devotavam à lavoura, à criação de aves, à pequena indústria manual e aos trabalhos de artesanato; mas ante a necessidade de atender todas as providências entre os seus membros, passaram a estudar magia de campo e da mata, compuisaram obras terapeutas dos egípcios e hindus, nascendo em breve a profissão de curandeiros ou curadores. Como se tratasse de uma associação disciplinada, que não reconhecia outra autoridade senão a dos seus mentores, era breve tornou-se uma saudável confraria, cuja alimentação sadia e o modo de vida respeitável, aliavam a prática de costumes religiosos, amavam a Deus e ao próximo, acreditavam na imortalidade da alma e na reencarnação. Como a tendência humana é de progredir incessantemente para expressões cada vez mais inteligentes e úteis, depois que os Essênios se consolidaram nessa forma associativa benfeitora, de segurança econômica e aprimoramento moral, naturalmente nasceu-lhes a idéia de uma instituição esotérica, a fim de se cultuar os valores do espírito imortal. De princípio, construíram pequenos mosteiros nas próprias comunidades rurais e ali deram início ao culto espiritual, cujas práticas ainda se atinham às superstições e aos ritos complexos dos orientais. Era então a fase da semeadura, em que ao lado das flores admiráveis do entendimento superior, existiam também as ervas da mediocridade humana. No entanto, a dignidade, os objetivos superiores e o desinteresse dos Essênios, visando exclusivamente ao Bem, atraíram a atenção do Alto e em breve eram alvo da presença de entidades de boa estirpe espiritual, que passaram a orientá-lo para seu maior progresso espiritual. Como a Confraria dos Essênios era uma verdadeira ressurreição da velha "Fraternidade dos Profetas", fundada por Samuel, o Alto permitiu encarnações de alguns profetas tão tradicionais do Velho Testamento, em sua comunidade. Em breve, o padrão espiritual dos Essênios elevou-se ante a presença de espíritos de excelente estirpe sideral; fez-se a desejada seleção, excluindo dos ritos e cerimônias os excessos supersticiosos; crescendo então a messe de conhecimentos superiores da vida imortal; guardando-se, porém, a necessária reserva daquilo que o homem profano ainda não poderia entender nem respeitar. Jesus nau viu entre eles as energias espirituais de que tanto precisava para neutralizar as hostilidades do mundo no desempenho de sua obra redentora. Dali por diante foi sendo exigido dos adeptos o máximo quanto à divulgação das práticas essênicas, que não deviam ser divulgadas nem praticadas fora dos santuários, coisa que Jesus, por ser entidade de alto teor espiritual, jamais iria violar. Daí a diferença fundamental entre os terapeutas, que operavam comumente no mundo profano sem as iniciações dos santuários Internos e os filiados de grau superior, cuja existência passou a ser vivida nos mosteiros, grutas, velhas minas abandonadas e lugares distanciados do bulício do mundo.

