Da magnetização em comum, ou tratamento pela cadeia
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Crianças e Adolescentes DESAPARECIDOS
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____194. O homem possui não somente a faculdade de influenciar a um dos seus semelhantes por suas radiações magnéticas (18), como ainda pode estender esta influência sobre várias pessoas ao mesmo tempo. Quando não houver tempo para tratar individualmente um certo número de doentes, pode-se reuni-los e tratá-los em comum:

    • é o que se chama cadeia.

____195. Forma-se uma cadeia de diferentes maneiras:

    • 1º) Cadeia em fila. Colocam-se cadeiras, uma por detrás da outra, o mais próximo possível, e faz-se sentar os doentes em fila; o operador conserva-se de pé, na frente do primeiro doente, e atua dai por meio de imposições e passes à distância (97, 100), sobre a fila toda inteira.
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      O magnetismo, diz Du Potet, se comunica de um para outro com uma prontidão notável, sem cessar de ser eficaz. Particularmente empreguei este processo em Montpellier, onde estive tão atarefado que me foi inteiramente impossível magnetizar isoladamente. Com uma cadeia formada desse modo para dez doentes, eu consagrava ordinariamente cinqüenta minutos. (Barão Du Potet)


    • 2º) Cadeia formada com contato. Colocam-se cadeiras em círculo, uma contra a outra, e faz-se sentar os doentes unidos pelas mãos e tocando-se com o joelho e a extremidade dos pés.
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      Nesta posição, diz Mesmer, os doentes, por assim dizer não formam mais que um corpo contínuo, no qual circula ininterruptamente a corrente magnética.
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      O operador conserva-se no centro do círculo atuando nos doentes conjuntamente ou em cada um por sua vez, quer por meio das ações à distância (97,_100), quer com uma vareta de madeira, de aço ou de vidro.

    • 3º) Cadeia aberta, sem contato. As cadeias em fila ou fechadas, com contato, apresentam em suas disposições certos inconvenientes: em fila, não se pode admitir no máximo senão uns dez doentes e o operador está mal colocado para exercer a sua ação e a sua vigilância; em círculo acontece o mesmo, por isso que o operador volta forçosamente as costas a uma parte da cadeia. Além disso, esse contato muito íntimo das mãos e dos joelhos (inteiramente inútil para a provocação do fenômeno) pode inspirar às pessoas chamadas para formarem a cadeia um sentimento de mal estar ou repulsão. A melhor disposição para uma cadeia, é portanto a cadeia aberta e sem contato.
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      Colocam-se assentos na distância de 25 ou 30 centímetros uns dos outros, sobre uma linha curva, e o operador, em pé no centro deste semicírculo, conserva-se a boa distância, de modo a poder abranger num relance a linha dos doentes, de uma ala à outra. Se bem que não exista ponto algum de contato entre os diferentes elos desta cadeia, as correntes se propagam rapidamente de uma extremidade à outra, como na cadeia em fila. Pode-se entretanto, se isto aprouver, estabelecer um laço entre os diferentes elos. Como as cordas de fio de cânhamo, e principalmente de lã são excelentes condutores da força magnética, instala-se diante dos doentes, na altura de apoio, uma forte franja de lã torcida e sustentada, a intervalos, por suportes de madeira ou de vidro fixos ao soalho, e cada uma das pessoas que compõem a cadeia apóia as duas mãos sobre esta rampa improvisada. Esta disposição, estabelecendo inteiramente uma comunicação mais completa entre os anéis da cadeia, tem principalmente a vantagem de satisfazer mais plenamente o espírito dos doentes, os quais, por esse laço aparente e material, sentem-se de algum modo mais intimamente unidos entre si.
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      Os reservatórios magnéticos, tais como cubas, árvores magnéticas, não tinham outro intuito senão desenvolver, esforçar as correntes das cadeias que os doentes formam em derredor deles. Mesmer reunia todos os dias um grande número de doentes em torno de sua cuba. O Sr. de Puységur chegava a reunir até 130, ao mesmo tempo, em torno das famosas árvores de Bezancy, de Beaubourg e de Bayonna, de que os anais magnéticos assinalam numerosas curas.

