Experiências com Pneumatografia
página acima: Pneumatografia
-
-
Crianças e Adolescentes
DESAPARECIDOS
*

____Permiti-me aqui resumir a minha experiência pessoal, que em outra ocasião narrei detalhadamente. Apresento-a, não como absolutamente conclusiva, mas como completa, relativamente à mesma experiência feita por milhares de observadores competentes e por eminentes cientistas de todas as partes do mundo. Tomei uma lousa inteiramente nova e ainda não servida, por mim comprada vinte minutos antes, e apresentei-a ao médium, Carlos E. Watkins, em Boston, no dia 18 de setembro de 1877. Era um dos chamados livros-lousa, com sólida capa de papelão. Busquei conhecer bem tudo o que se sabia de desfavorável aos médiuns em geral, e a esse em particular.

  • Depois de manifestar a sua clarividência, dizendo-me o que estava escrito em algumas dúzias de pedacinhos de papel que eu havia enrolado e misturado, de modo a não mais poder eu mesmo distingui-los uns dos outros, ele permitiu-me segurar a minha própria lousa e conservá-la afastada de si na minha mão esquerda, depois de haver eu deitado sobre a lousa um pedacinho de lápis com a dimensão de metade de um grão de arroz.
  • O médium assentou-se a três pés de mim, e nenhuma vez tocou na lousa.
  • Apesar de não ter havido oportunidade para que ele aí imprimisse qualquer sinal sem eu sabê-lo, verifiquei ainda se a lousa estava perfeitamente limpa.
  • De repente, ouviu-se um som semelhante ao que produz o lápis escrevendo numa lousa, e, em menos de dez segundos, um golpezinho dado sobre ela.
  • Abri-a e aí vi escrito o nome de uma amiga falecida, Ana Cora Mowatt.
  • Repeti essa experiência muitas vezes e com o mesmo êxito, obtendo nomes e comunicações de amigos, o que seria menos extraordinário se o médium os tivesse conhecido; isso não se dava entretanto.

____Em uma ocasião, na mesma sessão, consegui uma comunicação de cinquenta e duas palavras, escrita com extraordinária celeridade. A escrita era clara e legível. Conservo-a ainda.

  • O médium e eu éramos as únicas pessoas presentes e a luz meridiana inundava a sala.
  • Não era possível fugirmos ao pensamento de que um grande fenômeno, compreendendo a clarividência e o movimento inteligente, sem qualquer auxílio manual, mecânico ou químico, se produzia diante de nós.
  • Se o fato existe, se não é o fruto de uma alucinação, não temos mais necessidade de escrever livros para provar que o materialismo, que restringe todas as operações da alma aos movimentos do cérebro material, no sentido humano da palavra, é um erro.
  • Se eu tivesse de rejeitar ou pôr em dúvida o testemunho que os meus sentidos e o bom-senso me deram nessa ocasião, considerar-me-ia incapaz de atestar qualquer outra ocorrência visível.
  • Nenhuma hipótese de impostura a razão podia descobrir, não havia aí nenhum conchavo entre os seres terrestres, e as condições foram escolhidas de modo a excluir rigorosamente qualquer fraude.
  • Nada ficava na dependência do caráter moral do médium; e, se no dia imediato, ele fosse apanhado enganando, isso em nada afetaria as minhas convicções, a menos que o modus operandi fosse explicado de tal modo a eu observar que, com a precisa prática e destreza, outro podia produzir a mesma manifestação.

____O fenômeno não era novo para mim. Muitos anos antes colhera eu provas da escrita independente sobre o papel, em presença de Colchester, médium inglês que faleceu jovem. Nunca, porém, segurei eu mesmo a minha lousa, nova e limpa, sem ela ser tocada por qualquer outra pessoa; ouvira o ruído do lápis que escrevia independente de qualquer processo físico conhecido, químico ou mecânico. Se não existisse uma evidência que corroborasse os milhares de testemunhos de outros investigadores, alguns de alta reputação científica, eu poderia sentir alguma hesitação em narrar a minha própria experiência, temendo a natureza do fato. Mas, a autenticidade do fato é hoje tal, que, apesar do cepticismo sempre escusável, a pronta negação do fenômeno só poderá proceder da ignorância ou da negligência.