PERGUNTA: — Quais os principais indícios que podem informar-nos da vivência de Jesus entre os Essênios?
RAMATíS: — Os estudiosos ocultistas sabem que algumas regras e alguns princípios adotados pelos cristãos em suas atividades doutrinárias já traíam algo as práticas e os votos essênicos da época. E' certo que Jesus, espírito sábio e admiravelmente prático, escoimou os ensinamentos essênicos de suas complexidades, votos fastidiosos, "mantrans" ou posturas iniciáticas que pudessem obscurecer a essência espiritual e dificultar as relações entre os discípulos e o Mestre, no mundo profano. Os princípios superiores que ele cultuou na intimidade dos santuários essênicos, depois os simplificou diante do público comum, na forma de aforismos e parábolas da mais elevada sabedoria espiritual. Ele ensinou os seus discípulos a viver à "luz do dia" os mesmos princípios e votos que muitos adeptos só o podiam fazer entre as colunas do templo iniciático. Alguns dos seus atos no mundo profano eram semelhantes aos preceitos dos Essênios, como o seu modo peculiar de fluir a água, fazer passes e impor as mãos na cabeça dos enfermos. Os Essênios do "Círculo Interno" eram absolutamente vegetarianos e mesmo o peixe só era permitido à sua mesa na falta absoluta de frutos e legumes. Eram celibatários, condenavam a escravidão, opunham-se à guerra, à violência, gostavam da vida em comum e eliminavam as fronteiras de castas e diferenças sociais. Não admitiam mulheres em suas reuniões, assembléias e conselhos, coisa em que o Mestre Jesus também não transigiu, nem mesmo com Madalena ou Maria, sua própria mãe, que fizeram mensão de participar da tradicional cerimônia do "lava-pés" e da "última ceia" entre os apóstolos. Os Essênios eram contemplativos e oravam com a face voltada para o Oriente, quando o Sol nascia; eram frugais na alimentação, moderados no vestir e completamente despreocupados dos bens do mundo. Não se deixavam atrair pelas moedas e jóias, cuja indiferença o próprio Jesus revelou advertindo Judas de que "não lhe pesasse a bolsa de dinheiro", ou então quando de sua sentença clara e insofismável, em que destacou perfeitamente a "moeda que era do mundo de César, e os bens que eram do mundo de Deus"! Mesmo os discípulos, externos ou terapeutas sem iniciação esotérica evitavam as profissões desairosas, extorsivas ou somente especulativas; eram agricultores, artistas, cientistas, carpinteiros, oleiros ou pescadores. Jamais se metiam na política, era negócios de agiotagem ou nas profissões de açougueiros, fiscais, esbirros, militares, negociantes de penhores,oficiais de justiça, criadores de aves ou animais para corte nos matadouros. Serviam a Deus pela santidade de espírito e pelo trabalho benfeitor ao próximo; aceitavam a reencarnação como um postulado fundamental de sua doutrina, coisa que nenhum judeu mosaísta admitia. A esse conceito essênico Jesus aludiu muitas vezes, quer advertindo da volta de Elias encarnado em João Batista (1), como respondendo a Nicodemus, que "ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo". No entanto, só os Essênios eram reencarnacionistas, assim como o era Jesus; eles não sacrificavam no Templo nem faziam quaisquer oferendas a Jeová no intuito de obterem boa colheita, êxito nos negócios e na saúde, coisa comuníssima entre os judeus de todas as classes sociais e condições de cultura. Evitavam as grandes cidades e nelas sentiam-se fatigados entre as multidões que se debatiam afogueadas pela cobiça, astúcia, ganância e pelo egoísmo humano. Jesus também demonstrou sua ojeriza pelas grandes metrópoles e preferia a margem dos lagos tranqüilos da Galiléia; adorava Nazaré e suas colinas, de onde podia espraiar o seu olhar angélico até a fímbria do horizonte e revitalizar-se junto dos campos, das matas, dos lagos e dos rios. Os Essênios também eram peculiarmente hospitaleiros, benevolentes, pacíficos e inimigos de quaisquer desforras ou testemunhos de superioridade; viviam silenciosos, falando o suficiente para servir e ensinar o próximo. Repeliam a ostensividade das preces, o pedantismo dos fariseus, o luxo das sinagogas e a dureza dos saduceus. Eram corajosos e leais nas suas relações com os demais homens e sacrificavam facilmente a vida para não quebrar seus votos iniciáticos. Diante da crueldade, da ironia ou de qualquer acusação alheia que trouxessem prejuízos à confraria essênica, eles preferiam silenciar e morrer, antes de delatar ou mesmo defender-se! Daí, o hábito peculiar de Jesus como um admirador dos Essênios, era de poucas palavras, mas quando falava cunhava na face do orbe sentenças e conceitos imorredou-ros! Isto ele o provou pelo seu majestoso silêncio diante dos seus juizes no Sinédrio, que o acusaram cruelmente, e mesmo diante de Pôncio Pilatos, que tentou suavizarlhe a pena somente para desforrar-se de Caifás. Certas máximas evangélicas de Jesus eram verdadeiras paráfrases ou preceitos do mais puro essenismo, tal como os ensinamentos da "porta estreita", "não ponhais a candeia debaixo do alqueire" ou o conceito de "não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita", ainda hoje sublimado no tronco das oferendas usado no seio da maçonaria. Aliás, o capítulo VII de Mateus, em seus vinte e nove versículos, é quase um resumo dos estatutos dos Essênios, elaborado para graduar as diversas fases da iniciação dos neó-fitos nos santuários maiores. Outra narrativa de Jesus de grande relevo espiritual iniciático é a parábola do "Festim de Bodas", quando ele compara o céu a um homem rei, o qual manda lançar nas trevas exteriores o convidado que se achava à mesa do banquete sem a veste nwpcial! (2) No entanto, apesar de certa obscuridade no relato ou dificuldade no entendimento da essência velada pelo simbolismo, os Essênios já conheciam a existência do perispírito, como atualmente acontece aos espíritas. Os neófites aprendiam em sua iniciação, que só depois de o espírito vestir a "túnica nupcial", ou purificar o seu perispírito, é que ele poderia participar do "banquete divino" da vida celestial, pois, em caso contrário, assim como aconteceu na narrativa do "Festim de Bodas", os que não vestirem tal túnica serão lançados naturalmente nas regiões do astral inferior para se purificarem de suas paixões animais. Onde Jesus teria buscado tantas historietas e conceitos da mais pura simbologia espiritual, caso não tivesse tido contato com os Essênios, quando entre os judeus devotos de Moisés só se transmitiam ensinamentos áridos, complexos e violentos, como a "lei do olho por olho e dente por dente"? Muitas das respostas do Mestre Galileu aos seus inquiridores capciosos, que procuravam confundi-lo ou ironizá-lo, ele as firmara na tradição de certos preceitos essênicos, embora os tivesse simplificado em sua forma e vivifiçado no seu sentido de mensagem espiritual.

PERGUNTA: — Por que a Igreja Católica Romana não menciona essa influência tão benfeitora dos Essênios, na vida do Mestre Jesus?
RAMATíS: —A Igreja Católica nada sabe da existência da Fraternidade dos Essênios ou do convívio de Jesus entre eles. Aliás, os ensinamentos católicos não se coadunam com a origem iniciática e o esoterismo dos Essênios, pois estes, além de serem reencarnacionistas, também eram avessos à idolatria das imagens. Em seus ritos inioiáticos tudo era feito em função daquele momento, em que o discípulo dava testemunho das suas reações mentais e emotivas, como as manifestava no mundo profano e depois deveriam ser disciplinadas sob os preceitos essênicos. Mas ninguém se prendia fanaticamente à adoração dos objetos, imagens ou superstições do mundo oculto; era apenas um culto devocional puro do espírito à Divindade, uma espécie de afeição gentil e cortês aos Mestres responsáveis pelas transformações morais de seus discípulos. Isso Jesus também o demonstrou diversas vezes em suas atividades evangélicas, pois nenhuma doutrina nasceu tão simples e se fez tão comunicativa à alma dos seus adeptos como o Cristianismo. Os responsáveis pela organização católica romana, desde as primeiras consultas feitas aos evangelhos, ajustaram a figura de Jesus e sua obra a um esquema que só valorizasse os preceitos católicos a serem, expostos dali por diante às massas primárias. Eliminaram, tanto quanto possível, os conceitos, as relações ou os fatos da vida do Mestre Cristão, que pudessem contrariar ou desmentir as aspirações e os interesses da nova seita religiosa. Fizeram-se incorporações nos relatos evangélicos e o ensinamento claríssimo da reencarnação foi obscurecido de modo a permitir interpretações dúbias, como no caso de Nicodemus e de João Batista, em cujo original a narrativa é perfeitamente reencarnacionista, pois se tratava de uma tradição essênica. Mesmo que o Clero Romano tivesse identificado, a contento, a existência dos Essênios e a sua influência benéfica na composição do Cristianismo, teria recusado essa contingência de Jesus ter participado de uma seita cujos ensinos básicos contrariavam completamente as especulações religiosas da Igreja Católica Romana.