____196. A composição e a direção duma cadeia exigem cuidados particulares.
____A primeira das condições é não admitir no tratamento em comum nenhuma moléstia que possa comunicar-se, produzir desordens intoleráveis ou impressionar desagradavelmente os assistentes, tais como epilepsia, úlceras, moléstias da pele, etc. Para compor a cadeia, o operador começa recebendo em particular cada pessoa, pondo-se em relação com ela durante um ou dois minutos (49). Feito isto, introduz sucessivamente cada uma delas na cadeia.
____Pode-se reunir assim, dez, vinte, trinta pessoas ou mais, se o local o permitir. Uma vez formada a cadeia e em ação, não se deve introduzir mais elementos novos, nem admitir curioso algum ou espectador estranho, nem deixar tocar nenhum dos doentes. Além disso faz-se mister não participar da cadeia nenhum elemento heterogêneo, suscetível de perturbar as correntes.
____Se alguém, dizendo-se doente ou amigo de um doente, mas visando satisfazer a sua curiosidade, pede para fazer parte da cadeia, pode até certo ponto impedir-lhe os bons efeitos, desde que seja incrédulo ou mal intencionado.
____197. Estando formada a cadeia, assim como acaba de ser dito, o operador coloca-se em face do centro, na distância necessária para abranger num relance o conjunto da cadeia. Recomenda silêncio, calma e atenção, concentra-se profundamente durante alguns instantes; depois, estendendo o braço direito para os doentes, projeta na direção deles as radiações magnéticas, por meio de imposições e passes à distância (97,_100).
____A faculdade de concentrar-se e de radiar não é dada a todos, no mesmo grau.
____Para dirigir bem uma cadeia, é preciso possuir esta qualidade em supremo grau.
____O homem que sabe querer com energia, com perseverança, com teimosia mesmo, é o melhor dotado para organizar uma cadeia (33). Todo o bom êxito depende do poder moral com o qual ele condensa em seus focos nervosos as emanações radiantes, que deve em seguida projetar por toda a parte em que quiser acender a faísca da vida.
____Assim se ateia o incêndio debaixo dos raios convergentes dum foco lenticular.
____Esta energia não deve exprimir cólera, mas uma vontade intensa sem violência nem rigidez:

    • toda a rigidez neutraliza os efeitos, consumindo o princípio que deve fazê-lo nascer.

____Pelo contrário convém um certo abandono, e, enviando às extremidades o móvel ou a força necessária para levantar um fardo considerável, é preciso não ter que mover senão o peso dos seus membros. É o excesso nesta força que vai influenciar ao longe os pacientes, e produzir a eclosão das correntes na cadeia.
____O operador deve considerar-se como uma simples máquina distribuindo à distância irradiações (8). Deve saber que sua vontade impele essas irradiações de seus centros nervosos ao longo dos nervos até aos limites da pele, e que daí são projetadas sobre os corpos aos quais se as dirige (13,_14,_15,_16).
____Cumpre, pois, regularizar a intensidade da vontade de modo que as irradiações não se percam inutilmente no espaço e obedeçam à direção que se lhes quer imprimir; e, como a máquina humana não poderia fornecer de maneira contínua tão elevado grau de tensão, é preciso que se a detenha muitas vezes sustentando-lhe a ação por algum tempo de repouso. (Barão Du Potet)
____198. Debaixo da ação radiante do operador as correntes se manifestam quase imediatamente na cadeia (11_e_12). Somente os efeitos, por vezes instantâneos, são mais ou menos aparentes, mais ou menos prontos ou tardios.
____Quando se magnetiza diversos doentes conjuntamente, diz o Sr. Ragazzi (que pôs em prática com resultado durante muitos anos em Haia, Holanda, a cadeia como meio curador), nota-se que sob a ação da corrente sentem todos um efeito particular sobre a parte doente: em uns a dor aumenta, em outros diminui. Muitos sentem dores que não tinham há muitos anos.