[97 - páginas 42/43] - Epes Sargent (1813-1880)

____Tinha sido anunciado que o Sr.Rev. Joseph W. Cook, na sua prédica da segunda-feira seguinte, apresentaria o resultado de suas experiências em minha casa. A velha igreja escocesa de Boston regurgitava de povo nesse dia. A sessão efetuou-se em minha biblioteca, onde, incluindo eu e o médium, achavam-se presentes nove pessoas, das quais três eram senhoras. Eis o que disse o Sr. Cook em sua prédica de 15 de março de 1880, apresentando os seguintes pontos satisfatórios:

  • “1º – Cinco fortes bicos de gás, sendo quatro no lampião ou lustre, e um na posição que correspondia ao centro da mesa, iluminavam a biblioteca onde se efetuavam as experiências.
  • 2º – Em tempo nenhum as lousas, onde apareceu a escrita_supranormal, foram afastadas das nove pessoas que as observavam. A escrita não foi feita sobre lousas seguradas por baixo da mesa, como se dava com Slade em Londres e em Leipzig.
  • 3º – Todos os observadores empregavam o maior cuidado no exame da limpeza das lousas, antes de serem elas justapostas umas às outras.
  • 4º – Durante a primeira experiência, nove pessoas conservaram, cada uma delas, uma ou duas mãos acima e abaixo de duas das lousas. As mãos do médium estavam entre as outras e ele com certeza não as tirou da sua posição, enquanto ouvíamos o som do lápis que escrevia.
  • 5º – Cada observador havia escrito, em um pedaço de papel fornecido pelo médium, o nome de um amigo falecido e uma pergunta feita a este. Todos esses pedaços de papel foram enrolados apertadamente, os rolinhos aleatoriamente reunidos sobre a mesa, de modo a ninguém poder distinguir qual era o seu. Cerca de meia dúzia de nomes foi corretamente dada pelo médium quando os papeizinhos estavam enrolados. Ali nada se aventurou sobre o método pelo qual obtivera ele esse conhecimento. Um dos dois rolinhos, que eu houvera posto sobre a mesa, continha as seguintes palavras: “Warner Cook. Em que ano meu pai nasceu?” Era uma questão a que responderia qualquer pessoa que pudesse ler os meus pensamentos. No outro papel escrevi uma pergunta cuja resposta eu ignorava, e esta não veio. o médium, que com certeza não podia ter visto o que escrevi, por não se achar na sala na ocasião, deu-me corretamente o nome de meu avô aí contido. Disse-me também corretamente o nome escrito no segundo papel; atribuí isso talvez ao fato de ter ele lido o meu pensamento. o médium escreveu sobre uma lousa: “Desejo que saibais que eu posso vir. Há tanto tempo eu procurava alcançar vocês. – W. C.”
    ____Julguei que houvesse nisso fraude, não obstante me dizerem que vinha de um Espírito.
    ____O médium, em todo o caso, começou a sofrer, fazendo contorções singulares, e disse ser isso o resultado dos esforços de um Espírito para se comunicar com ele. Tive muitas dúvidas a esse respeito e, como todos os outros, prestei muita atenção a esses movimentos. Ele colocou diante de si duas lousas sobre uma mesa, e sobre cada uma delas assentou uma de suas mãos com a palma para baixo.
    Parecia estar fazendo um extremo esforço de vontade e disse não poder garantir o resultado da experiência. Cortando um pequeno fragmento de lápis de pedra, não maior do que quatro ou cinco vezes as dimensões de uma cabeça de alfinete, colocou-o sobre uma das lousas e pediu a todos verificarem que ela estava limpa. Nós o fizemos de um modo satisfatório, à plena luz de cinco bicos de gás. Em seguida, juntou as lousas, mantendo entre elas o pedacinho de lápis, e pediu que todos segurássemos nas molduras das mesmas. Puxou minhas mãos para junto das suas e deu-me muitos toques nas costas de uma delas. Entretanto, seu rosto manifestava grande esforço de vontade e energia, parecendo estar em luta de volição; e suas feições mudavam, adquirindo uma expressão de grande vigor e determinação; contudo, enquanto o observávamos, as lágrimas lhe saltavam. Foi nesse transe que a audição da escrita começou e continuou.
  • 6º – Enquanto doze mãos, em plena luz, seguravam fortemente as lousas, ouvimos distintamente o som peculiar de um lápis de pedra escrevendo entre as lousas. Eu disse: “Silêncio!” por uma ou duas vezes, e, no mais perfeito silêncio, todos ouvimos o ranger do lápis entre as lousas.
    ____Depois vimos o fragmento de lápis que tinha sido empregado, e notamos que estava gasto pela fricção da escrita.
  • 7º – A escrita encontrada em uma das lousas, quando foi descoberta, era a resposta à minha pergunta e dizia: “Julgo que foi em 1812, mas não estou bem certo. Warner Cook.”
    A data era correta. A dúvida expressa na minha pergunta não existia no meu pensamento, porque eu conhecia a data. Contudo, durante a escrita, não pensara nela, pois esperava apanhar o médium em flagrante.
  • 8º – Em uma segunda experiência, o médium encerrou as lousas às nossas vistas, depois de terem sido limpadas com uma esponja molhada, que eu mesmo trouxera de um gabinete do Sr._Sargent, e enxugadas com o meu lenço em presença de todos, quando estavam sobre a mesa. Tínhamos resolvido que nenhum ditado visível fosse conservado nas lousas, que pudesse ter sido feito por um artifício manual ou antes de nos termos reunido. Depois de terem sido elas cerradas sobre o lápis, o médium, a meu pedido, prendeu-as por duas fortes braçadeiras de bronze, uma em cada extremidade. (O Sr. Cook apresentou essas braçadeiras ao seu auditório.) Feito isso, as lousas foram por ele postas na minha mão direita, que estendi em todo o comprimento do meu braço, por cima das costas da minha cadeira para o espaço vazio da sala, enquanto a minha mão esquerda ficava sobre a mesa. o médium, por duas ou três vezes, voltou a lousa que eu tinha na mão, e depois tornava a assentar as suas mãos sobre a mesa, onde, como as de todos os outros, ficavam sempre à vista. Nessa posição conservei as lousas por alguns segundos, prestando-lhes atenção, assim como ao médium. Este parecia não estar fazendo esforço particular de vontade. Quando as lousas foram separadas, encontramos em uma das suas faces a seguinte frase em tipo feminino: “Deus vos abençoe a todos. Aqui estou. Vossa afetuosa amiga, Fanny Conant.” Nunca tinha ouvido falar dessa pessoa, mas seu nome era conhecido por alguns dos presentes como sendo o de uma médium falecida há pouco e muito conhecida em Boston.
  • 9º – Um dos observadores que, por convite meu, assistia às experiências era o médico de minha família, Dr. F. E. Bundy, de Boston, graduado pela Escola Médica de Harvard, homem dotado de grande calma e perspicácia e sem disposições para aceitar a teoria espírita. Outro dos observadores era o Sr. Epes Sargent...(1)
    ____Dos nove observadores, a maioria não só não era espírita, como estava completamente prevenida contra os reclamos feitos em favor do médium que dirigia as experiências. Sem perda de um instante, o Dr. Bundy e eu tomávamos nota dos fatos, como se iam dando.
  • 10º – Entre os nomes escritos nos rolinhos, e que foram lidos corretamente, estava o de um oficial do Exército regular, morto em uma das escaramuças preliminares da batalha de Wilderness. O narrador do fato conhecia esse oficial e as circunstâncias da sua morte.
    ____O médium, ao pronunciar o nome do oficial, caiu de costas com um movimento vivo e rápido, como o que faz uma pessoa ferida no coração. Depois de alguns segundos, ele escreveu na lousa a palavra baleado.
  • 11º – As mãos de todos nós estavam colocadas sobre as lousas na primeira experiência, de modo a tornar inaplicável aos fatos a teoria da fraude pelo emprego de lápis magnético. Um dos observadores colocou uma de suas mãos aberta contra a face inferior e a outra sobre a face superior das lousas, que, seguras pelos assistentes, se achavam de seis a dez polegadas acima da superfície da mesa. Nenhum ímã oculto nas mangas do médium podia ter sido utilizado para mover o lápis.
  • 12º – Ao encerrar-se o trabalho, todos unanimemente assinaram um papel ali apresentado, no qual se declarava que a teoria da fraude não podia explicar os fatos observados. Não podendo explicar a produção da escrita_pelo_movimento_da_matéria_sem_contato, as opiniões divergiam, ...