PERGUNTA: — Qual foi o clima psíquico na Judéia ou o motivo que favoreceu o advento da Fraternidade dos Essênios?
RAMATíS: — A Judéia era bastante influenciada pelas mais variadas correntes filosóficas, religiosas e espiritualistas provindas principalmente da Índia, da Grécia e do Egito, em cujos países o culto religioso, malgrado o seu aspecto litúrgico ostensivo, traía um cunho profundamente esotérico. Sob tais estímulos, em breve constituíram-se grupos de judeus estudiosos e praticantes dos ensinamentos esotéricos, e que então se reuniam, guardando sigilo para evitar a perseguição do Sinédrio, o qual podia punir até com a morte os que se rebelavam contra seus preceitos oficializados na época, como no caso da lapidação de Estêvão. Aliás, ainda hoje, no século XX, onde a liberdade de espírito deve ser contingência fundamental dos homens, repete-se algo do poderio e da perseguição que era peculiar ao Clero oficial na Judéia, pois o Espiritismo é proibido em sua divulgação livre nos países onde a Religião Católica Romana impera oficialmente (3). Na época de Jesus os eremitas pululavam pelas encostas rochosas da Judéia, e viviam isolados do mundo profano, que achavam fundamentalmente pecaminoso Eles buscavam a glória de Jeová pela prática da virtude, da abstinência dos prazeres e pela renúncia aos bens do mundo. Surgiam seitas, santuários, lojas, ordens ascéticas e fraternidades, cujas regras e princípios decalcados da velha iniciação habitual da Índia e do Egito, empolgavam os novos adeptos. Os crentes e discípulos afinizavam-se alegres e felizes, bebendo a cultura espiritual nas fontes iniciáticas de outros povos. Os monges, peregrinos, profetas, aventureiros e religiosos, egressos de países estranhos, penetravam na Palestina trazendo os costumes, as idéias e práticas iniciáticas dos lugares que visitavam ou agiam pelos seus interesses. O budismo já havia completado quase seis séculos, quando Jesus surgiu pregando o seu Evangelho; inúmeros judeus de boa cultura, apesar da vida anacoreta dos monges budistas, também vinham tentando modelar sua vida sob as mesmas regras ascéticas. A Fraternidade Essênica foi a primeira instituição que vingou disciplinadamente e coesa no solo judeu, pois os seus estatutos, do mais puro idealismo para a época e o ambiente além de sensatos, eram práticos, graduando os seus filiados de acordo com o seu entendimento esotérico, sua capacidade de serviço e autodomínio sobre as paixões inferiores. Em conseqüência, a ansiedade espiritual que viceja no âmago de cada ser humano, como centelha emanada do Criador, então proporcionou a fundação e a vivência da confraria dos Essênios remanescentes da Fraternidade dos Profetas, que fora fundada pelo profeta Samuel, o qual também ali se encontrava reencarnado na figura de João Evangelista, e mais tarde, retornando à Terra como Francisco de Assis, o "poverello".