  • O que se passa então?
  • Será o magnetismo que produz a dor?

    • Não, pois que ele dá vida! É que havia ali um mal que a natureza não tinha podido reparar. O magnetismo, despertando as ações vitais, simplesmente ajudou a natureza a recomeçar o seu trabalho inacabado. Eis aí, diz o Sr. Ragazzi, um fato que verifico diariamente sobre milhares de doentes que trato por este processo. (Ragazzi)

____199. Pode acontecer que um doente, sob a influência das correntes desenvolvidas na cadeia, caia em crise ou fique sonambulizado. Cumpre deixá-lo nesse estado, enquanto não se torne uma causa de perturbação ou de desordem.
____Neste caso retira-se-o da cadeia para um aposento próximo da sala comum, onde se lhe administram cuidados particulares.
____200. É útil, no tratamento em comum, fazer-se ajudar por um ou mais auxiliares, principalmente se for grande a cadeia.
____Mas estes ajudantes, escolhidos com critério, devem compenetrar-se bem de que é preciso renunciarem a qualquer iniciativa pessoal, cingirem-se cegamente às instruções do mestre, só empregarem os seus processos, e nulificarem-se completamente diante da sua vontade soberana. Um acólito que se não conformasse com essas regras absolutas seria antes um empecilho do que um auxílio útil: seria preferível pô-lo de parte.
____201. A cadeia é, de todos os meios, talvez o mais poderoso para por em jogo a força magnética e tornar efetivas as suas manifestações.
____Se de fato quiser-se considerar o corpo humano como uma pilha composta de número infinito de elementos nervosos, que por sua ação recíproca desenvolvem correntes e radiações, compreende-se o que uma máquina composta de várias pilhas deste gênero, postas em atividade por um impulso dado, possa produzir em potência de tensão. A cadeia aparece então como uma verdadeira bateria magnética, onde a energia das trocas aumentam com o número dos elementos compostos que a formam. (12)
____202. A cadeia ordinária é, como acabamos de ver, a reunião de um certo número de doentes atuando respectivamente uns sobre os outros de maneira inconsciente e esperando, no estado de neutralidade, os efeitos magnéticos que devem desenvolver as correntes.
____Também se pode formar uma cadeia de pessoas sãs, unidas num mesmo intuito e numa mesma intenção ativa para aliviar um doente. Isto, em certas circunstâncias graves, pode ser um precioso auxiliar para suprir a insuficiência de uma ação isolada e para despertar ou vibrar a vida prestes a escapar-se de um corpo moribundo:

    • é o que se chama a cadeia comunicativa.

____A formação de uma cadeia comunicativa apresenta algumas dificuldades, e todos os que a compõem devem estar sinceramente animados do desejo de praticar o bem, profundamente dedicados ao doente e unidos de intenção e de coração àquele que os dirige.
____Sob tais condições essenciais não se pode, de maneira alguma, contar com mercenários ou pessoas de fé vacilante, cujo ceticismo, sempre pronto à crítica ou à negação dos fatos, dificultaria a ação magnética em vez de desenvolvê-la.
____A cadeia comunicativa, forma-se com o mesmo cuidado que a cadeia ordinária (195). Somente depois de haver estabelecido a relação (49), o condutor recomenda a cada pessoa que compõe a cadeia de se unir pela mão.
____Em seguida, ele toma a extremidade inicial da fila a fim de atuar, por meio de imposições e passes com a mão que se conserva livre, sobre o doente, como em toda a magnetização isolada, recebendo de todos os elementos da cadeia um reforço que duplica a potência da sua corrente.

Ver também:
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