Relatório dos observadores das experiências psicográficas do Sr. Sargent, em Boston, a 13 de março de 1880.

____Na residência do Sr._Epes_Sargent, na tarde de sábado, 13 de março, os abaixo assinados viram duas lousas limpas e ajustadas uma à outra, contendo entre si um pedacinho de lápis de pedra. Reunimos todos as nossas mãos, segurando os caixilhos das lousas. As mãos do Sr. Watkins, o médium, também seguravam as lousas. Nessa posição, todos distintamente ouvimos o ranger produzido pelo movimento do lápis e, separando-se as lousas, achamos aí uma mensagem escrita por mão masculina, respondendo à pergunta feita por um dos presentes.
____Em seguida, duas lousas foram presas uma à outra com fortes braçadeiras e seguras pelo Sr. Cook, com o seu braço estendido, enquanto todos os outros e o médium conservavam as mãos sobre a mesa, plenamente visíveis. Depois de um momento de espera, as lousas foram separadas, encontrando-se uma mensagem escrita por mão feminina em uma das faces internas. A sala esteve sempre iluminada pela luz de cinco bicos de gás.
____Não podemos aplicar a esses fatos nenhuma teoria de fraude, e não vemos como explicar a escrita, a não ser que a matéria do lápis se tenha movido sem contato.