PERGUNTA: — Considerando que Jesus poderia ter prescindido dos Essênios em sua obra redentora, então qual foi a influência que usufruiu entre eles?
RAMATíS: — Todos os acontecimentos ocorridos em torno da vida do Mestre Jesus obedeceram a um plano eficiente. Assim, o Alto é que havia determinado a fundação da confraria dos Essênios 150 anos A. C, na época dos Macabeus, a fim de eles ampararem o Messias com a amizade espiritual necessária para vitalizar-lhe as energias em favor da causa redentora do Cristianismo. A prova de que os Essênios existiram com a precípua função de inspirar a obra de Jesus, é o fato de terem desaparecido logo depois da sua morte, um pouco antes de Tito destruir Jerusalém. Surgiram um século e pouco antes do Mestre Nazareno e dispersaram-se meio século depois, assim como o aluno diligente, que depois de fazer a lição pedida pelo professor, então se retira da escola. Por que os Essênios não se situaram exclusivamente na Penícia, na índia, na Pérsia, na Arábia, na África ou no Egito, preferindo instalar sua confraria benfeitora justamente na Judéia, e, por "coincidência", na Galiléia, terra onde nasceu e viveu Jesus? Que mistério ou feliz acidente reuniu a nata da espiritualidade benfazeja, culta e sábia, na composição daqueles conselhos de anciões essênicos, onde Jesus encontrava o alento, a coragem, o estímulo e o carinho precisos para lograr o seu empreendimento tão prematuro para sua época? Quem lhe deu tanta força e ânimo para cumprir, no tempo fixado pelo Alto, a paixão e o fecho trágico do Calvário? Os três últimos anos de sua vida transcorreram sob uma inspiração oculta, vitalizante e obstinada em direção aos objetivos redentores e ao sacrifício supremo na cruz! Ao pressentir o martírio no fim de seus passos, algo o ajudava a sentir-se venturoso ante a perspectiva da própria morte!... Sem dúvida, o Alto assistiu o Amado Mestre a todo momento de sua vida, exortando-o para não desanimar sob a força dominante do instinto humano e a hostilidade do meio adverso à sua linhagem angélica. Ele também usufruiu da amizade pura e sincera de seus companheiros, amigos e discípulos, compensando-se da frieza e das censuras dos próprios parentes. Suas angústias, tristezas e saudades da moradia venturosa, recebiam generosa compreensão e salutar compensação entre aqueles anciões essênicos libertos das ilusões da vida material e vivendo exclusivamente em função do espírito eterno! Qual o gigante, o herói, o santo ou conquistador do mundo, que, por vezes, não precisou de um alento, um gesto ou de uma palavra afetuosa de algum amigo ou conselheiro? E' indubitável que a mensagem evangélica libertadora de Jesus divulgada na Terra, há dois mil anos, ainda era prematura para qualquer nação diferente da Palestina, cujo povo era fanaticamente religioso em sua fé absoluta. No entanto, ali já se fazia a influência esotérica dos Essênios, pois, se viviam ocultos nas grutas e isolados em mosteiros, suas idéias e seus sentimentos eram perfeitamente semelhantes aos princípios do Cristianismo. Transmitiam-se de homem para homem, produzindo silenciosamente o clima eletivo para a frutificação das sementes do sublime Evangelho. A seara cristã já estava com a terra pronta para a semeadura e garantida a germinação através do ''adubo" essênico! Ali pregava-se a idéia superior do amor a Deus e ao próximo; pesquisava-se a imortalidade da alma e estudava-se a reencar-nação; censurava-se a guerra, o furto, a exploração, a avareza, o ódio e a vingança! Cultuava-se a bondade, o perdão, a renúncia e o" sacrifício da própria vida; faziam-se votos de retidão e de serviço ao próximo, protegiam-se as crianças, amparavamse cs velhos e os enfermos, ensinava-se o respeito alheio e o culto exclusivo dos bens do Espírito Superior. Torna-se, portanto, evidente, que esse grupo de homens cultuando isoladamente todas as virtudes superiores do Espírito, era uma espécie de "embaixada" espiritual que descera à Terra para receber o Messias, o qual, então, daria forma objetiva e didática aos mesmos princípios que os Essênios cultuavam e os cimentaria com a substância do seu próprio sangue! Qual outro povo ou confraria humana ofereceria condições mais eletivas e inspirativas ao Cordeiro de Deus, do que o judeu com sua fé e os Essênios com sua sabedoria espiritual? Os romanos, os gregos e os egípcios viviam aterrados aos seus deuses de gostos tão epicuristas quanto os próprios homens; nessas civilizações pululavam credos, seitas, interesses e caprichos, que desuniam as criaturas e as impediam de devotar-se a uma doutrina tão simples, humilde e popular como era o Cristianismo. Os romanos ofereciam tributos a seus deuses, apelando para que lhes satisfizessem os caprichos, os desejos e as paixões interesseiras; os gregos perdiam precioso tempo nas especulações filo sóficas dos "por dias intermináveis, e na verborragia das sutilezas irreverentes; os egípcios, fanatizados ao culto de Osíris, faziam da morte que liberta, um motivo lúgubre de adoração que atemorizava e abatia o espírito! Qual seria o sucesso de Jesus na exposição da ternura encantadora do Evangelho, enfrentando o sensualismo dos bárbaros, a arrogância e o orgulho dos romanos, ou mesmo a presunção e o envaidecimento cultural do grego, que consumia o seu tempo a fazer acrobacias excêntricas no trapézio da mente? Jesus, devido à sua renúncia e honestidade espiritual, poderia ter prescindido dos Essênios na execução de sua tarefa redentora, e mesmo sem eles também atingiria o Calvário na "hora psicológica". No entanto, já não podemos afirmar o mesmo quanto à sobrevivência e o sucesso do Cristianismo, sem o terreno adubado pelos Essênios!

PERGUNTA: — Ser-vos-á possível destacar o trabalho mais individual de Jesus, embora considerando-se a benéfica influência dos Essênios na sua obra?
RAMATíS:Jesus, sublime catalisador angélico, deu forma e vida no mundo exterior, às suas próprias idéias e às que lhe foram inspiradas pela amizade pura dos Essênios. O que eles pensavam, sentiam e cultuavam, afinava-se perfeitamente com a alma eleita de Jesus, o qual deu maior vivência aos seus elevados princípios e os tornou fundamentos indestrutíveis do sublime Código Moral da humanidade — o Evangelho! Assim como todo idealista intrépido, ele abriu clareiras na caminhada das civilizações humanas, combatendo o fari-saísmo, a negociata religiosa, a exploração dos poderosos e a ganância dos ricos, em vez de ser um hábil político ou líder religioso capaz de contentar gregos e troianos. E' certo que Rama, Crisna, Confúcio, Zoroastro, Buda e outros instrutores religiosos também pregaram o Amor que une contra o ódio que separa, mas Josus, dispondo apenas de um punhado de homens rudes, iletrados e supersticiosos, conseguiu transformar esse mesmo Amor numa doutrina que avulta e se expande tanto quanto se sucedem os próprios séculos. Incompreendido pelos seus próprios familiares, amigos e discípulos, ele conseguiu compor na face do orbe terráqueo um poema épico escrito com a tinta vermelha do seu próprio sangue vertido no martírio da crucificação, e que a posteridade é obrigada a reconhecer como o único processo capa» de libertar o homem da escravidão animal!

PERGUNTA: —Porventura não teria sido João Batista a influência que realmente impeliu Jesus para a execução de sua obra messiânica?
RAMATíS: — João Batista, na verdade, ateou fogo às idéias messiânicas de Jesus e fortaleceu ainda mais a inspiração benfeitora dos Essênios. A força selvática da austeridade de João Batista na sua condenação implacável aos ricos, poderosos e corruptos, impressionou Jesus e teve o dom de eliminar-lhe as últimas hesitações, convencendo-o de que também estaria certo manifestando em público os mesmos sentimentos e preocupações amorosas em favor da humanidade. Embora Jesus tenha sofrido a influência estimulante de João Batista, ele não lhe seguiu os passos, quanto à sua ética agressiva. A esta Jesus opôs a humildade, a brandura e a tolerância própria dos Essênios. Embora ambos fossem sacrificados porque pretendiam a felicidade alheia, João Batista morreu pela sua obstinação em excomungar os reis, os poderosos e afortunados, atraindo para si a ira e a vingança de tais adversários. Em vez de orientar e esclarecer os réprobos do mundo, ele os condenou implacavelmente, como um furacão que arremessa o lixo da superfície da terra, mas deixa o terreno árido. Deus não exige a morte dos seus filhos que não aceitam a Verdade, pois quase sempre essa obstinação é fruto da ignorância ou de concepções opostas, condicionadas também a alcançar o céu. João Batista foi degolado porque se precipitou em assomos rudes de reformar instantaneamente um tipo de homens cúpidos, instintivos e egoístas, eujos pecados eram conseqüentes da sua graduação espiritual e não por motivo de qualquer deliberação consciente. Era tão prematuro querer-lhes uma renovação moral súbita, assim como exigir que a semente se transforme imediatamente em fruto sazonado! Muitos cristãos foram massacrados em Roma, mas isso teria sido evitado, se, em vez de desafiarem os anticristãos, tivessem vivido os seus princípios de humildade e amor à luz do dia. Não basta morrer por um ideal, mas é preciso viver em favor do adversário! A censura agressiva aos pecados alheios acirr-a o amor próprio do próximo; ao passo que a advertêneia paternal, o conselho fraterno de bondade e amor é ouvido até com gratidão. Jesus foi crucificado como o Cordeiro de Deus, devido à imprudência sediciosa dos seus discípulos e não por efeito de quaisquer excomungações agressivas contra o próximo! Ele aceitau a morte para não violentar a vida e preservar sua doutrina de Amor e de Paz! Justo e inocente, não condenou os pecadores, virtuoso e bom perdoou incondicionalmente, vivendo só em função da eterna máxima de que "Só o Amor salva o homem!" João Batista, no entanto, preocupou-se demasiadamente com verberações acusativas aos homens cujas paixões e prazeres eram conseqüência de sua espiritualidade embrionária. Jesus morreu porque tentou esclarecer os equívocos humanos de modo compreensivo e terno; Batista foi degolado por acusar os pecados alheios! Diante da mulher adúltera é possível que João Batista a mandaria lapidar para se cumprir a Lei de proteção à moral judaica; Jesus, no entanto, sem qualquer passado trágico, libertou-a censurando os próprios algozes que a queriam punir. Todo reformista religioso, moralista violento, agressivo e intransigente, talvez convença e arraste multidões de fanáticos no seu encalço, mas nem por isso conseguirá convertê-los à doçura do Amor!... O Mestre Cristão pulverizou os costumes seculares, igualando senhores e escravos, santos e prostitutas, ricos e pobres, numa ofensiva anárquica que condenava as especulações religiosas e a idolatria extorsiva dos templos. Mas as suas palavras severas também eram meigas e amorosas, pois ele censurava mas não condenava, advertia mas não insultava!

PERGUNTA: — Como se explica que o Sinédrio condenasse Jesus porque pregava idéias liberais e contrárias à Lei de Moisés, mas deixasse os Essênios tranqüilos em seus mosteiros e grutas, a filiar adeptos que fugiam do cumprimento das obrigações peculiares de todos os judeus?
RAMATíS: — Os Essênios viviam há 150 anos na Palestina e jamais haviam incomodado as autoridades públicas ou contrariado o clérigo de Jerusalém. No entanto, para o mundo profano, eles não passavam daqueles terapeutas humildes, que peregrinavam pelas estradas da Judéia praticando um serviço útil a todos os necessitados. Assim eles podiam manter-se a salvo de quaisquer interferências, pois não se importavam com as maquinações políticas e desistiam facilmente em favor do adversário em qualquer discussão. Alguns sacerdotes de Jerusalém eram filiados sigilosamente entre os Essênios, como Eleazar e Simão, amigos de José è de Maria, e que tudo faziam para afastar qualquer suspeita do Sinédrio nos momentos de denúncias ou de investigações.

PERGUNTA: — Qual a natureza dos santuários essêni-cos e onde eles se situavam?
RAMATíS: — Os templos, ou mais propriamente os santuários essenicos disseminavam-se pelos montes mais importantes da Hebréia, em lugares sempre favoráveis para atender os discípulos e próximos dos agrupamentos rurais dos terapeutas. Todos os santuários submetiamse ao "Conselho Supremo", o qual se reunia em assembléias periódicas ou em easos extraordinários, para atender problemas avançados da comunidade e estabelecer as normas da vida futura da Fraternidade. Esse conselho era composto de setenta anciãos, cuja maior parte vivia no monte Moab, à margem oriental do Mar Morto. Muitos desses anciãos estiveram presentes às principais pregações de Jesus, como no caso do "Sermão da Montanha."e durante a "Transfiguração", pois eles se misturavam humildemente entre o povo comum. No monte Ebat funcionava o santuário dos Essênios que atendia a xona de Semaria; no monte Carmelo e Tabor os santuários para os galileus. Os peregrinos ou moradores provindos da Síria e de povos semelhantes, apreciavam freqüentar os santuários do monte Hermon, cnde os seus dirigentes também eram egressos daquelas zonas, Não eram, propriamente, edifícios construídos nas cristas dos montes; tais santuários eram escavados, com certo tapricho, no interior" das minas abandonadas, das grutas e cavernas distantes das cidades principais. Ali os servidores instalavam essas comunidades primando sempre pela higiene e estética, muito ao gosto dos Essênios, que até no vestir preferiam a cor branca; só em casos excepcionais usavam um manto de lã azul escuro sobre os ombros, também adotado por Jesus. Eram anacoretas de vida cenobítica, mas criaturas sensatas, afeitas ao banho diário nos rios e cascatas, ao cuidado do cabelo e da barba, apreciadoras dos óleos aro-máticos, gosto bastante generalizado. Eram cultores do conhecimento esotérico, mas sumamente equilibrados em suas atividades messiânicas; limpos, sadios e joviais, distantes dos tradicionais profetas relaxados em matéria de limpeza e higiene e sempre excomungando os homens e o mundo! Seus santuários eram limpos, claros e agradáveis, com tapetes trançados de cordas e feitos pelos próprios Essênios; existia um salutar sistema de ventilação responsável pela fluência do ar puro dos campos, do odor delicioso dos frutos de outono, ou do perfume agreste das flores da primavera. Não eram criaturas epicurísticas usufruindo dos bens do mundo, porém, espíritos sábios que se cercavam do conforto natural e apreciavam os ensejos agradáveis da boa música e da arte, certos de que Deus jamais pedia a fuga do homem das atividades do mundo educativo, em que Ele próprio sempre estava presente. Em suas assembléias periódicas eram estudadas as providências e os socorros que se faziam necessários e urgentes para o sustento e o amparo dos filiados rurais mais pobres, dispersos pelas mais variadas regiões da Palestina. O próprio lar de Jesus, ante a prole tão extensa de José e Maria, recebeu no devido tempo a contribuição essênica para sol-ver as dificuldades da família. Eles permaneciam unidos pelo mais puro senso de fraternidade espiritual; e os mais decididos e laboriosos fundavam novas instituições regionais nas casas de todos os filiados do círculo profano. Cautelosos e prudentes, puderam assim sobreviver na atmosfera religiosa fanática e intrigante da Judéia, porque evitavam imiscuir-se em quaisquer atividades dos outros grupos religiosos.