____Boston, 13 de março de 1880.

Epes Sargent, Henry G. White, Rev. Joseph W. Cook Missionary, 1868-1870 - http://anglicanhistory.org/usa/thomas_cook1919.html, John C. Kinney, F. E. Bundy, médico.

____Notai agora os pontos não satisfatórios dessas experiências:

  • 1º – A minha atenção foi, muitas vezes, desviada do médium pelo convite que me fazia ele de colocar a ponta do meu lápis sobre os rolinhos de papel, passando docemente de um a outro.
    ____Convém saber-se que o mesmo convite era feito ao Sr. Sargent, apesar de que, se o seu fim era distrair a atenção de alguém, não era este, mas sim o Dr. Bundy que devia ser o escolhido, por ser ele contrário à admissão dos fatos, e a arma que ele primeiro devia encravar. A atenção do Dr. Bundy não foi desviada por um só instante, convindo também acrescentar que, nos momentos que me pareciam importantes, a minha atenção igualmente não o foi.
  • 2º – Por duas ou três vezes, o médium e um amigo que ele trouxera (2) deixaram a sala juntos, sem que eu nada soubesse acerca do que iam conferenciar. É de supor que seu fim era fazer com que esse amigo não fosse considerado como aliado.
  • 3º – o médium prontamente se mostrou contrariado, quando se lhe propôs o emprego das braçadeiras de bronze, mas depois concordou.
  • 4º – As lousas trazidas pelo amigo do médium foram as empregadas na experiência, ao passo que as minhas não foram aceitas.
    ____O motivo alegado para a rejeição das minhas lousas foi o fato de terem capas de madeira, que é má condutora das influências elétricas. Apesar de as braçadeiras não prenderem melhor as lousas do que as mãos que as seguravam, concorriam também para isso e devem ser mencionadas na narração feita ao público. Se eu de repente caísse em transe, ou fosse mesmerizado, enquanto segurava as lousas, as braçadeiras conservá-las-iam unidas; e algum dos assistentes, que não estivesse em transe, observaria o acontecimento.

____No todo, os pontos não satisfatórios não suplantam seus contrários, confessando os observadores a sua incapacidade para explicarem a produção da escrita sem admitirem o movimento livre de contato.
Nessas experiências, não ficou decidido se a força que movia o lápis era produzida pela vontade do médium, por um Espírito ou por ambos.
____Não temos a presunção de expor como o movimento foi produzido, mas diremos que a escrita não pode por nós ser explicada sem admitirmos o movimento do lápis sem contato.
____Sem dúvida alguma, esses fatos, assim estabelecidos, mesmo no caso de não sabermos se a força procede do médium ou dos Espíritos, subvertem totalmente a teoria mecânica da matéria, reprovam todas as hipóteses materialistas e assentam as bases da Física transcendental ou de um mundo novo na filosofia.

  • Apareceu ultimamente na Alemanha um jornal tratando dos fenômenos_psíquicos. É escrito por Leeser, médico candidato a uma cadeira da Universidade de Leipzig, e intransigente defensor da teoria de que a força_psíquica explica todos esses fenômenos e que ela procede exclusivamente do homem. Saí da biblioteca do Sr. Sargent convencido de que o ponto capital a debater está entre essa teoria e a adotada por Zöllner e Crookes, de proceder essa força dos homens e dos Espíritos. Qualquer que seja o resultado final das experiências dos que se dedicam ao estudo dos fenômenos psíquicos, é quase certo hoje que as investigações se concentrarão dentro das linhas traçadas por essas duas teorias rivais.”