PERGUNTA: — Estranhamos que os judeus, em geral tão obstinados, especuladores, rixentos e fanáticos na época, pudessem se afinizar com o movimento essênico tão sutil e esotérico.
RAMATíS: — Os judeus que ingressavam na confraria dos Essênios não tardavam em abandonar o seu modo mecânico e lamentoso de orar a Jeová, libertando-se do rosário de murmúrios ininteligíveis ou das cantorias monótonas tão familiares nas sinagogas. Nos santuários essênicos eles aprendiam noções das leis do Cosmo e dos mistérios da Criação, conjugadas ao estudo da imortalidade do espírito. Em breve, eles dominavam suas paixões, sustinham-se nas rixas e discussões religiosas, abrandando a cupidez nos seus negócios e tornando-se mais compreensíveis nas relações humanas. Rompiam as velhas algemas das tradições religiosas, do tabu da Lei temerosa de Moisés, dos sistemas e das seitas separativistas, superando, pouco a pouco, os preconceitos de raças em lisonjeira efusão afetiva com as demais criaturas. Os gestos ruidosos e torrentes de palavras tão peculiares aos judeus sofriam modificações salutares sob o toque renovador dos ensinamentos Essênios na intimidade dos santuários. Eles adquiriam a precisão no falar e no pensar, desapegavam-se dos bens materiais, desenvolviam a memória e ajustavam sentimentos numa vivência superior. Por isso, durante a tentativa sediciosa dos galileus, em Jerusalém, que resultou na prisão e crucificação de Jesus, ali não participam um só adepto essênico do "Círculo Interno". Muitos dos valiosos ensinamentos dos Essênios' e que no tempo de Jesus ainda cingiam-se a certos ritos e a uma pragmática iniciática tradicional, hoje podem ser aprendidos e cultuados com facilidade, sem o discípulo abandonar suas tarefas cotidianas e através de filiação a certas instituições espiritualistas. Algumas dessas instituições modernas ministram lições admiravelmente práticas e sem quaisquer complexidades, pois desenvolvem a mente e ajustam emoções do discípulo sem exigências fatigantes ou compromissos exóticos. Aliás, insistimos em dizer que, depois do advento de Jesus, já não se justificam as iniciações a portas fechadas! Considerando-se que o Cristianismo tem convertido indivíduos das raças mais exóticas, como o árabe, o hindu, o chinês, o japonês ou ® próprio selvagem, é óbvio que os Essênios encontravam mais facilidade em doutrinar o judeu especulador e obstinado, porque era um movimento nascido e evoluído em sua própria pátria e ensinado pelos seus próprios patrícios.

PERGUNTA: — Os apóstolos também faziam parte da Confraria dos Essênios?
RAMATíS: — Apenas João, o Evangelista, tinha acesso aos ritos internos, pois era iniciado, e fora ele o próprio profeta Samuel, que no passado havia organizado a "Fraternidade dos Profetas", na qual os Essênios também se inspiraram. Aliás, os apóstolos de Jesus foram arrebanhados quase ao apagar das luzes da vida do Mestre e jamais poderiam escalonar no curto prazo de três anos as iniciações esotéricas do Círculo Interno essênico. Ademais, o modesto discípulo ou o terapeuta do mundo exterior, precisava de três anos de estágio nos santuário menores e de atividades benfeitoras na sua vida em comum, para depois se candidatar às práticas dos graus superiores. No entanto, Jesus transmitiu oralmente a seus apóstolos muitos dos ensinamentos hauridos entre os anciãos do Monte Moab e até consagrou algumas das práticas esotéricas entre eles, como a cerimônia do 'lava-pés" e a "ceia tradicional", que o neófito essênico devia oferecer aos veteranos numa demonstração de júbilo fraterno.

PERGUNTA: —Podereis dizer-nos algo do "Conselho Supremo" composto pelos setenta anciãos essênicos?
RAMATíS: — No Conselho Supremo só eram admitidos os Essênios idosos e de elevado teor espiritual, homens da mais alta sabedoria e que já haviam renunciado ao desejo da vida humana e jamais se negariam de sacrificar-se pela felicidade alheia. Eles permaneciam no equipo carnal na função de verdadeiros catedráticos da espiritualidade; e no passado já haviam servido na "Fraternidade dos Profetas". Na época de Jesus, entre os anciãos essênicos estavam encarnados os profetas Ezequiel, Miquéias, Nehemias e Job, componentes do Conselho Supremo e todos sob a tutela do profeta Jeremias. Aliás, cs anciãos essênicos formavam o grupo de espíritos que desde os primórdios da Atlântida vinham elaborando os estatutos preliminares da efusão espiritual na Terra e o preparo da lavoura para as "sementes" abençoadas do Cristo-Jesus! Em tempos remotos foram conhecidos como os "Profetas Brancos"; depois, por "Antulianos", "Dactylos", "Kobdas" e finalmente Essênios. Atualmente já estão se disseminando outra vez pela Terra, a fim de organizar elevada confraria de disciplina esotérica em operosa atividade no mundo profano, para a revivescência do Cristianismo nas suas bases milenárias. Jesus também já havia estado com eles na Atlântida, quando viveu na Terra a majestosa personalidade de Antúlio, o profeta sublime, que em época tão recuada já fundara a "Fraternidade da Paz e do Amor", cujos adeptos ficaram conhecidos pela tradição esotérica como os "Antulianos"! E Jesuelo, o notável discípulo atlântido, que lhe foi fiel até aos últimos instantes da invasão dos bárbaros e da destruição do "Templo da Paz e do Amor", onde sucumbiu Antúlio, também retornou à Judéia para o advento do Cristianismo, encarnado na figura de João, o Evangelista. Os anciãos essênicos eram criaturas desprendidas de qualquer favorecimento no mundo de formas e nada seria capaz de despertarlhes a cobiça ou o desejo de posse. Mas não era somente a idade avançada que os elegia para o alto comando dos Essênios, e sim a abdicação incondicional da própria vida em favor de qualquer causa ou necessidade humana! Pedro, que havia negado o Mestre três vezes na inquirição dos esbirros do Sinédrio, após alguns breves contatos com os Essênios, do Monte Moab, que. lhe fizeram conhecer a significação exata da vida e da obra do Cristo-Jesus, deixou-se crucificar serenamente em Roma, rogando apenas que o pusessem de cabeça para baixo, a fim de não ser igualado ao seu Mestre! Os Essênios eram profundos conhecedores de toda a ciência da alma, pois o que muitos homens ainda hoje buscam através do Esoterismo, da Teosofia, da Rosa-Cruz, do Espiritismo, da mensagem de Krisnamurti ou da Yoga, os velhos Essênios já o sabiam e o ensinavam em seus sigilosos santuários.

PERGUNTA: — Podereis dar-nos alguma noção dos ritos ou votos habituais dos Essênios nos seus santuários?
RAMATíS: — Os "grandes santuários" radicavam-se nos montes Carmelo, Hermon, Moab, Fbat, Tabor e outros de sòmenos importância; enquanto os "pequenos santuários" disseminavam-se nas adjacências das encostas montanhosas, em alguns mosteiros abandonados, mas principalmente nas associações rurais e nos lares dos próprios adeptos conhecidos como "servidores profanos" ou "terapeutas" do mundo exterior. Ali não se praticavam ritos ou quaisquer liturgias iniciáticas vedadas aos profanos, mas apenas cerimônias singelas de apreciação pública e destinadas a assinalar o ingresso dos neóiitos no seio da confraria menor essênica. Os santuários menores é que resolviam os problemas mais simples da Fraternidade, pois ali se tratavam enfermos, alimentavam-se famintos e vestiam-se desnudos; à noite, conforme as posses dos hospedeiros, sempre havia a enxerga pobre ou o leito confortável para o discípulo retardatário. O companheiro que chegava e se fazia conhecer como filiado, era uma dádiva cultuada por toda a família do "chefe servidor" do santuário. Ele então merecia o melhor da casa; boa alimentação e bom repouso, enquanto trocavam-se sugestões e notícias, ou se faziam projetos de maior divulgação dos princípios generosos da caridade e do amor tão carinhosamente cultivados pelos Essênios. Sob tal influência, o Cristianismo também revelou entre os seus adeptos um elevado espírito de confraternização e hospedagem afetuosa. Em geral, os terapeutas ou filiados externos reconheciam-se pelo sinal característico de cerrar a mão direita e apontar o dedo indicador para o céu, enquanto os adeptos do Círculo Interno fechavam o dedo mínimo e o anular, deixando o polegar, o indicador e o médio abertos e erguidos até à altura da cabeça, conforme o próprio Jesus o fazia habitualmente e se pode verificar pelas estampas católicas. A saudação peculiar preferida entre eles era "A Paz esteja convcscc", a qual punha à vontade aquele que fazia parte da comunidade e a seguir respondia: "Seja a Paz em ti e em mim pela graça do Senhor!" A consagração dos neófitos para o serviço da Fraternidade era processada sob um ritual simples, mas bastante significativo, em face do seu elevado simboüsmo dominante no ato. Após algum momento de silêncio e o devido ajuste espiritual entre todos os presentes, numa atmosfera de expectativa ante a admissão de novos elementos que passariam a viver as regras superiores, então o Servidor Menor trazia o jarro e a bacia de louça, ambos imaculadamente brancos e exclusivos para. aquele uso, a fim de ser feita a lavagem ou ablução das mãos. Essa cerimônia simples e muito expressiva, significava que o ijeófito purificava suas mãos ao servir-se da água, a linfa criadora e a base da vida planetária. Ele se comprometia a jamais conspurcar suas mãos dali por diante em qualquer ação menos digna, pois a água de que se servia, além de magnetizada pelos terapeutas, também recebia a bênção dos anciãos. Aliás, os santuários menores representavam o limiar do Templo; ali, o primeiro grau eqüivalia ao grau de aprendiz da atual maçonaria do rito escossês e .o segundo grau correspondia ao de companheiro. Após o aprendiz ter estagiado dois anos na filiação preliminar do santuário menor externo e cumprido o voto do bom uso das mãos no mundo profano, sem aviltá- las em práticas viciosas ou atos censuráveis, então podia submeter-se ao cerimonial do segundo grau preliminar. Repetia-se a mesma cena emotiva do primeiro grau, mas, desta vez, fazia-se a lavagem ou ablução do rosto, cuja cerimônia prolongava o seu voto anterior do "bom uso das mãos", para o compromisso definitivo de "ver, ouvir e falar", dali por diante, conforme o procedimento e as regras morais da Confraria dos Essênios. O rito era simples mas de profunda significação; o noviço prestava um juramento de vida moral superior, enquanto o ato da ablução das mãos e do rosto gravava-se profundamente na sua consciência como sentinela vigilante a acusar-lhe no futuro qualquer negligência em sua promessa. Ambas as cerimônias findavam-se pela concentração do neófito sobre a luz da lâmpada votiva empunhada pelo Servidor do Santuário, cuja luz então simbolizava a fonte luminescente do Espírito de Deus a se irradiar por todas as criaturas. Finalmente, ele então pronunciava as seguintes palavras como um termo de consagração e de compromisso moral aos estatutos dos Essênios: "Deus, Todo Poderoso, que vitalizais com a vossa energia cósmica a mente ei o coração dos homens, vossos servos, aceitai o voto sagrado que vos é feito por este humilde servidor, que se compromete a aumentar de duas horas o seu serviço para aliviar os leprosos, socorrer os órfãos, confortar os paralíticos, orar pelos loucos e consagrar-se aos desvalidos, enfermos e perturbados. Senhor! Ajudai-me a cumprir a vossa Vontade no mundo da matéria e despertai em mim a chama eterna do vosso Amor!" Em seguida, um adepto consagrado em grau superior acendia o círio do sacrifício da grande lâmpada sagrada, enquanto o Servidor do santuário familiar pousava suas mãos na cabeça de cada neófito ou candidato a terapeuta, pronunciando as seguintes palavras, que completavam o testemunho do compromisso espiritual da instituição: "Seja tua vida conforme a Lei do Senhor Criador da Vida; as energias benfeitoras absorvidas pelas tuas mãos ou espargidas em teu rosto, neste dia, hão de servir-te para aliviar as dores físicas dos nossos irmãos necessitados, até que a florescência do Amor possa ajudar-te a aliviá-los em espírito".