____Visto ter sido o Sr. Cook muito atacado por alguns jornais religiosos por dar testemunho do que vira, deixai que vos apresente, em aditamento às suas observações, uma experiência.
____Na tarde de 8 de junho de 1880, o Sr. Watkins veio à minha casa e propôs que fizéssemos uma sessão. Como o dia estava um pouco frio, fomos para a sala de jantar, onde havia fogo, e assentamo-nos junto a uma grande mesa coberta com um pano verde. As dimensões da sala eram de 5,80 por 6,50 metros.
____Além do médium e eu, estavam presentes a Sra. E. e a Srta. W., ambas pertencentes à família, e das quais a última vira pela primeira vez o Sr. Watkins, quando a chamei para tomar parte na sessão. Fechamos as duas portas para evitar qualquer interrupção. Sobre a mesa colocamos sete lousas, duas trazidas por mim e que nunca haviam servido, o livro-lousa que fora empregado na minha primeira experiência com o médium, em 1877, e quatro lousas pequenas, trazidas pelo médium e cuidadosamente umedecidas e enxugadas por mim. Além disso, havia na mesa papel e lápis.
____Assentamo-nos de um lado da mesa durante as experiências, que foram feitas à plena luz do dia, ao passo que o médium ficou do lado oposto, ora junto à cabeceira e ora caminhando pela sala, de modo que toda a sua figura podia ser vista em qualquer tempo. Primeiramente, pusemos duas das pequenas lousas uma sobre a outra, contendo no vão um pedacinho de lápis, e seguramo-las pelos caixilhos. O ruído do lápis fez-se logo ouvir e, em seguida, tomando a lousa inferior, nela encontramos escrito o seguinte, em grandes e bem legíveis caracteres: “Aqui estou. – Lizzie.” Antes da experiência, tínhamos verificado que as lousas estavam perfeitamente limpas. Tinha-as eu lavado e enxugado com cuidado. A substituição das lousas por outras era impossível.
____A mensagem foi produzida enquanto a Srta. W. segurava as lousas, e o médium, sem aí tocar, se achava a cerca de 1,20 m de distância. Nas minhas duas lousas, novas e perfeitamente limpas, seguras pelo médium diante de todos, foram escritas duas mensagens, uma de dez palavras e assinada com o nome de meu pai, dirigida a mim; a outra, de três palavras, dirigidas à Srta. W. e assinada por um jovem amigo falecido, de quem nunca o médium ouvira falar.
____Uma vez as duas damas seguraram cada uma um par de lousas, e em ambos os pares simultaneamente produziu-se a escrita, sem que o médium, conservando-se do outro lado da mesa, aí houvesse tocado.
____Propusemos então servir-nos do livro-lousa. Ele tinha anteriormente sido escrito nas duas faces internas e eu me opunha a que essas escritas fossem apagadas. Uma delas era uma carta de sessenta palavras, obtida alguns anos antes por intermédio do Sr. Watkins e assinada com o nome da minha irmã Lizzie; e a outra continha apenas as seguintes palavra: “Vossa tia Amélia está presente”, obtida por um outro médium, o Sr. W. H. Powell.(3) Afinal consenti na extinção da última escrita, contanto que isso fosse feito pela força desconhecida, aparentemente em ação. Tomando as lousas, em uma das quais se conservavam as escritas anteriores, fechei-as e passei-as às mãos do médium, que as segurou diante de todos. Ouviu-se logo o ruído do lápis, e em menos de doze segundos as lousas me foram devolvidas. Abri-as, e na face de onde a inscrição fora apagada cuidadosamente lia-se o seguinte: “Meu caro irmão, fui eu quem limpou a lousa. – Vossa irmã Lizzie.”
____O último e capital incidente da tarde foi o seguinte: Eu havia escrito o nome de minha mãe em um desses papeluchos enrolados, nos quais o médium não tinha tocado. Tomando duas lousas justapostas, ele, após mostrar-nos que estavam limpas, colocou-as sobre uma mesinha a um canto da sala. Depois, tendo julgado melhor, entregou as lousas por mim examinadas à Srta. W. e foi postar-se no ângulo oposto da sala, a uma distância maior de sete metros, na linha diagonal, convidando-nos para nos certificarmos bem de que estavam limpas, destruindo assim qualquer ideia de terem sido substituídas, visto não lhe provir disso vantagem alguma. Disse ele à Srta. W. que as colocasse com as suas mãos sobre a mesinha. Apenas ela o havia feito e tornado ao seu lugar, o médium pareceu violentamente agitado e, passando por cima da mesa, segurou a mão da Srta. W. O paroxismo, porém, só durou um momento; o ruído do lápis, escrevendo na lousa distante, foi ouvido e o médium, conservando-se a sete metros de distância, disse à Srta. W. que fosse buscar as lousas e mas entregasse. Ela o fez e eu, tomando a lousa inferior, aí achei escritas em sete linhas as palavras seguintes: “Queridos filhos. Aqui estou e preciso ver-vos ainda. Não posso dizer mais por agora. Vossa afetuosa mãe, M. O. S.
____Os fatos extraordinários dessa experiência foram os seguintes:

  • 1) as lousas não foram tocadas pelo médium, desde que saíram das minhas mãos, até me serem restituídas por uma dama, e eu li o que estava escrito
  • 2) eu mesmo verifiquei antes estarem as suas faces limpas
  • 3) enquanto se produzia a escrita e se ouvia o ruído do lápis, o médium se conservava a uma distância de sete metros das lousas.