PERGUNTA: — E ser-vos-á possível descrever-nos algo do cerimonial dos candidatos admitidos no "Círculo Interno" dos Essênios?
RAMATíS: — Não podemos nos alongar em minúcias iniciáticas e violar regras que tinham por finalidade testemunhar aos Mestres as reações emotivas, a capacidade mental e o discernimento espiritual dos seus adeptos, cuja ordem fraternista ainda existe no mundo oculto e já se organiza e se dissemina no orbe terráqueo sob o comando do Cristo-Jesus. No entanto, dir-vos-emos alguma cousa quanto à sua significação espiritual do rito prescrito aos noviços, que após o testemunho de filiação e estágio de observância moral nos santuários menores, eram depois credenciados para a sua iniciação no Círculo Interno. Após o compromisso espiritual assumido diante do Mestre Maior da Iniciação, o noviço submetia-se aos "testes" de aptidão e controle mental, o que não achamos oportuno descrevê-los à ironia, descrença eu incompreensão do mundo profano ainda tão materializado nas suas relações humanas. O discípulo que já havia alcançado o grau máximo no santuário menor e se candidatava ao "Círculo Interno", então envergava um hábito leve, de cor azul-celeste, símbolo da vida extraterrena, pois a tradicional veste branca dos Essênios era exclusiva dos iniciados nos últimos graus, cuja vida profana já se mostrasse imaculada e livre de críticas. Em seguida, o noviço ajoelhava-se diante do altar dos "sete livros sagrados", os quais simbolizavam e aludiam ao trabalho operoso dos sete maiores profetas da Terra e das sete instituições fraternistas responsáveis pela evolução espiritual do homem. A seguir ele submetia-se à purificação simbólica pelo incenso extraído do sândaio e depois se concentrava invo-eando os "Senhores dos Destinos Humanos" e rogando permissão para devotar-se também à tarefa de esclarecer o espírito do homem, além do compromisso anterior de aliviar-lhe as dores físicas. Essa fase era a consagração definitiva do "homem novo", cidadão sidéreo, que dali por diante passaria a operar só em função da vida eterna e superando cada yez mais o "homem velho" do instinto animal! O ingresso no Círculo Interno desfazia os laços e as ligações da personalidade humana com as especulações utilitaristas da vida material, pois o Essênio, dali por diante, transformava-se numa peça viva da confraria a serviço incondicional da redenção do espírito humano! Quando o ambiente dos santuários maiores se saturava de vibrações puras e energéticas, pela presença de iniciados de alto quilate espiritual, ou de visitantes da estirpe de Jesus, então ali se condensava ectoplasma suficiente para proporcionar a materialização de entidades superiores e a produção da "voz direta". Isso sucedeu na "Transfiguração", no Monte Tabor, porque ali também se congregavam muitos anciãos do Conselho Supremo da Confraria dos Essênios. Então o influxo das vibrações angélicas de Jesus, conjugadas às energias emanadas dos iniciados dos demais santuários, produziram a "tela ectoplásmica" hipersensível, que permitiu acs espíritos de Elias e Moisés projetarem as suas características pessoais, dando o testemunho de que também haviam sido precursores da obra de Jesus, embora operando apenas na lavradura do terreno!

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(1) Mateus, XVII — 11 a 13; João, III — 1 a 12.


(2) Mateus, cap. XX7I, VS. 1 a 13.

(3) Nota do Médium: — Realmente, em Portugal e na Espanha, o movimento espírita sofre pesado tributo devido à intransigência do Clero Católico Romano a ponto de serem devolvidas obras espiritualistas que não gozam da simpatia e chancela clerical.

http://www.usetupa.com.br/Livros/L-O-Sublime-Peregrino.pdf

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