____Fenômenos como estes me parecem ter a sua razão de ser fora dos domínios do materialismo. Onde e como encontrar uma explicação para eles?

  • O materialismo, com os seus dogmas, é impotente para sugerir-nos uma explicação admissível.
  • Aí se patenteiam provas de uma força inteligente, obrando fora do cérebro humano, fora de qualquer organismo visível.
  • Em todas as idades do mundo, essa força tem sido comparada ao invisível sopro humano – o espírito.
(1) Omito aqui um cumprimento todo pessoal.

(2) o Sr. White, de quem já falamos.

(3) o Banner of Light, de 17 de julho de 1880, falou dos trabalhos mediúnicos importantes obtidos em Rochester pelo Sr. Powell, em condições de não ser possível qualquer suspeita de embuste e sob a inspeção de uma comissão de físicos e químicos de nomeada, como os ...

  • Srs. Dr. Wm. Paine,
  • Dr. Rouben Carter,
  • B. F. Dubois,
  • John P. Hayes,
  • Alfred Lawrence
  • e F. J. Keffer, os quais declararam não poder explicar as manifestações psíquicas produzidas por intermédio do Sr. Powell, em 1879, em Filadélfia.

[97 - páginas 46/55] - Epes Sargent (1813-1880)

  • Os fatos por mim verificados têm-me convencido evidentemente de que uma inteligência, operando à distância de sete metros de distância de qualquer médium conhecido, e a mais de cinco metros de qualquer outro ser humano, pode produzir uma mensagem em qualquer lousa.
  • A teoria que sustenta a existência de faculdades latentes no ser humano e que, com inconsciência deste, possam produzir tal efeito, abrange a que admite a existência de faculdades independentes dos órgãos materiais, independentes, em sua vitalidade potencial, de um corpo material visível.

____Assim, prevaleça uma ou outra dessas duas teorias, a causa do Espiritismo está segura. No Times, de Chicago, julho de 1880, apareceu uma notícia das experiências do Prof. V. B. Denslow, que não é espírita. Ele teve naquela cidade quatro sessões com o médium Henry Slade e uma ou duas com a médium Sra. Simpson. Eis alguns dos seus apontamentos:

  • “Tomei assento com o Sr. Slade em seu próprio quarto, situado por trás da sala de visitas, onde não se achava pessoa alguma e cujas portas estavam fechadas. Examinei o tapete, a mesa e as paredes, nada achando de extraordinário e suspeito. Não revistei os bolsos de Slade nem – como recomenda a carta publicada na Nation, de Nova Iorque – procurei descobrir ímãs ocultos sob a sua roupa. O resultado demonstrou-me que tais precauções da minha parte teriam sido fúteis, como meio de descobrir o modo pelo qual se operava a escrita na lousa, visto não poderem ímãs ocultos sob a roupa produzir escritas entre duas lousas. Não é coisa importante de saber se na sala havia uma só ou cinquenta lousas, mas se, relativamente à escrita produzida, era admissível a teoria da substituição de lousas preparadas. Segundo observei, porém, na sala só existiam duas lousas, ambas colocadas sobre a mesa e limpas de qualquer escrita. Nenhuma mola havia junto da lousa, pela qual, conforme sugeriu um imaginoso, na Califórnia, um rolo de musselina, indistinguível da superfície da lousa, fosse estendido sobre esta. Todos esses expedientes complicados e impraticáveis contrastam fortemente com a simplicidade e a segurança do poder oculto que produz a escrita.”

____O Prof. Denslow obteve a escrita na lousa pelo modo que ele longamente descreve, ficando convencido de que ela se produzia em presença de Slade “sem contato de pessoa vivente com o lápis que escrevia”. Diz ele:

  • “Li, com sincero desejo de colher alguma luz, a cuidadosa análise feita pelo Sr. Howells no Undiscovered Country (“Regiões Ocultas”), dos diversos graus de loucura que instigaram o Dr. Boyton a descobrir manifestações de Espíritos onde elas não existem; mas não achei que ela derramasse luz sobre o caso em que a escrita da lousa se executa perfeitamente sem a possibilidade de contato físico de uma pessoa vivente com o lápis.
    ____Vi também os esforços do Dr. George M. Beard para ligar a palavra histeria a esses fenômenos singulares, mas não pude encontrar meios de aplicá-la a tal caso. Jamais gozei de melhor saúde, jamais a minha alma esteve mais calma do que na ocasião em que observei esses fenômenos. Estou, tanto quanto o Dr. Beard, longe de ser um histérico e, tanto quanto o Sr. Howells, longe de ser julgado um louco; no mesmo caso deviam estar todas as vinte damas e cavalheiros que por várias vezes testemunharam esses fenômenos em minha presença, ou me descreveram sua natureza imediatamente depois. Tanto quanto tenho visto, muita inteligência, cepticismo, calma, agudeza, erudição, cultura e familiaridade com os métodos científicos e a ligeireza de mão, têm sido postos em ação para achar-se a solução do problema simples que uma criança pode resolver, para descobrir se algum ser humano está em contato físico com o lápis, enquanto este escreve. Todos chegam à conclusão de não haver aí contato possível...
    ____Nunca a escrita_direta_independente foi característico da histeria. As pessoas histéricas podem crer estar vendo o que não vêem, mas o princípio da ilusão não tem aplicação ao caso, em que cinquenta pessoas numa sala vêem a escrita produzida e ouvem o ruído do lápis que a produz. Não vi o lápis traçar as letras, mas nem por isso há em todos os fenômenos um fato a que o princípio da ilusão possa ser aplicável. O emprego da palavra histeria, portanto, onde não se pode alegar ilusão dos sentidos, não é mais que simples demonstração de ignorância. Nada explica nem designa. Quando examinei as lousas, antes da experiência, nenhuma ilusão podia eu ter, pois nada havia ocorrido. Quando as examinei depois, também não podia haver ilusão, pois a escrita estava indubitavelmente ali, e milhões de pessoas, que vissem as lousas, poderiam lê-la.
    ____A única parte do fato à qual a teoria da ilusão poderia ser aplicada era a de julgar estar eu segurando a lousa, onde o contato da escrita com o lápis não era possível, se é que, realmente, o fato se desse. Mas, é muito fácil observar-se à plena luz do dia uma lousa que se tem segura na mão, onde nenhum ser humano possa escrever, especialmente quando na sala só estavam duas pessoas. Supor que eu não pudesse fazê-lo, ou não soubesse que o fazia, é uma prova de ignorância, pois indica que aqueles que tal afirmam se tornaram infiéis à integridade do intelecto humano e perderam o poder de se conservarem leais às evidências dos sentidos, asserção que implica nada menos que uma ausência da razão humana.
    ____Não tem aqui cabimento a teoria da prestidigitação, porque ela exige que a mão do operador esteja em contato com o objeto sobre o qual opera, e a maior dificuldade dessa arte consiste em conservar a mão mágica num estado de movimentos ligeiros e variados, de modo que o observador não possa acompanhá-los. Em nosso caso, as duas mãos de Slade se conservavam imóveis e expostas às vistas. Um prestidigitador que deixasse de utilizar-se de suas mãos, conservando-as espalmadas sobre uma mesa, enquanto o fenômeno se produzisse, seria para fazer pasmar, a menos que não tivesse um comparsa, o que com Slade não se dava.
    ____O que presenciei com Slade não difere essencialmente do que sempre vi dar-se com a Sra. Simpson, residente nesta cidade, salvo o fato de essa senhora ler com facilidade o que o seu visitante escreve na lousa, sem olhar para esta, como seria necessário a uma pessoa comum. Slade, porém, declarou-me não poder fazê-lo.
    ____Além disso, a escrita_direta produzida na presença da Sra. Simpson é caracterizada por um incidente que não se mostra na de Slade; pois, sobre o pedacinho de lápis posto sobre a lousa, ela coloca um copo d’água, de modo ao lápis só se poder mover na concavidade do fundo do copo, o que corresponde ao espaço de um dólar de prata. Colocada a lousa por baixo da mesa, segura pela Sra. Simpson de um lado e pelo observador do outro, a borda do copo fica firmemente adaptada à face inferior da mesa; entretanto, o lápis escreve longas linhas, como se o copo não existisse ou se movesse sobre a lousa, sem se poder observar a mudança das posições durante a operação, pois a escrita começa fora do espaço coberto pelo fundo do copo. Produziu-se uma vez em doze linhas, sem se importar com o obstáculo oferecido pelo sólido contato do copo com a lousa, de modo que cada linha, começada à esquerda do copo, passava diretamente por baixo dele e aparecia à direita, como se ele ali não estivesse.
    ____Quando observei isso com a Sra. Simpson, as condições preventivas de uma decepção ou de uma ligeireza de mão eram tão absolutas como no caso de Slade. Havia, porém, na sala outra pessoa, sentada à distância de cerca de quatro metros. Verifiquei sob os tapetes não haver alçapão, e mesmo que houvesse vinte, de nada serviriam, pois eu segurava a lousa com o copo, comprimindo a borda deste contra a face inferior da mesa, com muita firmeza, de modo a poder verificar que nem a mesa, nem a lousa, nem o copo deixaram suas posições, durante a produção do fenômeno. Não só a escrita foi produzida sem a possibilidade do contato de pessoa alguma com o lápis que trabalhava, mas foi feita por um agente que desprezava o empecilho oferecido por um objeto sólido, de vidro, e escrevia na superfície coberta com tanta facilidade como na superfície livre. Isso, com certeza, faz surgir a questão de saber se o lápis foi utilizado na produção do fenômeno.
    ____Estou fazendo a pergunta e não encontro uma solução. Contudo, no fim do trabalho, o pedacinho de lápis não se achava nem no lugar em que tinha sido posto antes, nem em outro ponto da lousa, mas no fundo da água contida no copo, mostrando-se gasto pela escrita que parecia haver feito. Esse fato, fisicamente impossível, de um corpo sólido passar através de um outro, sem que nem um nem outro sofresse dano, repetiu-se por seis ou oito vezes, em dez minutos.
    ____Depois de ter eu estado quarenta minutos na sala e verificado não haver aí outra planta além de uma fúcsia em crescimento junto à porta, a Sra. Simpson tentou produzir uma flor. Colocando o copo d’água sobre a lousa, como o tinha feito para obter a escrita, mas desta vez sem aí pôr o lápis, a Sra. Simpson, depois de cinco minutos de forte incitamento eletro-nervoso no braço, cuja mão segurava um lado da lousa, disse-me retirasse o copo que estava debaixo da mesa e, quando o fiz, senti a fragrância de um jacinto que se mostrava dentro do copo, fresco, rico, imaculado, com vinte e duas pétalas, apanhado de novo do pé, e que levei para a minha casa, onde ainda o conservei murcho, talvez por uma semana.
    ____Antes da minha terceira sessão com Slade, achei-me na residência do Coronel Bundy, com dezesseis pessoas de indiscutível inteligência e algumas de especial potência crítica, como o juiz Barnum e sua senhora, o Dr. Jervell, de Evanston, editor do mais famoso jornal de doenças nervosas deste país e um dos mais importantes jornais de ciências médicas do mundo; o Sr. e a Sra. Starett, redatores do The Western Magazine, o Sr. e a Sra. Perry, o Sr. Gage, a Sra. Villard, o Sr. e a Sra. Dickson e muitos outros, para testemunharmos substancialmente o método de produção da escrita na lousa. Já mencionei o fato; ninguém aí pôde descobrir o modo pelo qual uma pessoa vivente pudesse comunicar a força capaz de mover o lápis, que escrevia. Em todos esses casos de escrita na lousa, nada houve de oculto, nem diminuição da luz, e as lousas estiveram sempre nas mãos dos observadores e não nas de Slade.”

____Depois, descrevendo com precisão científica algumas experiências parciais de materialização com Slade, o professor Denslow observa:

  • “Creio conhecer suficientemente os meios pelos quais são produzidos mecanicamente os efeitos espectrais e ilusórios, para poder afirmar que tais meios, para produzirem os fatos por nós observados, eram simplesmente impossíveis; e, quando houvesse essa possibilidade, os efeitos conseguidos por esses meios seriam ainda diferentes daqueles que observei.”
    ____Concluindo, diz ele franca e convincentemente:
    • “Aqui estão fatos que, qualquer que seja sua natureza, quer consistam em provas de uma estupenda influência psicológica de uma mente_humana sobre outras, ou sejam um lasus naturae, derivado de influência elétrica, ou sejam uma janela aberta de nossa vida terrestre para o mundo espiritual, merecem ser candidamente estabelecidos por todas as pessoas que os têm visto. Mesmo que fossem impostos à alma humana, o homem de ciência teria o dever de estudar as leis que dirigem a sua produção e produzir os fatos. Por mais cuidadosos que sejamos em formular teorias sobre esses fenômenos, por maior paciência que tenhamos na sua investigação, não conseguiremos senão provar o grande valor dos fatos e da teoria adotada. Relativamente às teorias, terei tempo para apresentar a minha, quando a houver formulado.”

[97 - páginas 82/87] - Epes Sargent (1813-1880)

Ver também:
*